by Bruno Struzani, desenhista paulista
Brasileiro não sabe votar. Por José Horta Manzano
… Alguém disse um dia que brasileiro não sabe votar. Desde então, volta e meia a frase se repete. Será verdade?…

Alguém disse um dia que brasileiro não sabe votar. Desde então, volta e meia a frase se repete. Será verdade?
O voto do último domingo deixou claro que nós, eleitores brasileiros, embora apáticos em tempos normais, sabemos, quando espicaçados, levantar de nosso berço esplêndido, sacudir a preguiça, arregaçar as mangas e, passo firme, parar de choramingar, e batalhar pela solução de nossos próprios problemas.
Dinheiro na mala, dólares na cueca, emendas parlamentares que vão encher bolsos amigos, orgias entre homens de bem e profissionais do sexo, palavrões pronunciados no seio de famílias cristãs – esses fatos já não escandalizam. Na hora de escolher candidato, o brasileiro hoje releva deslizes que, em outros tempos, trariam grande desonra pública a quem os cometesse.
Os resultados do primeiro turno de votação escancararam o tremendo risco de um miliciano (nas palavras do Lula) ser guindado à Presidência do país. Muitos eleitores não deram importância, mas o perigo deixou a maioria do eleitorado assustada. Diante do perigo, os “brasileiros que não sabem votar” animaram-se, arrebanharam amigos, vizinhos, parentes, avôs e avós, e acudiram às urnas a mostrar que conosco ninguém podosco.
Conseguiram o que ninguém imaginava possível: deram a Lula 10 milhões de votos a mais do que ele tinha recebido no primeiro turno. Coisa de louco. Com isso, Luiz Inácio deixou Bolsonaro jr comendo poeira. O crescimento do Lula foi tão grande, que deixa a impressão de ele ter recebido boa parte dos votos dos candidatos nanicos, mais os votos que correspondem à queda na abstenção, mais uma parte dos votos de Bolsonaro jr., dados por eleitores arrependidos.
Seja como for, foi um alívio e uma boa surpresa. Lula tem agora quatro anos para dourar sua biografia. Tem de fazer tudo para que seu último mandato corresponda à confiança que os eleitores depositaram nele.
E tem mais: chegou a hora de deixar o egoísmo de lado, afrouxar rédeas e permitir o surgimento de novas lideranças em seu entorno, pra evitar que seu partido desapareça junto com ele.
____________________
JOSÉ HORTA MANZANO – Escritor, analista e cronista. Mantém o blog Brasil de Longe. Analisa as coisas de nosso país em diversos ângulos, dependendo da inspiração do momento; pode tratar de política, línguas, história, música, geografia, atualidade e notícias do dia a dia. Colabora no caderno Opinião, do Correio Braziliense. Vive na Suíça, e há 45 anos mora no continente europeu. A comparação entre os fatos de lá e os daqui é uma de suas especialidades.
