mandato assassino

Assassinos com mandato. Por Edmilson Siqueira

ASSASSINOS COM MANDATO

EDMILSON SIQUEIRA

A esses dirigentes – e principalmente ao maior deles, o presidente Jair Bolsonaro – um recadinho: ninguém salvou e nem salvaria a economia, tanto os que adotaram medidas rígidas como os que demoraram pra perceber, ou ainda, quem, de forma totalmente ignorante, quis e quer remar contra a maré imitando um outro imbecil do hemisfério norte.

CEGUEIRA MANDATO ASSASSINO

Tem gente por aí que lê que as vacinas estão tendo sucesso nos testes – e é muito bom que estejam – e já acha que pode abolir a máscara, guardar o álcool em gel e sair pra tomar uma com os amigos, abraçando todo mundo que não vê faz tempo. Calma aí. Sucesso nos testes não atinge o vírus e ele continua ativo e saltitante por aí. Se esses resultados provocarem uma onda de euforia na população e todo mundo começar a pensar que a pandemia acabou, o Brasil, ao invés de ter uma segunda onda, nem vai sair da primeira, verá os números atingirem grandes proporções e os hospitais esgotarem suas capacidades de atendimento. E muitos mais mortos, obviamente.

E esse “relaxamento” aqui pode ser pior ainda, pois muita gente já não obedece aos conselhos incentivada que está  por imbecis autoridades que teimam em achar que teriam salvado a economia se nem ligassem para a proliferação do vírus. A esses dirigentes – e principalmente ao maior deles, o presidente Jair Bolsonaro – um recadinho: ninguém salvou e nem salvaria a economia, tanto os que adotaram medidas rígidas como os que demoraram pra perceber, ou ainda, quem, de forma totalmente ignorante, quis e quer remar contra a maré imitando um outro imbecil do hemisfério norte. E uma constatação óbvia: os que incentivaram a cegueira científica e o negacionismo, como o presidente brasileiro, ajudaram a causar a morte de muito mais gente do que os que seguiram as recomendações médicas, como por exemplo, as autoridades alemãs.

Já a economia, não havia jeito de salvar. Quem não deu bola pro vírus acabou infectado. Alguns deram a sorte de ter poucos sintomas ou de nem tê-los. Mas muitos morreram. Hoje, 18 de novembro, o número de mortos no mundo chega a mais de um milhão e trezentos mil.  Os infectados passam de 55 milhões. E isso porque a maioria dos países tiveram líderes que não negaram a ciência, não viram no vírus um inimigo político, não chamaram a doença de gripinha e nem acusaram de “maricas” ou frouxos os que dela se protegeram devidamente.

Em qualquer pandemia causada por um vírus que se propaga facilmente, a economia será uma grande vítima. Campinas, onde vivo, teve a febre amarela no começo do século 20. A cidade ficou quase vazia, a maioria fugiu rapidinho daqui porque a febre era fatal. Dos que ficaram, grande parte morreu. A cidade parou para tentar curar seus doentes e para enterrar os milhares de mortos. Para se recuperar da falência, a população contou com a ajuda de muita gente, mas principalmente da população do Rio de Janeiro, cuja imprensa, comovida com a tragédia, promoveu grande campanha de doações que ajudou a salvar muitas vidas que, livres da epidemia, poderiam morrer de fome. Hoje Campinas ostenta, em uma de sua mais belas praças, o nome de Imprensa Fluminense, justa homenagem a quem a socorreu em hora tão aflita.

E como a economia, numa pandemia desse tamanho, vai sofrer mesmo, o negócio é salvar o maior número de vidas possível. E, para tanto, as medidas que vários governantes desdenharam, eram essenciais. O que vimos no Brasil e nos EUA, por exemplo, é o retrato perfeito desse descaso não só com a ciência, mas, principalmente, com a vida da população.  Anda no início da pandemia, num de seus mais ignorantes pronunciamentos, Bolsonaro disse que 70% da população ia ser infectada mesmo, com ou sem proteção. A declaração é tão idiota que, caso ocorresse mesmo, teríamos milhões de mortes só no Brasil. E hoje, passados cerca de 10 meses do primeiro caso, as infecções estão em menos de 6 milhões, ou pouco mais de 2% da população. E os mortos chegam a pouco mais de 166 mil, ou menos de 3% dos infectados.

E não por acaso, os dois países – Brasil e EUA – estão entre os seis com maior número de mortos, tanto na contagem normal como na relativa, de mortos por milhão de habitantes. França Inglaterra e Itália também têm altos índices, todos acima de 500 mortos por milhão. A Alemanha, onde a ciência foi levada a sério, tem 91 mortos por milhão de habitantes. E a população alemã, quase 82 milhões, é maior que a da França, da Itália e da Inglaterra.

E, em todos esses países, o efeito na economia foi drástico. A única diferença está no fato de que quem desdenhou a ciência e incentivou a população a não se proteger devidamente, matou muito mais gente. Esses nefastos dirigentes são assassinos e deveriam ser presos e julgados por crimes contra a suas próprias populações.

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Edmilson Siqueira é jornalista

 

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