Ah!, mas também contra a Bolívia…Coluna Mário Marinho

Ah!, mas também contra a Bolívia…

COLUNA MÁRIO MARINHO

Foi a frase que eu mais ouvi na manhã desta quinta-feira na padaria, entre um fatias crocantes de um pão com manteiga na chapa e goles de um pingado bem quentinho.

Parece que o brasileiro anda tão descontente com o futebol, assim como também com a política, que mesmo uma vitória tão limpa, com cinco gols, e atuações espetaculares não estão comovendo ou contagiando o torcedor.

Ouvi essas lamúrias e fiquei pensando. Se fosse no tempo do Dunga com aquela seleção quadrada, sem ânimo nem futebol, talvez a frase agora fosse esta: “Ah!, mas nem contra a Bolívia?”

Claro, o adversário é muito fraco. Nem o competente e sempre perigoso Marcelo Moreno que já encantou torcedores brasileiros do Cruzeiro e do Grêmio não apresentou perigo nenhum à nossa defesa.

E então: valeu a vitória?

Claro que sim.

Historicamente, a Bolívia é um time que não joga e deixa o adversário jogar.

No começo do jogo, os bolivianos tentaram surpreender o Brasil. Como não conseguiram, seu escasso repertório acabou ali mesmo.

E aos 10 minutos o Brasil já fazia 1 a 0.

O que mais empolgou no jogo da noite de ontem, foi a entrega dos jogadores.

Realmente, Tite está fazendo esses jogadores gostarem do jogo. Já não há mais aquela cara de enfadonho, aquela má vontade que se via nos últimos jogos e tropeços do sargento Dunga.

O Dunga parecia não gostar de futebol. Sempre com a cara fechada, mau humorado.

Tratava os jogadores como um chefe de departamento carrancudo e infeliz trata seus subordinados.

Guardava uma grande distância.

Os jornalistas eram tratados como inimigos.

A entrevista coletiva tinha o sentido de uma desagradável obrigação da qual ele queria se desfazer o mais rápido possível.

Com Tite, o ambiente é outro.

Os jogadores acreditam nele, vibram junto dele. Sentem-se felizes.

As entrevistas coletivas do Tite mais parecem mais um interminável papo de botequim entre amigos.

Bom, nem tudo está perfeito, mas nós estamos vendo jogadores novos que se entendem em campo com outros ainda mais novos.

Um exemplo claro foram os gols de Neymar e de Gabriel Jesus.

No primeiro, Neymar tomou a bola do adversário, partiu para o gol, viu Gabriel sozinho à frente, passou-lhe a bola e continuou correndo para receber de volta e marcar.

No outro, Gabriel passou a bola para Neymar e quando sentiu que Neymar venceria o adversário, se apresentou para receber e marcar com um toquinho de leve para encobrir o goleiro.

Três jogos, três vitórias.

O caminho está sendo sedimentado com concreto forte.

Esse piso resistente que está sendo forjado, servirá de sustentação para resultados ruins que possam vir pela frente.

E, se não vierem, um tanto melhor.

Veja os melhores momentos:

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FOTO SOFIA MARINHO

Mario Marinho É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, nas rádios 9 de Julho, Atual e Capital. Foi duas vezes presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo). Também é escritor. Tem publicados Velórios Inusitados e O Padre e a Partilha, além de participação em livros do setor esportivo

A COLUNA MÁRIO MARINHO É PUBLICADA TODAS AS SEGUNDAS E QUINTAS AQUI NO CHUMBO GORDO.
(E SEMPRE QUE TIVER NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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