by Gilmar de Oliveira Fraga (1968-) desenhista gaúcho, via GZH
Ainda não…Por José Horta Manzano
… Me parece curioso ouvir analistas dizerem que as explicações de “Flávio” (como é íntima e carinhosamente chamado) ainda não são convincentes. Ao deixar a porta assim escancarada, estão convidando o suspeito a ir afinando sua narrativa, a ir modelando e aparando as beiradas até chegar a um relato convincente. A meu ver, estão dando moleza demais a quem não merece tanta confiança.

desenhista gaúcho, via GZH
Dei uma vista d’olhos nos jornais e nos principais, como diria…, antigamente se chamavam “jornais falados”, hoje não sei. São aqueles noticiários que passam de manhã ao vivo no YouTube, em que se leem e comentam as notícias do dia. Entre os analistas, nove em cada dez gastaram tinta e saliva esquadrinhando o caso da dinheirama que o filho mais velho do Bolsonaro pediu a Vorcaro, o estelionatário-mor da nação.
Uma fala que surge a todo instante é a de que o presidenciável ainda – sublinhe-se o ainda – não deu explicação convincente para a obscura transação. É verdade que, no princípio, o Bolsonarinho negou conhecer o ex-banqueiro e jurou não ter recebido nenhum dinheiro dele. Em seguida, pouco a pouco, como se acordasse de um sono profundo, esfregou os olhos e foi lembrando dos detalhes do negócio. Bem aos pouquinhos, em doses homeopáticas, foi destilando sua narrativa, até ser aventada a possibilidade de ter havido financiamento de um filme como justificativa para a generosa “doação”.
As alegações do pré-candidato foram evoluindo com a passagem dos dias. Parece que os ajustes finais não foram dados. Me parece curioso ouvir analistas dizerem que as explicações de “Flávio” (como é íntima e carinhosamente chamado) ainda não são convincentes. Ao deixar a porta assim escancarada, estão convidando o suspeito a ir afinando sua narrativa, a ir modelando e aparando as beiradas até chegar a um relato convincente. A meu ver, estão dando moleza demais a quem não merece tanta confiança.
A verdade tem de aparecer de golpe, logo de cara, no primeiro jato. E tem de ser inteira e irretocável. Se assim não for (e, no caso, não foi), o que ele possa vir a dizer não terá valor. Terá sempre o gosto requentado de uma história ajambrada em conselho de família com a participação de advogados mais espertos que o indigitado.
De toda maneira, pouco interessa o relato desse Bolsonarinho – nem o balbucio inicial, nem a versão retocada. Vejamos por quê:
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Os evangélicos tendem a seguir o conselho do pastor na hora do voto.
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Os menos letrados, que representam a maioria do eleitorado, não leem jornal nem acompanham análises sócio-políticas.
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Lulistas roxos estão de qualquer modo com Lula e não desgrudam.
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Bolsonaristas roxos estão de qualquer modo com o Bolsonarinho.
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“Farialimers” e assemelhados abraçam qualquer candidato que não seja de esquerda, de medo de ver escassearem as oportunidades de enriquecer.
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Portanto, maior importância mesmo terão os debates xingatórios na televisão. O que acabo de dizer pode parecer cínico e desabusado, mas é a realidade. Não?
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JOSÉ HORTA MANZANO – Escritor, analista e cronista. Mantém o blog Brasil de Longe. Analisa as coisas de nosso país em diversos ângulos, dependendo da inspiração do momento; pode tratar de política, línguas, história, música, geografia, atualidade e notícias do dia a dia. Colabora no caderno Opinião, do Correio Braziliense. Vive na Suíça, e há 45 anos mora no continente europeu. A comparação entre os fatos de lá e os daqui é uma de suas especialidades.
