VÍCIOS

… algumas posições tomadas em relação à permissão e proibição de vícios – ou dependências, como queiram – parecem os antigos programas de auditório monitorados pelo que o Ibope registrava. Se favorável o público, continuava a atração.

VÍCIOS

Em “Combustível para vícios”, mais de dois anos atrás, houve alguma reflexão quanto ao que se define como dependência química, que passa pelos produtos proibidos maconha e cocaína e pelos permitidos álcool e tabaco (https://www.chumbogordo.com.br/combustivel-para-vicios-por-adilson-roberto-goncalves/).

No entanto, algumas posições tomadas em relação à permissão e proibição de vícios – ou dependências, como queiram – parecem os antigos programas de auditório monitorados pelo que o Ibope registrava. Se favorável o público, continuava a atração. Da mesma forma que, se a avaliação é positiva, favorável se manifesta um candidato nas eleições atuais, por mais evidente que seja sua posição contrária. Exercício da modulação pelo público, portanto. Mas é de político que pretende ser presidente do país que se trata.

Viciados estaríamos em sermos tutelados e tolhidos? Da mesma forma que somos induzidos à compulsão por jogos de azar? Azar para nós e sorte, muita sorte, para quem os administra e propagandeia. As bets dominam os influenciadores, aumentando o engajamento digital e, portanto, influenciam no resultado eleitoral. Após sua proibição e banimento por parte do governo Lula, apostam, literalmente, na vitória de Flávio Bolsonaro para voltar a atuar impunemente e quase sem regulação. Clubes esportivos e boa parte da mídia também apoiam o candidato que vai revogar a medida provisória que proibiu as bets porque o importante é a saúde financeira desses grupos econômicos e políticos, não a saúde da população. E houve um dia em que era escandaloso o jogo do bicho financiar as escolas de samba. É, 1933 se aproxima em alta velocidade.

Nesse sentido, a defesa é para se manter a proibição total e irrestrita. Uma das preocupações aventadas foi o fim do patrocínio das bets aos clubes esportivos. O esporte já deixou de ser patrocinado por outros produtos viciantes que degradam a saúde, tais como as bebidas alcoólicas e o cigarro. É ilógico e criminoso permitir o patrocínio das bets, que são comprovadamente igualmente nocivas. Nas urnas, estamos não apenas sendo movidos pelo presente, mas colocando em jogo o nosso futuro.

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Perfil ambiental e político – Adilson Roberto Gonçalves –  pesquisador da  Universidade Estadual Paulista, Unesp, membro de várias instituições culturais do interior paulista.  Vive em Campinas.


 

 

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