Os agitos de quarta à noite. Coluna Mário Marinho

Os agitos de quarta à noite

Coluna Mário Marinho

Foi uma quarta-feira movimentada. Mais especificamente: uma noite de quarta muito agitada.

Em campos da América do Sul, em altas e baixas altitudes, a bola correu, o suor desceu, a adrenalina subiu, a botina comeu, teve gente que riu e gente que chorou.

Em campos do Planalto Central do Brasil um jogo sujo, muito sujo, conseguiu manchar ainda mais a turva água por onde navegam a política e políticos brasileiros.

Já era fim do dia e a noite mal começava quando mais uma bomba explodiu, revelando a capacidade desse arsenal de bombas que não termina nunca.

A TV Globo saiu na frente e desandou a despejar sobre nossas mentes as artimanhas proporcionadas por novos corruptos, os miliardários da Friboi.

Claro, novos no noticiário. Mas, vê-se logo que já são veteranos praticantes.

No intervalo do JN, a chamada para mais um capítulo da minissérie “Os dias eram assim”, espécie de ficção-documentário sobre os anos de chumbo da ditadura.

E eu penso com meus botões que também já estão passados com tantas mazelas: esse noticiário de hoje deveria ter o nome genérico de “Os dias são assim”.

Tenho vontade de não escrever sobre esporte, sobre futebol que é o meu esporte preferido, e dedicar o espaço somente ao labéu que nenhum desinfetante parece dar conta.

Mas, o mundo continua a girar como se nada fosse com ele – assim, bola pra frente.

Até porque, para tratar da crônica doença que ataca nosso Brasil viripotente, existem profissionais mais bem preparados aqui neste site, como o Carlinhos Brickmann e a doce Marli Gonçalves.

O bom
jogo da bola

Os palmeirenses, certamente, pensavam que iriam encontrar um adversário rebaixado, portanto, um time da Série B. Adversário fácil de ser batido nessa Copa do Brasil.

Suave engano.

Em campo, encontraram o bravo Internacional, time que não é da Segunda Divisão, mas, apenas está na Segunda Divisão.

Sentiram a diferença entre os verbos ser e estar.

E ambos fizeram um bom jogo, à altura de suas qualidades. Revezaram-se no comando das ações, nas iniciativas e nas jogadas perigosas.

Dalessandro continua impecável com sua esquerdinha clássica e criativa.

O Inter mostrou também que não esqueceu a famosa garra gaúcha, a vontade de partir para cima do adversário, como se ele fosse ele um bagual selvagem que precisa ser dominado.

O Palmeiras também teve seus excelentes momentos e momentos de desnecessária arrogância de Felipe Mello que está sempre à procura de ingresia.

Por fim, o Verdão venceu por 1 a 0 graças a um gol contra o zagueiro do Inter.

Medido e pesado, ouvidas as provas contra e pró, o resultado justo teria sido um empate.

Mas quem disse que campo de futebol é Tribunal de Justiça? Daí, vitória justa do Palmeiras 1 a 0.

A Libertadores também provocou emoções na noite dessa quarta-feira.

No Grupo 2, o Santos foi às alturas para enfrentar o The Strongest e voltou de lá classificado. Venceu o ar rarefeito e o também rarefeito juízo do atacante Bruno Henrique que foi expulso aos 22 minutos do primeiro tempo.

Jogando todo o tempo com um jogador a menos, conseguiu o empate que o classificou para as oitavas de final da Libertadores.

O Grupo 4 foi que mais emoção proporcionou.

Jogavam, no mesmo horário, San Lorenzo x Flamengo, na Argentina; Universidade Católica x Atlético PR, no Chile.

Em um determinado momento, os dois brasileiros estava classificados; em outro, só o Flamengo; pouco mais adiante, só o Atlético PR.

Só uma combinação de resultados poderia desclassificar o Mengão: sua derrota e a vitória do Atlético PR.

E o que deu?

O Flamengo que começou vencendo, acabou derrotado; e o Atlético PR que começou perdendo, acabou por vencer com um gol de Carlos Alberto, aos 41 minutos do segundo tempo.

Como escreveu o destino com suas mal traçadas linhas, Atlético PR e São Lorenzo se classificaram e o Mengão ficou de fora.Ainda na Libertadores, a Chapecoense saiu perdendo para o Lanus, na Argentina, recuperou-se, venceu por 2 a 1 e embolou a classificação de seu grupo.

Só que o resultado pode não ser confirmado. A Chape escalou o zagueiro Luís Otávio cuja situação parece estar irregular. O Tribunal da Conmebol é quem vai decidir.

No primeiro jogo da decisão da Copa do Nordeste, na Ilha do Retiro, o Bahia saiu na frente, mas, os donos da casa buscaram o empate: 1 a 1. O segundo e decisivo jogo será na próxima quarta-feira, na Fonte nova, em Salvador.

Veja os gols da quarta-feira

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FOTO SOFIA MARINHO

Mario Marinho É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, nas rádios 9 de Julho, Atual e Capital. Foi duas vezes presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo). Também é escritor. Tem publicados Velórios Inusitados e O Padre e a Partilha, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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1 Comment

  • Cesar Camarinha

    19/05/2017 - 16:53

    Bom dia Marinho!

    A Coluna merece nota 10, com o jornalista
    muito inspirado nos substantivos, adjetivos,
    verbos e tal…Gostei caro amigo, parabéns!

    Um abraço.
    Cesar.

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