Audax, a audácia de um apaixonado pelo futebol. Coluna Mário Marinho

Audax, a audácia de um apaixonado pelo futebol

Chama-se Mário Teixeira, tem 70 anos, é aposentado da área financeira do Bradesco o homem que comanda o fenômeno chamado Audax que, mostrando futebol de classe e audácia, começa a disputar neste fim de semana, contra o Santos, o título de campeão paulista de 2016.

Não foi ele o fundador do Audax, mas é o homem da grana, do dinheiro que mantém o time em atividade.

Seu Mário, como é chamado, é apaixonado pelo futebol e o time de seu coração é a Ponte Preta. Por tanto amor, ele mandou construir uma ponte em num lago que tem em sua propriedade e a pintou de preto.

Mas foi no Audax que ele pode realizar o sonho de estar tão pertinho do futebol.

Na verdade, o Audax nasceu em 1985, num projeto de investimento do Pão de Açúcar nos esportes, principalmente, no futebol.

O Pão de Açúcar Esporte Clube durou até 2011 quando a empresa, atendendo a apelos de marketing, resolveu mudar seu nome para Audax.

Em setembro de 2013, o Grupo Casino, então controlador do Pão de Açúcar, resolveu colocar à venda o Audax de São Paulo e do Rio, por entender que com os times disputando a primeira divisão seriam necessários olhares profissionais.

Foi aí que apareceu Mário Teixeira, então membro do conselho do Bradesco e vice-presidente do Grêmio Osasco, e o investimento foi de R$ 30 milhões. Grana que, segundo o filho Gustavo Teixeira, ainda não foi recuperada.

– Mas, tudo bem, diz ele, o dinheiro não é o objetivo da família.

Ufa!

A grande maioria dos jogadores do Audax tem contrato até o mês de maio. Porém, com o sucesso técnico do time, é provável que quase todos eles tenham contratos renovados por mais uma temporada.

Como dinheiro não é o objetivo – e muito menos problema – o time recebeu R$ 500 mil reais de bicho pela eliminação do Corinthians e consequente classificação para a final do Paulistão. Se vier o título, R$ 1 milhão serão divididos entre os membros do elenco.

O técnico

Audacioso

 

Fernando Diniz (Patos de Minas, 27 de março de 1974) foi um meia atacante revelado pelo Juventus – SP, em 1993. Passou por diversos times. Pela ordem: Guarani, Palmeiras, Corinthians, Paraná, Fluminense, Flamengo, Juventude, Cruzeiro, Santos, Paulista, Santo André, Juventus e Gama.

Aproveitou o tempo também para estudar e formou-se em psicologia. Começou a carreira de técnico no Votoraty, do Interior de São Paulo, em 2009.

Em 2013 foi contratado pelo Audax.

A sua filosofia de jogo é muito parecida com o futebol que praticava: elegante, toques de bola, passes quase sempre precisos.

É assim que joga o Audax. Também o goleiro participa muito dessa troca de passes. Dificilmente a reposição de bola, pelo goleiro ou através do tiro de meta, é feita com um chutão para a frente.

– O goleiro precisa “jogar na linha, usar os pés e participar do jogo”, ensina ele.

É um Barcelona?, sempre lhe perguntam. Sua resposta:

– Os estilos são parecidos, mas a gente usa muito mais o goleiro na saída de bola, se arrisca mais. A rotatividade dos nossos jogadores é maior. E o Barcelona tem muito mais craques.

Com absoluta certeza, seu Mário estará no estádio José Liberati, em Osasco, neste fim de semana e na Vila Belmiro no outro fim de semana. Mas não estará em camarotes ou junto dos cartolas. Ele gosta de ficar num cantinho, assistindo com tranquilidade ao jogo. Nada de badalação.

A badalação e os holofotes estarão direcionados, além dos jogadores, ao presidente do time: Marcos André Batista Santos, o Vampeta.

Isso, aquele mesmo do Corinthians e das cambalhotas da rampa do Palácio do Planalto em 2002.

Morre

Damião Garcia

Damião Garcia deixou o bom humor como marca: sempre sorridente, sempre pronto a contar uma piada.

Aos 85 anos de idade, morreu aqui em São Paulo na semana passada, o empresário Damião Garcia.

Damião nasceu em Bauru, Interior de São Paulo, onde trabalhou na Tilibra, empresa que fabricava cadernos e outros materiais escolares.

Em 1972, mudou-se para São Paulo e montou uma pequena papelaria. Essa modesta papelaria se transformou no império chamado Kalunga que tem hoje 172 lojas espalhadas por onze estados brasileiros.

A Kalunga foi patrocinadora do Corinthians por muitos anos.

Apaixonado pelo Corinthians, Damião tentou ser o presidente do Clube diversas vezes, sem conseguir.

Deixou cinco filhos, todos corintianos, além de netos e bisnetos. Além deles, Damião Garcia deixou o bom humor como marca: sempre sorridente, sempre pronto a contar uma piada.

Seu filho mais velho, Paulo Garcia, ainda tenta realizar o sonho do pai e ser presidente do Corinthians.

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FOTO SOFIA MARINHO

Mario Marinho É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, nas rádios 9 de Julho, Atual e Capital. Foi duas vezes presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo). Também é escritor. Tem publicados Velórios Inusitados e O Padre e a Partilha, além de participação em  livros do setor esportivo

A COLUNA MÁRIO MARINHO É PUBLICADA TODAS AS SEGUNDAS E QUINTAS AQUI NO CHUMBO GORDO.

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1 thought on “Audax, a audácia de um apaixonado pelo futebol. Coluna Mário Marinho

  1. Que história interessante essa, Marinho, a desse tal Audax, de que só há pouco ouvi falar.
    Ao mesmo tempo em que me interesso por conhecer do que se trata o adversário agora do velho Santos, fico a matutar como mudaram os tempos…
    Antes tínhamos agremiações que surgiam espontaneamente em comunidades de cidades, grandes ou maiores, e aos poucos iam se transformando em sociedades esportivas mais expressivas até virarem o que nos acostumamos a chamar de grandes clubes de futebol, por todo o território nacional.
    Hoje esses velhos clubes estão se tornando empresas e, além deles, começam a surgir as empresas que se intitulam clubes de futebol, como o Audax ou um Red Bull que há aí por São Paulo e outros tantos de que, cá e lá, ouço referência. E, para desalento de pessoas como eu, tal mudança faz que não tenhamos mais, com igual intensidade, a boa torcida de coração pelas cores do time ou pelo ídolo que suava a camisa para conseguir a vitória muito mais pela alegria individual ou coletiva de vencer do que pela gratificação do bicho.
    Não ignoro ser o futebol apenas um aspecto da insanidade da sociedade atual, apenas lamento.
    Dou-me o direito de ser saudosista.
    Toinho Portela, Recife.

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