FILME OS REJEITADOS

Um filme impecável. Por Arnaldo Niskier

fui assistir, depois de mil recomendações, ao filme “Os rejeitados”, do diretor Alexandre Payne. Sem dúvida, uma obra-prima … com a formidável atuação dos artistas Paul Siamatti, Da’vine Joy Randolph e o jovem Dominic Sessa, que faz o papel do estudante Angus Tully.

FILME OS REJEITADOS
CARTAZ

                       Com a experiência de 34 anos na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, professor de mais de 6 mil alunos em cadeiras variadas, fui assistir, depois de mil recomendações, ao filme “Os rejeitados”, do diretor Alexandre Payne. Sem dúvida, uma obra-prima com a formidável atuação dos artistas Paul Siamatti, Da’vine Joy Randolph e o jovem Dominic Sessa, que faz o papel do estudante Angus Tully.

Para início de conversa, deve-se registrar a infelicidade do título do filme. Os três personagens principais vivem a sua vida, com suas naturais contradições, mas não são rejeitados. O rapaz vai estudar na Universidade de Barton, depois de uma separação dos seus pais e vivendo problemas revelados de saúde mental. A cozinheira Mary é uma doce figura, que merece todos os elogios, e o professor rabugento, com os seus diálogos muito bem trabalhados e varias citações em latim, é um figurão solitário por escolha própria.

Trata-se de uma incômoda solidão a três, num período anterior ao Natal, com a escola vazia e quase sem vida, no longínquo ano de 1970. É formidável a maneira como o professor enfrenta as vaidades, rixas e epifanias da vida acadêmica americana, que ele conhece muito bem por ser filho e neto de professores da Universidade de Massachusetts.

Mais do que um tributo à solidão, esse filme é uma clara homenagem aos professores, e foi essa exatamente a intenção do diretor Alexandre Payne. Quando focalizou o jovem Angus Tully, escolhido ente 80 atores convidados, queria trazer à tona a vida complicada de um aluno-problema. Gostei da sua atitude, desde logo, de quem está “de saco cheio” de tudo. Na sua interpretação isso fica muito claro, sobretudo quando se faz uma feliz comparação dele com Dustin Hoffman, a quem foi apresentado com muito prazer.

O que parece que vai acontecer, em futuro breve, é uma série de premiações dos atores principais de “Os rejeitados”. É uma forma de fazer justiça à atuação dos grandes nomes que estão no elenco desse importante filme.

______________________

Arnaldo Niskier | Academia Brasileira de LetrasArnaldo NiskierImortal. Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da Academia Brasileira de Letras. Professor, escritor, filósofo, historiador e pedagogo. Foi presidente da Academia Brasileira de Letras e secretário estadual de Ciência e Tecnologia e de Educação e Cultura do Rio de Janeiro. Presidente Emérito do CIEE/RJ.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine a nossa newsletter