Memórias. O que aconteceu há 50 anos. Coluna Mário Marinho

Memórias. O que aconteceu há 50 anos.

COLUNA MÁRIO MARINHO

O ano vai chegando ao fim e uma certa onda de nostalgia vai tomando conta de nossos corações e mentes.

O ano foi bom? Foi ruim?

Não foi fácil para ninguém.

Mas, ao invés de apenas lembrar alguns fatos deste ano, resolvi fazer uma viagem maior e recuei cinco décadas.

Por que cinco?

Poderia ter sido seis ou quatro, tanto faz. Mas, 1968 foi um ano bastante emblemático.

Foi no começo de 1968 que eu me mudei para São Paulo, deixando chorosa minha noiva lá em Belo Horizonte. No ano seguinte, a chorosa Vera se transformou na feliz senhora Mário Marinho e pilota com maestria e amor um abençoado casamento que dura até hoje.

Havia acabado o campeonato mineiro de 1967 (terminou em fevereiro de 1968) com o Cruzeiro sagrando-se campeão. Título que conquistou novamente em 1968.

Aqui em São Paulo, o título ficou com o  Santos. Lá no Rio de Janeiro, o campeão foi o Americano, da cidade de Campos. E o campeão da Guanabara foi o Botafogo. Naquela época, existia o estado da Guanabara na atual cidade do Rio de Janeiro (existiu de 1960 a 1975).

Lá no Rio Grande do Sul, terra do jornalista Belmiro Sauthier, o campeão foi seu arquirrival, o Grêmio.

Lá no Recife, onde impera o clã Portela, o campeão foi o Náutico.

A nível nacional, disputava-se a Taça Brasil que só terminou no ano seguinte com o Botafogo carioca campeão e o Fortaleza como vice.

Lançado na Inglaterra em junho de 1967, fazia enorme sucesso no Brasil e no mundo o álbum “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, um fenômeno musical concebido por estes quatro jovens ingleses: John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison –  ou The Beatles.

No dia 11 de fevereiro de 1968 fiz minha primeira reportagem pelo Jornal da Tarde.

Fui até o estádio Alfredo Schurig, também conhecido como Fazendinha, onde o Corinthians recebeu o São Bento, de Sorocaba, pelo Campeonato Paulista,

O Timão venceu por 3 a 2, mas o alvo de minha reportagem foi um zagueiro de pernas tortas e nome estranho que defendia o São Bento: Chevrolet.

Luís Chevrolet estava sendo pretendido pelo Botafogo carioca que mandara o seu vice-presidente de futebol, Osvaldo Sargentelli, a São Paulo, para vê-lo jogar.

Sargentelli era mais conhecido como homem de televisão e o dono de um espetáculo famoso na época, uma espécie de show-revista intitulado “As mulatas do Sargentelli”.

O zagueiro não foi para o Botafogo e se transformou, mais tarde, em Luis Pereira brilhando no Palmeiras, no Atlético de Madri, no Corinthians, na Seleção Brasileira. Sem dúvida, o maior 4º zagueiro que vi jogar em toda a minha vida.

Luizão Pereira com a camisa do Sorocaba

1968 foi ano agitado.

No dia 28 de março, o Estudante Edson Luis foi morto por policias no restaurante da UNE, no rio de Janeiro.

A morte covarde do jovem foi o estopim que desencadeou manifestações contra a ditadura em todo o Brasil.

No Vietnã, a guerra até então disputada nas montanhas, chegava à capital Saigon.

No dia 4 de abril, Martin Luther King foi assassinado a tiros na cidade de Memphis, aos 39 anos. Luther King era um pacifista e lutava contra o preconceito racial em seu país, os Estados Unidos. Quatro anos antes, em 1964, ele havia sido agraciado com o Prêmio Nobel da Paz.

Nesse mesmo dia, morreu no Brasil o jornalista e empresário Assis Chateaubriand, o homem que implantou a televisão no Brasil e montou um império de comunicações composto por emissoras de rádio, televisão e por jornais – os Diários Associados.

Homem ligado às artes, Chateaubriand foi também um dos fundadores do MASP, o Museu de Artes de São Paulo.

Muitos acontecimentos, alegres e tristes, ainda iriam rolar ao longo do movimentado ano de 1968.

Na próxima edição, segunda-feira, continuaremos.

O nosso

amado futebol

Os corintianos esperam ansiosos pela volta do técnico Fábio Carrile.

Carrile foi bem no Timão, mas, não é milagreiro. Com o atual elenco, é bom que os corintianos mantenham os pés no chão: a temporada não vai ser fácil.

Notícia que será recorrente nos próximos dias, sempre seguida de desmentidos: Dudu vai deixar o Palmeiras.

Notícia de sempre de fim de ano: um vidente, após consultar sua bola de cristal, afirmará com toda a certeza que uma celebridade mundial morrerá no ano que vem.

Fim de temporada

Fim de temporada, a CBF divulga ranking do futebol brasileiro. Eis os cinco primeiros:

1 – Palmeiras, 16.914 pontos;

2 – Cruzeiro, 15.822.

3 – Grêmio, 14.936

4 – Santos, 14.208.

5 – Corinthians, 14.208

O seu São Paulo? Bem, é o 12º colocado.

E o meu América? Apenas o 19º.

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FOTO SOFIA MARINHO

Mário Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
 NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

2 thoughts on “Memórias. O que aconteceu há 50 anos. Coluna Mário Marinho

  1. Mário, sáb.1/11,foi a abertura da Exposição Comemorativa dos 50 anos da Escola de Arte,que Da Mitico e eu criamos em 1968.Parafrasiei Martin L.King: “I have a dreem”Desejando que a”nossa”Escolinha, hoje uma Escolona,se transfime numa faculdade. Nos temos um sonho
    Parabéns pela coluna.

  2. Olá Marinho,

    Bons tempos. 1968, íamos ao estádio ver nossos craques. Grandes times. E o mundo mudou.
    Pouco sobrou dos Anos Dourados. Mas, como vivemos kunkitem e kumkiresto, “vai se andando”,
    como dizem na Terrinha D´Alem Mar. UM SANTO NATAL E QUE VENHA UM ANO DE ALEGRIAS!

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