Ah!, esse tal de futebol. Coluna Mário Marinho

Ah!, esse tal de futebol.

COLUNA MÁRIO MARINHO

Como Anselmo, o velho pescador que não pescava havia 84 dias, segundo saboroso e maravilhoso relato de Ernest Hemingway em “O Velho e o Mar”, o Santos estava sem vencer uma partida de futebol havia 63 dias.

E assim, entrou no Mineirão na noite desta quarta-feira com a missão quase impossível de vencer o Cruzeiro e reverter o quadro desfavorável e se classificar na Copa do Brasil.

Por incrível que pareça, o Santos conseguiu reverter o placar e chegou à vitória por 2 a 1.

Vencer o jogo é uma coisa, se classificar é outra.

E a decisão foi para a cobrança de pênaltis. Ou como diz uma senhora idosa, chamada Fifa, “decisão através da cobrança de tiros livres diretos a partir da marca da penalidade máxima”.

E aí o Santos deu com os burros n`água.

Do outro lado, atento e vigilante, estava o excelente goleiro Fábio. Esse Fábio, de 37 anos, que já atingiu a maioridade no Cruzeiro, time que defende há 18 anos e cuja camisa já vestiu por 785 vezes, que a cada dia que passa parece se renovar.

A cada dia está mais elástico, com os reflexos em dia e fazendo defesas espetaculares.

Foi o que ele fez ontem: defendeu três pênaltis, garantindo a classificação da Raposa Mineira.

Assim, jogou-se água no champanhe que os santistas preparavam para comemorar o fim do longo jejum de vitórias.

Mas o Inesperado de Souza não atacou apenas no Mineirão.

Lá na Arena Condá, em Chapecó, o dono da casa tentava vencer o Corinthians para, no mínimo, levar a classificação também para a Copa do Brasil para os pênaltis.

Tarefa que não parecia das mais difíceis, pois três dias antes o mesmo Chapecó havia vencido o mesmo Timão por 1 a 0, na mesma Arena.

Assim, os dois voltaram a se enfrentar num joguinho difícil de assistir. Joguinho sonolento, modorrento, letárgico.

De um lado, o Corinthians não queria partir para o ataque, pois o empate sem gols o classificava.

Do outro, a  Chape não queria se arriscar ao ataque e levar bola nas costas em algum contra ataque fatal.

As táticas siamesas levaram as duas torcidas a total apreensão durante os torturantes 90 minutos.

Até que aos 38 minutos do segundo tempo, Jadson cobrou falta pelo lado esquerdo do ataque corintiano e alçou a bola na área, como já fora feito algumas vezes durante o jogo.

Só que o Inesperado de Souza entrou em campo e com seu sopro gélido e potente, deu a força que a bola precisava para encobrir o eficiente goleiro Jandrei.

Assim, o Corinthians garantiu a classificação e agora enfrenta o Flamengo que, no Maracanã, venceu o Grêmio e também se garantiu.

O que não está garantido são paz e tranquilidade para a torcida corintiana.

As apresentações corintianas têm garantido aos seus torcedores emoções ao máximo.

Nunca se sabe qual time estará em campo: eficiente, ótimo na troca de bolas, criativo ou indolente, preguiçoso, embaraçado.

E o que é pior: não se sabe também qual goleiro Cássio estará no gol: gigante, eficiente, rápido, operoso – ou ineficiente, ineficaz e pronto para um tremendo frango.

Seja o que Deus quiser.

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FOTO SOFIA MARINHO

Mário Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
 NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

2 thoughts on “Ah!, esse tal de futebol. Coluna Mário Marinho

  1. Parabéns pelo artigo tão bem escrito, Mário! Gostoso de ler, fácil de entender e com um estilo fino e divertido! Até eu que não entendo nada de futebol me interesso e consigo entender um pouquinho. Abraço!
    Mitico Godoy

  2. Sou um torcedor fanático do Santos . Adorei o resultado onde o time perdeu nos pênaltis, eu estava chateado durante o jogo com os 2×1. Detalhe: sou torcedor sempre e sempre contra o Santos. Por exemplo, quando joga contra o “Parmêra”, torço pros dois perderem. A Fifa precisaria arrumar esse tipo de resultado.

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