INVASÃO

… o ministro da Defesa se mostrou bastante pessimista: “teríamos de abrir os portões!” Por uma razão muito simples: infelizmente o Brasil não tem como resistir a uma invasão nem em termos de armamentos nem de contingente militar…

INVASÃO

E se os Estados Unidos desembarcarem em Brasília, prenderem Lula, Alckmin e parte de seu governo em vias de ser reeleito, assim como Moraes e alguns ministros do STF, recolocando no lugar o ex-presidente golpista Jair Bolsonaro ou seu filho Flávio?

Essa hipótese existe e tem dado manchetes em jornais franceses e europeus. Seria um retorno ao passado ainda recente com a prisão de Maduro na Venezuela, diversos golpes na América Latina e a morte de Salvador Allende no Chile. Seria uma versão trumpista da Doutrina Monroe – o Brasil para os norte-americanos!

Haveria resistência? Numa entrevista à CNN, o ministro da Defesa se mostrou bastante pessimista: “teríamos de abrir os portões!” Por uma razão muito simples: infelizmente o Brasil não tem como resistir a uma invasão nem em termos de armamentos nem de contingente militar.

Além disso, já existem alguns traidores da pátria, bem instalados nos EUA, onde têm tramado contra o governo brasileiro pelas redes sociais, utilizando o tarifaço contra a economia do governo brasileiro.

Sem se esquecer da atração do evangelismo norte-americano sobre os seguidores da versão brasileira de exportação, cuja doutrina da teologia do domínio vê em Trump um líder internacional capaz de apressar a volta de Cristo. Trump um verdadeiro enviado de Deus para os evangélicos norte americanos.

Pode ser exagero, se escrever sobre o risco de intervenção norte-americana no Brasil, porém a dificuldade de Flávio Bolsonaro entrar na posse do eleitorado do pai, agravada com as denúncias de relações com Daniel Vorcaro, do banco Master, têm reforçado dentro da esquerda a esperança de uma vitória de Lula no primeiro turno.

Impossível para Trump aceitar uma vitória de Lula, depois de não ter conseguido derrotar a teocracia iraniana? E isso às vésperas de eleições para deputados e senadores, nas quais perderá a maioria nas duas Casas?

Provocar um golpe no Brasil, com ou sem intervenção militar, lhe daria vitória em novembro? Ou lhe daria condições políticas internas para enfrentar a derrota dos republicanos, com a qual perderá a maioria legislativa no governo e deixará de ser o presidente manda-chuva, quase ditador, norte americano?

Ainda em março, o jornal francês Le Monde noticiava o acordo de fabricação de armamentos do Brasil com a África do Sul. E, naquele momento, o risco não eram as eleições mas as organizações criminosas brasileiras,  consideradas como grupos terroristas, nova categorização que dá aos EUA justificativa para violar a soberania brasileira e fazer ataques pontuais contra o Brasil.

Na verdade, essa era a primeira brecha necessária para justificar uma intervenção no Brasil.

No UOL, a jornalista Daniela Lima levanta outro tipo de intervenção, possível pelas redes sociais antes das eleições durante a disputa eleitoral. Quanto a isso não existem dúvidas, a campanha anti-Lula está em plena função com a utilização inclusive de fakes, repetindo o já ocorrido durante a campanha de Jair Bolsonaro contra Lula.

A dúvida é se haverá intervenção no caso das sondagens ou os votos nas urnas favorecerem Lula.

Imprevisível como é Trump, nada é impossível, tudo poderá acontecer.


REFERÊNCIAS:

CNN
https://www.youtube.com/watch?v=OW-G07ww7_c

TRUMP, enviado de Deus
https://www.youtube.com/watch?v=rS9C5clV2SY

LE FIGARO
https://www.lefigaro.fr/international/le-bresil-redoute-un-recours-a-la-force-militaire-des-etats-unis-sur-son-territoire-20260707

UOL, intervenção dos EUA
https://noticias.uol.com.br/colunas/daniela-lima/2026/08/05/nem-lulinha-nem-inss-intervencao-dos-eua-e-maior-preocupacao-de-lula-hoje.htm

https://www.instagram.com/reel/Db6hs8YDKP5/

Rearmamento
https://www.lemonde.fr

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  • Rui Martins também está em versão sonora no Youtube, em seu canal –

https://www.youtube.com/@rpertins


Rui Martins – Direto da Suiça – é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI

1 thought on “Existe o risco de invasão norte-americana? Por Rui Martins”

  1. Prezado Rui, a possibilidade de uma coisa dessas ocorrer hoje, penso eu, não vai muito além de zero – ao menos por enquanto. Não porque Trump e seus trumpets brasucas não queiram, mas porque o Brasil, apesar de tudo, ainda não é a Venezuela, Lula não é Maduro, e Trump e seus trumpets não estão amparados dentro do Brasil para um pouso tranquilo. Se ocorrer, mais fácil é o Air Force One capotar no primeiro buraco na pista. Haverá tantos… Nos anos 1960, havia muito mais gente no Brasil que admitia a possibilidade e não via com maus olhos uma « correção de rumo » para um país que corria o risco quase imaginário de se tornar comunista. Era o terror do momento. Naquela época, havia comunismo – de péssima qualidade, é verdade, mas havia ! Cuba estava viva ; hoje está no caixão, à espera de uma cova do tamanho certo. A URSS estava viva ; hoje se transformou num fantasma tão delirante quanto decadente, e que, a despeito da devastação que causa na Ucrânia, é cada vez menor como interlocutor internacional e como exemplo de seja lá o que mais for – e, de comunista, só pode ter preservado meia dúzia sonhos, os piores. Lula teme (não confessa, mas teme) ser invadido por Trump, mas ambos apoiam o esfacelamento da Ucrânia. Que coincidência ! Hoje, mesmo contando a tripulação da kombi que abriu na Paulista uma bandeira norte-americana num 7 de Setembro, há tanta gente desejosa da chegada salvadora do Orange Uncle Sam ao Brasil que provavelmente dará pra encher outra kombi. Quem sabe, duas. Uma coisa é querer o poder, pedir uma mãozinha a Trump, simular com este um entendimento que os próprios bolsonauros (não está escrito errado) davam como terminado na época da « química » que fizera Trump e Lula trocarem carinhos em praça pública. Isso é uma coisa. Outra, bem diferente, é os bolsonauros contarem com um golpe de verdade enquanto lambem as sapatões do chefe no Salão Oval. Podem querer, mas será que Trump, ele mesmo, quer… ? No fundo, Trump já sabe que tem em Lula um interlocutor manso (adorou ventar pelos quatro cantos do Brasil a tal « química » com Trump, tornada então uma propaganda envaidecida de si mesmo) que aceita uma conversa em torno de interesses comerciais. Lula, lembremos, cansou de dizer, e chegou a chamar Haddad para passar vergonha junto e repetir com ele que tudo poderia ser « negociado », inclusive as tais « Terras Raras ». Que, aliás, Trump já tem ! Convém lembrar que a única mineradora brasileira que trabalhava nessas terras já foi vendida, junto com toda a área prospectada e minerada (ou seja, junto com os minerais estratégicos que contém) para uma mineradora norte-americana financiada, veja só, com dinheiro do governo Trump… Golpe no Brasil hoje ? Pra quê ? Se Trump abaixar a bola no caso da sobretaxação ao Brasil, Lula negociará qualquer coisa que os americanos puserem sobre a mesa e ainda fará cara de quem ganhou. O único problema real, este sim real, tem outro nome : Rubio ! No dia em que esse sujeito ganhar uma eleição presidencial nos USA, aí sim será hora de os brasileiros rezarem. Os brasileiros e mais todos os latinos que se encontrarem ao sul da Flórida…

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