São Paulo, capital, e as tempestades que a Prefeitura prepara

Por  Gabriel Meissner

Cérebro..As consequências dessa irresponsabilidade ficam para 2017. Cairão no colo do próprio Haddad, se reeleito, que deverá amargar mais uma queda em sua popularidade. Ou no de seu sucessor, que na opinião pública levará a culpa pelo que está sendo feito…

 A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira votação, o orçamento municipal de 2016. E como é ele?

CAI A ARRECADAÇÃO, AUMENTA O ORÇAMENTO. A CONTA A GENTE PAGA DEPOIS.

O orçamento está estimado em R$ 54 bilhões, 5,9% maior que o de 2015. Ou seja, uma grande irresponsabilidade: o orçamento está ficando maior em uma época de recessão econômica, em que a arrecadação municipal está caindo. Mas não é de se espantar: 2016 é ano eleitoral e o prefeito vai querer gastar a rodo para tentar cumprir pelo menos parte do que prometeu e não fez.

As consequências dessa irresponsabilidade ficam para 2017. Cairão no colo do próprio Haddad, se reeleito, que deverá amargar com mais uma queda em sua popularidade. Ou no de seu sucessor, que na opinião pública levará a culpa pelo que está sendo feito.

Qualquer semelhança com o que Dilma fez em 2014 para se reeleger não é mera coincidência.

Ao menos parte deste aumento é justificada pela renegociação da dívida municipal com a União. É justificado, mas não justificável. Não em uma época de recessão econômica, em que os gastos devem ser racionalizados.

MENOS DINHEIRO PARA QUEM MAIS PRECISA

Outro ponto negativo: na nova distribuição de orçamento entre as subprefeituras, as que sofrem maior corte de recursos são justamente as que mais precisam, como Parelheiros (corte na ordem dos 30%). Já subprefeituras de regiões mais ricas, como Pinheiros, mantêm o orçamento praticamente inalterado.

Ainda bem que é Haddad é o “novo” de que São Paulo precisava, um prefeito progressista a favor dos mais desvalidos. Imagina se fosse um coxinha elitista.

PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES: MAIS AUTONOMIA PARA SUBPREFEITOS

Ao menos uma notícia positiva há.

Estão sendo reservados R$ 115 milhões para as subprefeituras, a ser gastos em “melhorias de bairro”. São recursos sem destino pré-definido, que podem ser usados em quaisquer obras de zeladoria, como reformas de calçada ou recapeamento de ruas. É uma medida que dá mais autonomia financeira aos subprefeitos, que terão mais facilidade de decidir, com o conselho participativo, o uso destes recursos para atender as demandas locais. Este dinheiro será divido pelas subprefeituras de acordo com o IDH de cada região. Ou seja, regiões mais carentes receberão mais dinheiro. A medida foi proposta pelo vereador Jair Tatto (PT) e é apoiada por José Police Neto (PSD).

POSSÍVEL AUMENTO DAS TARIFAS DE ÔNIBUS

O texto aprovado ontem não prevê aumento das tarifas de ônibus. Isso é tudo o que o prefeito Haddad não quer em ano eleitoral. E, para evitá-lo, está aumentando absurdamente os subsídios às empresas de ônibus. Quem paga a conta é a própria população. Mas a conta não é sentida tão diretamente e não pega tão mal na opinião pública.

Contudo, o vereador e relator do Orçamento Milton Leite (DEM) já afirmou que há, sim, necessidade de Haddad aplicar um aumento de pelo menos R$0,30 na tarifa, já que os valores estão abaixo da inflação.

Provavelmente, está certo. Contudo, há maneiras de se abaixar os custos do sistema de transporte público.

A primeira é abolir de vez os cobradores de ônibus. Atualmente, são desnecessários, visto que 90% dos usuários já pagam com Bilhete Único. Os cobradores representam R$ 0,60 da tarifa. Ou seja, sem eles o paulista poderia pagar R$ 2,90, em vez dos atuais R$ 3,50.

Porém, para proteger uma categoria em extinção, pune-se todo o resto da população.

Outra maneira é abrir a caixa preta das planilhas de custos das empresas de ônibus. Após as manifestações de 2013, fez-se uma CPI do transporte municipal que poderia ter dado mais transparência ao tema e tornado mais evidentes possíveis e prováveis “gorduras” a cortar. Mas, como de costume, tudo acabou em pizza.

Portanto, teremos duas opções nos próximos dois anos: 1) a tarifa vai aumentar e pagaremos a conta diretamente; 2) os subsídios vão aumentar e pagaremos a conta indiretamente.

  • GABRIEL MEISSNER - É JORNALISTA

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