A arte de atrasar o Brasil. Por Edmilson Siqueira

A ARTE DE ATRASAR O BRASIL

EDMILSON SIQUEIRA

…Prestar atenção no que fazem os políticos eleitos durante o mandato é um bom caminho para definir o voto na próxima eleição. Quem só quer atrasar o Brasil ou favorecer a corrupção, não pode merecer um mísero voto do eleitor…

Uma das desculpas ou justificativas que muita gente dava para votar em determinado político que , digamos, não era lá muito republicano, era “ruim com ele, pior sem ele”. Às vezes, quase nunca, havia razão na desculpa porque as opções eram de doer. Mas, nas maioria das vezes, havia sim outros candidatos que, pelo passado sem manchas e pelo currículo – e não pela folha corrida, a popular “capivara” – poder-se-ia botar uma fé momentânea e, quem sabe, se chegasse ao poder, ele tentaria manter o currículo e não passar a ser conhecido pela “capivara”. Eu sei que a possibilidade de decepção era grande e os exemplos estão por aí à farta, inclusive na presidência da República atualmente. Mas, pelo menos, votava-se em alguém que não era um, deixando eufemismos de lado, notório ladrão dos cofres públicos.

Mas, além da honestidade visível, sempre houve outros caminhos para que a escolha do candidato. O partido a que pertencia era de situação ou oposição? E, em qualquer dos casos, qual o motivo? Fisiologismo? Brigas pessoais? Brigas regionais? Ideologia? Fosse qual fosse o motivo, já se podia deduzir que caminhos poderiam percorrer tais e tais candidatos.

Dessas pistas todas, a ideologia é a melhor delas. Claro, eu sei que no Brasil, ideologias são como camisas que se trocam diariamente. Mas não precisamos ser tão rigorosos para descobrir o caminho das pedras. Basta reduzirmos o enorme leque ideológico (só a esquerda petista, por exemplo, tem várias correntes, e a própria esquerda, de maneira geral, tem as “internacionais “ – três ou quatro – que definiram rumos para o “paraíso socialista” e até hoje dividem ferrenhamente ideólogos que acham que o fim da URSS e a queda do Muro de Berlim são “fake news”. Ou, pior ainda, “que o verdadeiro socialismo jamais foi colocado em prática”, que é uma das desculpas mais inacreditáveis que se pode dar para o visível fracasso da esquerda em todos os países onde conseguir aplicar todos os fundamentos marxistas e outros menos votados. Sempre deu a mesma merda.

Pois é exatamente usando essa pista, que se pode ver que, no Brasil, o que move o PT não é apenas a ânsia pelo poder (pra fazer o que nós já vimos que eles são capazes de fazer e ainda não deu tempo de esquecer), mas sim para aplicar seus métodos de domínio do mercado pelo governo, domínio total, com todas as empresas virando estatais e todo mundo virando funcionário público com salários de fome, como ocorreu na extinta URSS, como ocorre em Cuba e na Coreia do Norte, apenas pra ficar nos exemplos mais notórios, afinal, dois desses países ainda estão por aí a desfilar a incapacidade de produção de bens e de riqueza dos regimes ditatoriais de esquerda.

A confirmação dessa obsessão pelo estatismo acaba de ser dada por dois petistas. Os deputados federais Erika Kokay (DF) e Frei Anastácio Ribeiro (PB). Ambos cometeram um projeto de lei que “tipifica o crime de desestatizar empresas públicas ou sociedade de economia mista sem autorização legislativa, reformula a dispensa de licitação para empresas estatais e regula operações com carteiras de instituições financeiras federais”.

Além de se meter em trâmites que deveriam ser de mercado e que visassem o bem público (empresas privadas, além de não darem despesas extras ao cofres públicos são muito mais eficientes que as públicas, como estamos cansados de saber), o projeto ainda se mete em outra lei, para acrescentar nela o “crime contra o patrimônio público a quem realizar atos com o objetivo de desestatizar, parcial ou totalmente empresa pública ou sociedade de economia mista, inclusive por meio de alienação de ativos transferidos para subsidiárias, com esse objetivo. O que a dupla pretende é impedir que os elefantes brancos sejam vendidos para a iniciativa privada e continuem existindo às custas do erário, tendo um monte de diretores nomeados por políticos e um enorme cabide de empregos para abrigar aliados, assessores e outros aspones que engordarão a folhas de pagamento o suficiente para que a receita da empresa não consiga pagar. Aí entra o cofre público que nós tanto penamos para abastecer. Sem contar a corrupção, claro, assunto do qual nem precisamos falar, pois está diariamente nas manchetes e sempre tem um órgão público ou uma estatal envolvida. E, entre os suspeitos de sempre, estão aqueles que votam pela preservação eterna da mamata ou aqueles que elaboram projetos de lei como esse, criando grandes dificuldades para que o povo deixe de carregar nas costas esses pesadelos brasileiros chamados estatais ou essa outra excrescência criada na ditadura militar, que são as empresas de economia mista.

A deputada brasiliense e o deputado paraibano ainda querem que quem infringir a lei de eternizar estatais que eles tentam criar, sofra pena de reclusão de 10 a 16 anos e pague uma enorme multa, de 1% a 20% do faturamento bruto da empresa. Por que será que os dois deputados ou seus pares não produzem uma lei que pune severamente a diretoria de toda estatal que der prejuízo? Difícil, né?

Claro que os dois se aproveitaram da atual crise provocada pela pandemia para louvar o poder do Estado na recuperação dos países e provocar os que consideram governos e estatais, que não rezam na cartilha capitalista como deveriam rezar, ineficientes e corruptos. Evidentemente, eles se esqueceram da última crise, quando houve sim ajuda do governo para recuperar bancos e outras entidades. Só que, em países desenvolvidos, essa ajuda se deu com a compra de ações das empresas encrencadas. Elas se recuperaram e as ações compradas pelos governos foram colocadas novamente no mercado, com um bom lucro. É assim que funciona em países desenvolvidos. O Brasil poderia estar chegando lá, não fosse o atraso provocado pela esquerda da qual esses dois fazem parte e que, durante quase 15 anos, fizeram o Brasil patinar no populismo inconsequente e num gigantesco sistema de corrupção.

Prestar atenção no que fazem os políticos eleitos durante o mandato é um bom caminho para definir o voto na próxima eleição. Quem só quer atrasar o Brasil ou favorecer a corrupção, não pode merecer um mísero voto do eleitor.

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Edmilson Siqueira é jornalista

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