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O Papa acertou. Por Edmilson Siqueira

A brincadeira do papa, porém, tem um terrível fundo de verdade: a falta de solução para o Brasil existe mesmo e se aprofunda a cada governo populista e corrupto que o povo elege.

 

Papa Francisco brinca sobre brasileiros: “Não têm salvação”

Embora o alcoolismo faça milhares de vítimas no Brasil e reduza em cerca de 10% a força de trabalho, provocando enormes gastos de recursos públicos da área da Saúde e também nas empresas, o papa errou ao falar que o brasileiro não tem salvação por causa da cachaça. Claro que foi uma brincadeira, mais de um argentino gozador do que do Sumo Pontífice que, pela liturgia do cargo, nem deveria falar assim. Mas é bom que exista um papa que saiba brincar, de forma saudável, com a rivalidade entre nosotros y nuestros hermanos argentinos.

A brincadeira do papa, porém, tem um terrível fundo de verdade: a falta de solução para o Brasil existe mesmo e se aprofunda a cada governo populista e corrupto que o povo elege.

Depois da longa tempestade da ditadura militar, da corrupção generalizada e da explosão da inflação do governo Sarney, do equivocado e corrupto Collor e de Itamar que teve uma única inspiração como presidente que foi chamar gente menos corrupta e mais capaz para seu ministério, tivemos o governo de Fernando Henrique Cardoso que conseguiu, a um alto custo, inserir o Brasil no concerto mundial das nações, debelando a inflação e respeitando contratos, entre outras medidas saneadoras da economia.

Infelizmente, FHC não deu continuidade ao programa de privatizações e não soube combater com o mesmo vigor a grande oposição que lhe era feita pelo PT.

Foi então que o Brasil ficou sem solução mesmo, pois o sucessor de FHC iria causar o maior estrago nas contas públicas que se tem notícia na história brasileira, tanto através de parcerias mundiais equivocadas, pois baseadas numa ideologia retrógrada e desastrosa, como através de políticas erráticas que favoreciam, propositalmente, diga-se, a corrupção, sobre a qual se sustentava o partido e seus aliados para fazer caríssimas campanhas, comprar votos e se manter no poder.

A equação causou tantos estragos que o poderoso partido no poder viu seu segundo presidente eleito ser cassado, após seis desastrosos anos no poder, por uma Câmara de Deputados quase que totalmente leviana, que se vendia fácil à corrupção. A cassação só aconteceu porque o povo – principalmente a classe média – acabou se cansando de tanta sacanagem que lhe era feita e foi às ruas exigir medidas mais drásticas. Além, é claro, do vice-presidente ter conspirado bastante para que a cassação se consumasse.

Os dois anos de Michel Temer no poder até que poderiam ter sido mais frutíferos, não fosse o vice de Dilma Rousseff ser useiro e vezeiro das práticas corruptas do PT e, numa delas, fosse flagrado em colóquio com um empresário que costumava comprar políticos como se compra pão na padaria da esquina. Seu governo acabou ali e as soluções ficaram ainda mais longe do horizonte brasileiro.

A falta de coragem de FHC de avançar com um programa liberal, os estragos todos em 14 anos de PT e a impotência de Temer em fazer algo melhor do que discursos com mesóclises resultaram na eleição daquele que viria a ser o pior de todos os presidentes que o Brasil já teve, o ex-capitão do Exército Jair Messias Bolsonaro.

Bolsonaro foi eleito, como muitos outros, com a esperança de mudar o Brasil. Essa esperança, diga-se, acontece a cada eleição brasileira, diante da decepção geral que costumam ser os eleitos que, geralmente, entregam aos sucessores um Brasil pior do que receberam.

Nesse caso havia um componente ideológico mais forte para provocar maior esperança: finalmente alguém identificado mesmo com a direita e com um economista da escola liberal de Chicago como futuro ministro da Economia, que poderia fazer com que o Brasil se assentasse no rumo de um desenvolvimento sustentável. Infelizmente, não aconteceu nada disso e Bolsonaro nada mais é que mais uma grande fraude eleitoral, como quase todas as outras.

E é pior ainda: o Brasil deu azar de, com um presidente totalmente ignorante do cargo que ocupa, totalmente despreparado para conduzir sequer uma companhia num quartel (atributo de capitães, diga-se) e dono das piores qualidades de um ser humano, ter de enfrentar a maior pandemia do mundo moderno, provocada por um vírus que se espalha rapidamente e que, além de entupir os serviços de saúde com um número absurdo de contaminados, provoca mortes, muitas mortes.

A pandemia exigia medidas sensatas, baseadas na ciência e, pelo que se viu nos primeiros momentos, haveria muitas vítimas, as economias dos países iriam sofrer e a solução só viria com a produção de vacinas confiáveis contra o vírus. Antes disso, teriam de ser tomadas medidas para salvar vidas primeiro, como o obrigatório uso de máscaras e severas restrições à circulação e aglomerações de pessoas. A economia ficaria para depois, claro que com intervenções do Estado, quando as vacinas começassem a surtir efeitos.

Bolsonaro fez tudo errado, desde a ridícula briga com o governo de São Paulo para não comprar a vacina de uma farmacêutica chinesa (não só por ser chinesa, mas também por ser comprada por um governo comandado por um possível adversário na corrida presidencial), até a ignorância total às medidas de contenção da proliferação do vírus e o incentivo à desobediência dessas medidas.

O resultado é a tragédia a que assistimos diariamente: o Brasil pode terminar essa pandemia como o segundo ou terceiro lugar no número de mortes, embora detenha a sexta população do mundo. Essa diferença pode significar entre 100 mil a 200 mil mortes a mais e que têm de ser creditadas a esse governo assassino.

O papa acertou ao dizer que o Brasil não tem solução, mas não é por falta de oração nem excesso de cachaça: as pesquisas indicam que o favorito para suceder o genocida Bolsonaro é o corrupto Lula, ele próprio autor e produtor de um grande desastre no país. E, para não dizer que o papa errou, Lula sempre foi chegado a uma pinguinha, vício que, depois da roubalheira toda, foi substituído por caríssimos vinhos e uísques de, no mínimo, 12 anos.

Finalmente, se Lula voltar ou se Bolsonaro for reeleito, o papa passará a ter carradas de razão: o Brasil não tem solução mesmo.

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Edmilson Siqueira é jornalista

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1 thought on “O Papa acertou. Por Edmilson Siqueira

  1. 1. FHC deu início à catástrofe política interna no Brasil ao não reprimir as ações de invasão de propriedades particulares pelo MST. Não só, mas também.
    2. O Papa tem razão, pois até homem grávido apareceu para ser vacinado primeiro. Fora o esperto com a conta para pagar e um “amigo” na fila do banco prestes a ser atendido a quem ele pede para pagar a sua conta também. Fora a senhora já sendo atendida pelo caixa do super, que “lembra” que esqueceu o queijo e sai por “um minutinho ” dee 10 minutos para buscá-lo. Etc, etc, etc…..
    3. A frase “Ça n’est pas un pays serieux” (erradamente atribuida a Charles de Gaulle) está errada ou insuficiente para o Brasil. Ela devia ser “Ça n’est pas un pays serieux et honnet” [vide exemplo (2) acima]

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