A decisão que não vai decidir nada. Coluna Mário Marinho

A decisão que não vai decidir nada

COLUNA MÁRIO MARINHO

Faz tempo, desde a adoção dos pontos corridos em 2003, que um jogo do Brasileirão não tem esse aspecto de decisão que Corinthians e Palmeiras, deste domingo tomou.
Dá-se como certo, sem a menor garantia, que o vencedor do de domingo será o Campeão Brasileiro de 2017.
E não decide porque a matemática não deixa decidir, mesmo não sendo o futebol uma ciência exata.
O líder Corinthians tem 5 pontos à frente do Palmeiras, o vice-líder.
Se perder o jogo, o Corinthians continuará líder com dois pontos à frente; se empatar, continua tudo na mesma; se vencer, abrirá 8 pontos de diferença.
Será uma grande diferença, mas nada que leve o Timão a colocar a mão na taça, já que ainda restarão cinco rodadas ou 15 pontos em disputa. É uma longa e imprevisível caminhada.
Estará em jogo, na verdade, a grande rivalidade entre os dois, rivalidade que faz deste um dos maiores clássicos do futebol brasileiro.
Rivalidade que vem desde os primórdios do século passado, quando ambos foram fundados.
Há quem diga que o Palmeiras nasceu de uma dissidência corintiana.
Nada mais falso.
O Corinthians foi fundado em 1910 quando em campos brasileiros se apresentou o inglês Corinthian.
Trabalhadores das imediações do bairro do Bom Retiro, hoje zona central da Capital Paulista, se entusiasmaram com a apresentação dos ingleses e resolveram fundar um time.
Por serem admiradores do Corinthian acabaram por ganhar o apelido de os Corinthians. Pegou e ficou.
O Palmeiras foi fundado quatro anos depois por italianos que foram convocados pelo jornal Fanfulla, publicado em italiano e que tinha seus leitores na colônia italiana.
No começo dos tempos os dois até que se deram bem até mesmo com troca de jogadores.
Mas o tempo se encarregou de dar a cada um o seu próprio destino.
A rivalidade entre corintianos e palmeirenses é muito, muito grande.
Ambos já se enfrentaram 354 vezes nas mais diversas competições.
O Palmeiras venceu mais: 125 contra 122 do timão – até mesmo nesse quesito, o jogo não decide nada.
Foram 107 empates.
As redes balançaram por 978 vezes (talvez no jogo de domingo chegue a 1.000 que é marca expressiva); o Verdão está na frente: 508 gols contra 470.
É inegável que o Palmeiras tem mais time.
Mas, quem disse que mais time é garantia de vitória?
Historicamente, esse clássico é sempre generoso em gols e emoções.
A maior goleada entre os dois aconteceu em 1933, quando o então Palestra Itália venceu por 8 a 0.
O Corinthians nunca devolveu essa goleada e o maior placar que alcançou foi 5 a 1, em três ocasiões: 1952, 1982 e 1986.
Nenhum dos dois admite, mas o empate é um bom resultado para ambos.
O que não significa que possa acontecer um jogo de compadres entre os dois.
Isso é inimaginável.
Na verdade, todos esses números fazem parte de um passado, de uma rica estatística.
Quando a bola começar a rolar o que vai valer de verdade não são números, nem mesmo a técnica: será o coração.
Vencerá quem tiver mais coração.

 

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FOTO SOFIA MARINHO

Mario Marinho É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, nas rádios 9 de Julho, Atual e Capital. Foi duas vezes presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo). Também é escritor. Tem publicados Velórios Inusitados e O Padre e a Partilha, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

 (DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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