by Gilmar Fraga (1968-), desenhista gaúcho
Ainda resta uma tênue esperança. Por Rui Martins
Um debate de tão grande importância não poderia ser um ensaio ou uma inovação. O exemplo clássico norte americano e francês é o do debate face-a-face dos candidatos ou dos candidatos em pé diante de uma tribuna ou púlpito.

Quem esperava ver muitos votos virarem para Lula com o debate na Band, ficou frustrado. Mas era o esperado. O Flávio é malandro diplomado e todo mundo sabia que iria tentar de tudo para atrapalhar o Lula.
Mas confiavam na sagacidade e experiência de Lula para driblar as trapalhices de Flávio Bolsonaro. Porém, o formato escolhido pelos produtores e realizadores e utilizado pela TV Bandeirantes, que permitia a Flávio se movimentar atrás de Lula com gestos negativos, criando um clima permanente de pressão contribuiu para o fiasco do debate, no qual Flávio não respondia as perguntas e acabou sendo considerado como agressivo na avaliação do encontro.
Esse formato nem poderia ser considerado como inovador ou criativo, pois era uma cópia sem imaginação do debate de Donald Trump com Hillary Clinton, no qual Hillary, acuada e marcada de perto por Trump, foi considerada perdedora pelos espectadores.
Sou um homem de imprensa, acostumado a ver debates políticos, isso há anos e anos, não só no Brasil, como em outros países. Nunca vi algo tão mal feito e tão mal dirigido, com uma câmera em movimento permitindo uma invasão do campo visual do entrevistado, desviando a atenção dos telespectadores.
Tudo bem, se o tema em debate fosse o jogo do Corinthians contra o Flamengo, mas, por favor, não se tratava de uma brincadeira, e sim de um debate político de primeira grandeza, às vésperas do segundo turno de uma eleição, na qual se vai decidir o futuro do Brasil! Que irresponsabilidade!
E decidi externar meu descontentamento e mesmo indignação, diante de algumas cenas colocando o presidente Lula fora do foco principal, quando respondia, enquanto a tela abrangia a figura de Flávio sempre em movimento, fazendo “não” com as mãos ou com a cabeça.
Mesmo no debate Biden -Trump não se viu tamanho absurdo. Haveria o desejo oculto de se impedir ao debate a possibilidade de Lula desmascarar Flávio? Não acredito, mas imagino ter sido o desejo da produção da Band de fazer algo novo na forma, talvez até inédito no Brasil, porém o resultado foi um fiasco além de ter favorecido ao candidato Flávio, junto ao seu público que considera suas safadezas como espertezas.
Um debate de tão grande importância não poderia ser um ensaio ou uma inovação. O exemplo clássico norte americano e francês é o do debate face-a-face dos candidatos ou dos candidatos em pé diante de uma tribuna ou púlpito. Cada resposta ou intervenção tem tela cheia com o rosto do candidato. O formato escolhido permitiu ter havido mesmo desrespeito ao nosso presidente.
Isso quanto ao formato. No que se refere ao conteúdo, o debate foi desolador, talvez por falta de intervenção dos animadores, deixando se criar um clima de arena, com Lula nem sempre sabendo se defender e ficando sem resposta às suas perguntas. Soube-se, mais tarde, por Daniela Lima, do UOL, ter sido Pablo Marçal o inspirador dos movimentos e gestos de Flávio, mais alto e mais encorpado que o idoso Lula, definidos nos comentários como “agressivos”.
Neste comentário, escrito e publicado antes do maior e mais importante debate, na Globo, imagino que o formato será o de Lula e Flávio, face a face, mas distantes um do outro, de pé diante de um púlpito. Sem Flávio rodeando Lula, formato que desfavorece o presidente.
Este comentário também precede em dois dias o Segundo Turno, em meio às acusações ao TSE de que Meta favoreceu Flávio nas redes sociais com seus algoritmos e Inteligência Artificial. Com o TSE dirigido por dois ministros considerados bolsonaristas, Nunes Marques e André Mendonça, e às vésperas das votações, parece ser tarde demais para recursos jurídicos ou pressões com manifestações.
Difícil de entender, como uma grande parte dos favorecidos com as medidas sociais de Lula façam parte dos eleitores mais hostis ao presidente, seria só por influência religiosa da extrema direita evangélica? Ou alguma coisa mais complexa, talvez ainda ligada à escravidão, próxima do que se costuma chamar de Síndrome de Estocolmo, no qual reféns defendem seus sequestradores.
Sem bola de cristal e sem acreditar em milagres, diante dessa tão importante eleição de domingo, em meio a uma crescente angústia, fica meu sentimento de haver ainda uma tênue esperança.
LEIA TAMBÉM, DO AUTOR:
O fiasco da Band no debate. Por Rui Martins
Algumas referências:
UOL – Sakamoto
https://www.uol.com.br/flash/?c=6ad68839a539e561cc7d0236
RadioBand – Reinaldo Azevedo
https://www.instagram.com/reels/Desz0YGyKFb/
UOL – Daniela Lima, Pulso
https://www.youtube.com/watch?v=Eu3FaX8ZbLs
Manipulações algorítmicas
https://oglobo.globo.com/politica/eleicoes-2026/noticia/2026/10/20/manipulacao-algoritmica-o-que-alega-a-campanha-de-lula-contra-a-meta-em-acusacao-de-favorecer-flavio.ghtml
Pedido de anulação
https://www.dn.pt/internacional/campanha-de-lula-da-silva-pede-anulao-da-candidatura-de-flvio-bolsonaro-por-ingerncia-da-meta#goog_rewarded
_____________________
- Rui Martins também está em versão sonora no Youtube, em seu canal –
https://www.youtube.com/@rpertins

