Inflação “basal” e atrocidades derivadas

Primeiro negaram que a
inflação fosse se acelerar. Quando acelerou, inventaram que se tratava de um “choque
de oferta”, contra o qual a política monetária seria impotente. Agora que a
Selic começou a subir, a modinha é falar da “inflação basal” (nome novo para a
velha – e desmentida – “inflação estrutural” dos anos 50 e 60) para justificar
propostas estapafúrdias, que ignoram tanto a teoria econômica como a experiência
nacional e internacional sobre o assunto.
Os
suspeitos de sempre
, por exemplo, defendem elevar a meta de
inflação. Como a “inflação basal” seria alta, a alternativa seria acomodá-la
por meio de uma meta maior. Trata-se de uma atrocidade e explico o porquê.
Imaginemos, para
começar, um país cujo BC, ao contrário do nosso, tenha credibilidade, em que se
anuncie uma meta futura de inflação, digamos, 1% acima da existente. Neste
caso, as expectativas de inflação futura imediatamente se ajustam 1% para cima.
Isto acelerará a
inflação corrente, pois, sabendo que esta irá subir à frente, empresas e trabalhadores
elevarão hoje seus preços e salários. Neste caso, o BC, para manter a inflação presente
na meta terá que elevar a taxa nominal de juros por mais do que 1%, ou seja,
aumentará a taxa real de juros, levando a um crescimento menor do produto. Ao
contrário do que nossos “keynesianos de
quermesse
” imaginam, elevar a meta futura de inflação forçaria o BC a reduzir
o crescimento atual.
Pode parecer que
ignoro o efeito da inflação passada sobre a inflação corrente, mas não é o
caso. Mesmo que tanto a inflação passada quanto a futura influenciem na
formação de preços hoje, a primeira é um dado que não se altera com o anúncio
da nova meta. Já os efeitos decorrentes do canal das expectativas continuam
valendo, mesmo na presença de inércia, de modo que a elevação da meta futura
acaba implicando juros nominais e reais mais altos do que no caso de manutenção
da meta.
É verdade que, por
hipótese, trabalhamos com um BC crível, de modo que o mero anúncio de uma meta
de inflação basta para fazer com as expectativas convirjam para aquele valor.
Esta suposição não é, obviamente, uma boa descrição da nossa situação atual,
como expresso pelas expectativas de inflação que se cristalizaram pouco mais de
1 ponto percentual acima da meta, tanto para 2013 como para 2014.
O que ocorreria neste
caso se a meta fosse alterada para 5,5%, próxima às expectativas hoje vigentes?
Economistas ingênuos
podem acreditar que as expectativas ficariam inalteradas. Isto, porém, ignora a
percepção deteriorada dos agentes acerca do compromisso do BC com a meta. Muito
mais provável seria a elevação adicional das expectativas levando em
consideração a incapacidade do BC em entregar a inflação na meta, permanecendo
acima dela desde 2010. Ou seja, a mesma dinâmica descrita acima permanece
válida, com a agravante que – com a credibilidade combalida – a inflação
esperada (e, portanto, a efetiva) continuaria a superar a meta.
A proposta de elevação
da meta simplesmente desconsidera que agentes econômicos não ficam passivos em face
de alterações nos parâmetros de política econômica, mas, pelo contrário, tratam
de se adaptar o mais rapidamente possível às novas circunstâncias.
Este mesmo erro
aparece em outra das sugestões mágicas, a saber, a extensão
do período de convergência à meta
, mas, antes de tratar
dele, não posso deixar de sugerir aos autores da proposta que, por obséquio,
antes de falar qualquer coisa, tenham a bondade de olhar os números para notar já
tivemos quatro anos para trazer a inflação de volta à meta, sem sucesso. A
verdade é que a convergência lenta já está em vigor e, de forma nada
surpreendente, não funcionou.
Para entender a razão,
voltemos ao caso do BC com credibilidade, mas suponhamos que ele resolva seguir
o sábio conselho acima e alongue o período de convergência, digamos, para 3
anos, após a inflação ter atingido 7,5% contra uma meta de 4,5%.
Deve ser óbvio que,
sob estas circunstâncias, a expectativa ótima de inflação não será a meta, mas
alguma coisa entre a inflação passada e meta (por exemplo, 6,5% no primeiro ano,
5,5% no segundo e, finalmente 4,5% no terceiro). Posto de outra forma, a
convergência lenta à meta faz com que as expectativas passem a incorporar a
inflação passada. 
A indexação – que
vários destes economistas citam como motivo para alongar a convergência – acaba
sendo, na verdade, resultado desta estratégia. Também neste caso, a
desconsideração da reação dos agentes econômicos leva a propostas equivocadas
de política.
Resumindo, não apenas
não há a tal “inflação basal”, como as propostas para lidar com este “problema”
apenas piorariam o problema real, a saber, a perda de credibilidade do BC,
manifesta em expectativas teimosamente superiores à meta. A solução, simples, mas
politicamente inviável a pouco mais de um ano da eleição, consiste na adoção de
um conjunto de políticas, fiscal e monetária, consistentes com inflação mais
baixa, isto é, um superávit primário (de verdade, por favor) mais elevado e um
BC firmemente comprometido com sua tarefa institucional. O resto é diversão.

Pode subir a meta; não vejo problema.
(Publicado 1/Mai/2013) 

72 thoughts on “Inflação “basal” e atrocidades derivadas

  1. Alex,

    Apesar da importância de se criticar e, assim, pressionar o governo a alterar suas políticas econômicas, creio que, agora, já ficaram patentes os erros praticados.

    Em termos acadêmicos, falando de política monetária e inflação, acho mais intrigante o que se dá nos EUA, Japão, ouro, etc. Gostaria de ver um artigo profundo sobre as conseqüências de longo prazo dessas políticas. Krugman contra todo mundo, agora o nosso André Lara Resende se posicionando sobre o tema. Enfim: de que lado você está?

    Abraços

  2. Gosto muito do Enders, bem didático… Tem o livro do Bueno, 2008 (em português) que é quase um resumo do Enders, tb muito bacana (todo aluno de graduação teria que ter). Mas convenhamos, para estudo de séries de tempo, o Hamilton, 1994 é O melhor (apesar de ser bem pesadinho)…

  3. Na verdade o Hamilton é um excelente livro porque todas as derivações são bastante detalhadas, e por isso é bem mais fácil de estudar por ele.
    Mas de forma geral o nível matemático/estatístico não é muito avançado. Outro problema é que ele está bastante defasado com a teoria e as aplicações econométricas atuais.
    Mas para aprender o core de séries temporais é excelente.

  4. "Alex, tem austriano te citando em site de astrologia… pior que o oligofrênico ainda te cita como se você fosse petista. "

    O Klauber é uma figura! Lembro quando ele vinha assombrar aqui o blog em meados do ano passado. Ele assinava "viena man", e levava vários esporros do "O".

  5. Ler o primeiro parágrafo foi um prazer imenso. O texto todo bom. Esta turma é cara de pau (desonestos intelectuais).

    Fui ler o Clóvis Rossi incentivado por crítica deste blog (nuca havia lido). No texto "Os juros, a dívida e os búzios", ele assina um atestado de ignorância. É pior do que pensei.

  6. Alexandre Schwartsman,
    Talvez por ser leigo eu tenha passado batido em alguma afirmação sua aqui neste post "Inflação "basal" e atrocidades derivadas" e não tenha compreendido a sua crítica tendo em vista o que me parece que você defendia antes.
    Pelo que se lê em outros posts seus ou em seus comentários explicativos.
    Seja por exemplo o que você diz no post "Manipulação inadmissível" de quinta-feira, abril 04, 2013 (Ver o link http://maovisivel.blogspot.com.br/2013/04/manipulacao-inadmissivel.html), originado de artigo publicado há um mês também retirado do Jornal Valor Econômico daquela data e que trasncrevo a seguir:
    "Fica claro, portanto, que, para reduzir a inflação não há alternativa à menor utilização dos recursos, ou seja, crescimento mais lento".
    Aqui você diz que – Em um BC crível – "elevar a meta futura de inflação forçaria o BC a reduzir o crescimento atual"
    E mesmo para a nossa realidade em que o BC não é, segundo você, crível, você diz que "a mesma dinâmica descrita acima permanece válida, com a agravante que – com a credibilidade combalida – a inflação esperada (e, portanto, a efetiva) continuaria a superar a meta".
    Ora, se para reduzir a inflação o país precisa de "crescimento mais lento" como você disse lá no post "Manipulação inadmissível" não vejo razão para criticar a sugestão de se adotar uma meta mais alta se, como você diz aqui no post "Inflação "basal" e atrocidades derivadas", "elevar a meta futura de inflação forçaria o BC a reduzir o crescimento atual", uma vez ser isso o que se deseja.
    E fico a imaginar se esta lógica permanece no caso de alto nível de desemprego havendo então necessidade de crescimento mais rápido. No caso então a recomendação seria reduzir a meta de inflação para que o BC seja forçado a aumentar o crescimento atual?
    E o que dizer, no caso atual de baixo desemprego em que se precisa de uma menor utilização dos fatores, ou seja, de um crescimento mais lento, de uma proposta que preconizasse reduzir a meta? Fica parecendo que uma proposta assim é contraproducente porque ela levaria o Banco Central – no caso de ele ser crível – a aumentar o crescimento atual.
    Vou reler os posts mencionados para ver onde foi o meu engano. E acrescento ainda que eu talvez possa encontrar um pouco de esclarecimento se eu fizer a leitura de artigo indicado aqui no seu blog junto ao post “A hora da dolorosa” de quinta-feira, 06/09/2012, em indicação feita pelo Anônimo do comentário de 10/09/2012 às 18:51. Trata-se do artigo “Understanding Inflation and Controlling It” de autoria de Kaushik Basu, publicado em 05/08/2011 e fazendo uma análise da inflação no contexto indiano. Kaushik Basu seria Chief Economic Adviser do Ministério das Finanças da Índia. O artigo pode ser visto no seguinte endereço:
    http://www.kaushikbasu.org/Inflation%20-%20Gautam%20Mathur%20lecture%2014.pdf
    Ele dá bons esclarecimentos sobre a amarração da taxa de inflação, das expectativas de inflação e das metas. Vou ver se consigo mais bem entender o item 3 do artigo das páginas 16 a 20.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 02/05/2013

  7. "Pô colocar o Bacha para debater com o Campineiro não tem graça. Seria interessante colocar o Alex ou "O", aí sim iria ficar bacana."

    Do q vc esta falando?

  8. Alexandre,

    Vamos supor que de uma hora para outra as expectativas se elevem, digamos, dêem um salto para 30%.

    O que ocorrerá com a inflação?

  9. Anônimo disse…
    "Pô colocar o Bacha para debater com o Campineiro não tem graça. Seria interessante colocar o Alex ou "O", aí sim iria ficar bacana."

    Do q vc esta falando?

    Caderno Valor Econômico de ontem:

    Por que o "Brasil" não cresce!

  10. A maior jabuticaba e' o proprio debate economico no Brasil. Em nenhum pais serio se discute se e' bom ou nao ter inflacao acima da meta ou aumentar a meta ( salve nos casos de deflacao). Este debate ja podia estar superado, mas o governo e' o principal patrocinador. E' uma pena e atraso de vida.

  11. Alex,

    Vc chegou a ler o "paper" do Samuel Pessôa, et al. sobre a PTF entre 92/07, mostrando entre outras coisas que, o capital humano por trabalhador teve crescimento nulo entre 1992 e
    2007?

  12. "No texto "Os juros, a dívida e os búzios", ele assina um atestado de ignorância. É pior do que pensei."

    Eu dei uma olhada, concordo.

    Esse tipo de erro tambem acontece com os economistas/estrategistas de sell side. Ja vi artigo de estrategia que fala que downgrade de sovereing tinha efeito neutro (50% das vezes o spread subia, 50% o spread caia). Ao inves de concluir que o mercado precifica direitinho o evento na media, esses autores concluem que os eventos sao insignificantes.

    DUH!

  13. Meus caros,
    "…A maior jabuticaba e' o proprio debate economico no Brasil. Em nenhum pais serio se discute se e' bom ou nao ter inflacao acima da meta ou aumentar a meta ( salve nos casos de deflacao). Este debate ja podia estar superado, mas o governo e' o principal patrocinador. E' uma pena e atraso de vida…"

    Olha aí o sabe-tudo querendo nos enganar. Este debate é MUITO atual e acontece em todos os países sérios do mundo. Agora, me dão licença mas tenho que replicar uns sujeitos que defendem que A TERRA É REDONDA!!!!!! Agora, me falem, se fosse redonda, porque nós não cairiamos quando estivermos por baixo?????
    Saudações

  14. "Vc chegou a ler o "paper" do Samuel Pessôa, et al. sobre a PTF entre 92/07, mostrando entre outras coisas que, o capital humano por trabalhador teve crescimento nulo entre 1992 e
    2007?"

    Não me lembro de ter lido este não. Tem um link para ele?

  15. Alex,

    Certa vez voce critico o Nakano, pois ele afirmava que o problema do Brasil decorria da taxa de juros alta e da taxa de cambio baixa.

    A taxa de juros caiu muito e o cambio depreciou levemente. Nossos problemas, no entanto, nao foram resolvidos. Pelo contrario, os resultados pioraram, pelo menos em termos de crescimento e inflacao.

    Todavia, nao estariamos relativamente aos outros paises ainda em condicoes piores? A taxa de juros, por exemplo, caiu no mundo todo…

    Nao deveriamos considerar o problema do Brasil em relacao aos seus pares?

    Bjs

    Martha

  16. "Nao deveriamos considerar o problema do Brasil em relacao aos seus pares?"

    Sim.

    Quase toda ( e o quase aqui é só um hedge pessoal para algo que me escape agora) afirmação em economia requer um "contrafactual". Basicamente, ao avaliarmos uma política, ou o desempenho de uma economia, temos sempre que nos perguntar como teria ocorrido caso diferentes políticas tivessem sido adotadas.

    O problema é que, exceto em raríssimos casos, o contrafactual não é óbvio. Não sendo a economia uma ciência experimental por excelência, nós não temos grupos de controle para avaliar se a política X, aplicada aos países A, B e C, mas não ao grupo de controle D,E e F, teve o efeito desejado.

    Um substituto (pobre) consiste em tentar achar um grupo de controle, por exemplo, economias que compartihem certas características comuns e que tenham adotado políticas distintas.

    Em mais de um artigo (post) comparei o desempenho do Brasil a um grupo de países latinoamericanos que têm em comum com o Brasil termos de troca positivamente associado a preços de commodities e que adotam um regime monetário e cambial semelhante ao que estava em vigor no Brasil até há pouco: Chile, Colômbia e Peru.

    A conclusão é nosso desempenho do ponto de vista de inflação (desvio da inflação, já que as metas são distintas) e crescimento (seja no absoluto,seja no desvio face à tendência) são piores. Como há muito de comum nos choques externos (preços de commodities, desaceleração da economia global, impacto da economia chinesa), isto sugere que nossos resultados ruins se devem a fatores domésticos, em particular às políticas adotadas nos últmos anos.

  17. "Olha aí o sabe-tudo querendo nos enganar. Este debate é MUITO atual e acontece em todos os países sérios do mundo. Agora, me dão licença mas tenho que replicar uns sujeitos que defendem que A TERRA É REDONDA!!!!!! Agora, me falem, se fosse redonda, porque nós não cairiamos quando estivermos por baixo?????
    Saudações"

    Vc poderia citar um pais serio em que a inflacao esta acima da meta e se discute aumenta-la? Em marte nao vale.

  18. Alguém já leu Structural Macroeconometrics, by Dave and Dejong? Eu ainda não.

    Eu gosto do Wickens' Macroeconomic Theory e do McCandless' The ABCs of RBCs.

  19. Alexandre,

    Os textos estão cada vez mais deliciosos e os comentários cade vez mais divertidos e como o Festival da Besteira que Assola o País continua mesmo depois que o Stanislaw nos deixou o nosso querido Bresser agora defende o dolar a R$ 2,80 ou R$ 2,90, no mês que vem vai ser a R$ 3,00 ou R$ 3,20.

    Agora interessante é que em nenhum momento eles falam em acertar a paridade dos preços dos combustíveis, por que será? Falta de apetite para duras decisões, falta de coragem para fazer o que deve ser feito, falta de entender que a Petrobras não é o caixa N do governo federal, falta de entender que o que eles estão fazendo com a Petrobras é muito similar ao que o Chavez fez com a PDVSA, falta de entender que o efeito Orloff ainda existe ou seja nós estamos indo no caminho da Argentina, se bem que ainda temos crédito e mais reservas do que eles (sei que exageri aqui, mas me dá um medo acordar dessa ressaca de incompetência da gerentona Dilma).

    Boa semana a todos!

  20. Alex, minha faculdade coloca certos autores como leituras obrigatórias em Macro 1

    Kalecki
    Dequech
    V. Chick
    Macedo e Silva
    Possas

    o que acha deles ?

  21. Anônimo das 19:51.

    Eu sugeriria, após a leitura dos autores acima, ler Mises, Ayn Rand e Rothbard, para neutralizar o estrago.

    Depois, jogar tudo no lixo (incluindo os autores que citei) e começar a estudar economia de verdade…

  22. "Vc chegou a ler o "paper" do Samuel Pessôa, et al. sobre a PTF entre 92/07, mostrando entre outras coisas que, o capital humano por trabalhador teve crescimento nulo entre 1992 e
    2007?"

    Dei uma olhada. Resultado surpreendente e confesso que não entendi 100% o raciocínio. Preciso ver com mais cuidado. Valeu a dica.
    Abs

  23. Alex,

    Acredito que dentre as propostas, realmente o melhor no momento é abandonar esse sistema antiquado de metas para inflação, não concorda?

    Isso é completamente atrasado, vários autores já demonstraram que podemos promover o crescimento mais justo de outra forma.

    Abs

  24. "Vc chegou a ler o "paper" do Samuel Pessôa, et al. sobre a PTF entre 92/07, mostrando entre outras coisas que, o capital humano por trabalhador teve crescimento nulo entre 1992 e
    2007?"

    A medida deles de capital humano parece arbitrária demais e sem explicação intuitiva. No fim das contas, parece que é só pra chegar numa fórmula w = w0 * H para o salário médio.

    O problema é que ela é construída/estimada com base no premio salarial em equações mincerianas. O que importa, na estimação, é a diferença salarial entre aqueles que tem pouca escolaridade e os que tem muita. Se um aumento de oferta de gente muito qualificada (ou seja, uma queda relativa na oferta de pouco qualificados) levar a uma redução no prêmio de escolaridade, o estimador dele vai chegar à conclusão de que o capital humano diminuiu. Por outro lado, mudanças tecnológicas enviesadas para qualificados vão aparecer como aumento de capital humano. Ou seja, acho que a medida é ruim. Mas posso estar falando besteira por ter olhado rápido.

    (O argumento de prêmio de educação depender da oferta relativa e de tecnologia não é esotérico — penso no modelo usado por Goldin & Katz em The Race Between Education and Technology. Acemoglu e Autor 2012 fazem um bom resumo)

  25. Meus caros,
    Este resultado do Samuel é muito esquisito para ser verdade. Claro, é iportante ver o texto mas concluir que não houve aumento de capital humano em período que houve forte crescimento da escolaridade (e o prêmio relativo à escolaridade é sempre muito alto nas estimações empíricas) me parece sem sentido.
    Quanto ao texto de política industrial, a revista da UFF (Econômica?) alguns anos atrás publicou uma edição especial sobre isto. Vale a pena ver um texto do Pedro Cavalcanti (e do Guilherme Hamdan) lá. O Pedro, o Schymura, o Maurício Penedo andaram escrevendo alguns textos sobre isto. Veja os textos para discussão da FGV/RJ.
    Saudações

  26. Também acho esses autores uma perda de tempo =/

    Leio o Friedman, o Bohm-Bawerk, o Walras, o Schumpeter, pra aprender um pouco de economia de verdade

    em poucas semanas vou alugar o Mas-Collel, pra virar economista sério

  27. Hoje o Bresser mostrou que ele consegue ser ainda pior falando de política/direito do que é quando fala de economia…alguém leu aquela batata dele na Folha? Que que é aquilo, gente!

  28. "em poucas semanas vou alugar o Mas-Collel, pra virar economista sério"

    Duas opções.. voce é graduando, e portanto nem perto de um economista, nem sério

    Você é um idiota é a segunda opção

    Deve ser aquele mongol da UNESP

  29. "Alex, minha faculdade coloca certos autores como leituras obrigatórias em Macro 1

    Kalecki
    Dequech
    V. Chick
    Macedo e Silva
    Possas"

    Isso ai se divide em dois grupos:

    G1: Outdated/empirically falsified/irrelevant

    G2: lixo puro atacando espantalhos

  30. "é o protecismo que valoriza a moeda ?"

    Deve ter algum efeito (ver Teorema de Lerner), mas a moeda se apreciou sem grandes alterações na estrutura de proteção (estas ocorreram mais recentemente).

    Commodities e pleno-emprego me parecem opções mais interessantes para explicar a apreciação da moeda.

  31. "Commodities e pleno-emprego me parecem opções mais interessantes para explicar a apreciação da moeda."

    Para falar da moeda precisa se olhar para fora do pais tambem – se o capital fosse mais caro em outros paises, o BRL nao teria sido tao perseguido na ultima decada.

  32. "Commodities e pleno-emprego me parecem opções mais interessantes para explicar a apreciação da moeda."

    Além disso tem o diferencial de juros. Com a subida da Selic o câmbio tende a piorar.

  33. Já que o Alex tá falando em atrocidades derivadas, segue a opinião contida no blog do Oreiro sobre estagflação:

    "A alternativa, no curto e médio-prazo, é adotar um modelo misto de crescimento com no investimento público em infra-estrutura e substituição de importações (??? RENASCIMENTO DO MORTO). Para tanto se faz necessário aumentar de forma considerável o investimento público (dos atuais 2% do PIB para 5 ou 6% do PIB) (UAU!!!), produzir uma forte desvalorização da taxa real de câmbio (IUPI!!!) e atrelar o ritmo de crescimento dos salários ao crescimento da produtividade. Tais medidas exigem mudanças no regime de política fiscal (mudança na composição do gasto público)(SEJA LÁ O QUE FOR), no regime monetário (abandono do regime de metas de inflação) (PARA QUE EU QUERO DESCER!!!) e na política salarial (fim da indexação do salário mínimo)."

    Não sei a razão para eu estudar tanto… a solução é sempre PSI, desvalorizar câmbio e as demais atrocidades derivadas…

  34. Aos estudantes de economia que frequentam o Mão Visível e que buscam uma alternativa profissional que não seja o mercado financeiro (nada contra. Mas por que não outros nichos?)

    No blog do Simon Schwartzman (2013-04-02)

    A Fundação Lemann e o Itaú BBA estão lançando novo edital de pesquisas para fomentar estudos de qualidade, que possam embasar políticas e projetos em educação. Os projetos submetidos devem responder ou trazer elementos que ajudem a responder a pergunta: “Como garantir que todos os alunos brasileiros tenham um bom professor todos os dias na sala de aula?“ […]

    Para selecionar as pesquisas e definir as diretrizes do edital, a Fundação Lemann e o Itaú BBA montaram uma Comissão Julgadora de altíssimo nível, composto por profissionais de perfis diversos: David Plank, Joane Vilela, Marcos Rangel, Paula Louzano, Priscila Cruz, Regina Scarpa, Reynaldo Fernandes e Ruben Klein.

    A Fundação Lemann e o Itaú BBA disponibilizarão o valor total de R$1 milhão para financiar de dois a cinco projetos, a depender das propostas recebidas, de acordo com os requisitos e critérios previstos do edital.

    Íntegra do post com o link do edital

    http://www.schwartzman.org.br/sitesimon/?p=4460&lang=en-us

    O time acima, que forma a Comissão Julgadora, é mesmo de primeira linha. Pesquisem no Google.

    Costumo ler aqui que os bastiões da heterodoxia (a popular quermesse) são um circo de horrores da economia. Como se diz, "é pinto" se comparado ao que vai na educação, desgraçadamente aprisionada pelo dogmatismo ideológico dos $beneficiários$ dessa hegemonia.

    A boa notícia é que "estranhos no ninho" tem alcançado resultados práticos surpreendentes, o que, por sua vez, provoca violenta reação daqueles que acumulam fracassos e jogam no ralo bilhões em recursos destinados à educação. Nesse primeiro grupo (o dos "estranhos") a presença de economistas tem crescido e se destacado.

    Graduandos em economia interessados em educação têm no blog do Simon uma ótima fonte de referências e informações a respeito do que se faz em educação (fundações e instituições)e fora do circo de horrores.

    http://www.schwartzman.org.br/sitesimon/?lang=pt-br

  35. O que será que o Margarina achou da eleição do Azevedo para a OMC?

    DAREMOS UMA AULA AO MUNDO SOBRE A GUERRA CAMBIAL HAHAHAHA.

    "O" o que achou?

    Alex?

  36. " "Alex, minha faculdade coloca certos autores como leituras obrigatórias em Macro 1

    Kalecki
    Dequech
    V. Chick
    Macedo e Silva
    Possas"

    Isso ai se divide em dois grupos:

    G1: Outdated/empirically falsified/irrelevant

    G2: lixo puro atacando espantalhos "

    É o que tenho percebido mesmo

    E quanto ao cara com o intuito de ofender

    Não disse que ao fim da leitura de um Mas-Collel serei um "Economista de Verdade", você precisa melhorar sua interpretação de texto, é fundamental até mesmo para o vestibular da UNESP.

    O ponto é que, se um dia pretendo (e pretendo) ser um bom economista, tenho que construir uma formação em matemática, estatística e microeconomia MUITO sólida, ao invés de macroeconomia, sociologia do desenvolvimento, história econômica, capitalismo e suas contradições, blá blá blá etc….

  37. "O ponto é que, se um dia pretendo (e pretendo) ser um bom economista, tenho que construir uma formação em matemática, estatística e microeconomia MUITO sólida, ao invés de macroeconomia, sociologia do desenvolvimento, história econômica, capitalismo e suas contradições, blá blá blá etc…."

    Falou tudo! Macroeconomia é a picaretagem travestida de ciência, graças às estultices vomitadas pela quermesse saltwater.

    Ser microeconomista não é questão de escolha, ou de aptidão. É questão de caráter.

  38. "O ponto é que, se um dia pretendo (e pretendo) ser um bom economista, tenho que construir uma formação em matemática, estatística e microeconomia MUITO sólida, ao invés de macroeconomia, sociologia do desenvolvimento, história econômica, capitalismo e suas contradições, blá blá blá etc…."

    Cara, vai por mim, você não vai entender o MWG, vc é GRADUANDO.. e isso não é ofensa.. poupe o seu tempo, leia o varian

  39. Às vezes me surpreendo com a profundidade quando leio a caixa de comentários desse blog: "ser microeconomista … é questão de caráter…"?! Você tem idéia do grau de idiotice do que você escreve?!

    "O"

  40. Meus caros,
    Ao graduando que quer aprender micro mais bem embasada. MWG é para um bom curso de pós-graduação – requer um instrumental matemático não trivial. Eu recomendaria dois livros (em portugues) já antigos (mas ainda bons) e (provavelmente) esgotados. Você teria que procurá-los (a Internet ajuda muito):
    1 – O bom e velho Simonsen. Ele tem um excelente manual de micro (às vezes dividido em dois volumes, às vezes, em quatro). Excelente, elegante e sério.
    2- O outro é do Henderson & Quandt. Também sério, bem formalizado e te dá a teoria necessária (menos as coisas mais recentes).
    Um grande abraço,
    Claudio Burian

  41. Claudio Burian

    Estou usando o de minha biblioteca, mas agradeço pela dica

    Caso ele seja pesado demais para mim, eu irei aos livros que o senhor recomendou

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