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Plágios e Fakes. Por José Paulo Cavalcanti Filho

PLÁGIOS E FAKES

JOSÉ PAULO CAVALCANTI FILHO

thisistomorrow

… “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Só para ver adaptada, por Chacrinha, em mistura de plágio e fake: “Na televisão, nada se cria, tudo se copia”. E na política também, é o que parece…

Numa conversa com James Whistler, Oscar Wilde confessou que gostaria de ter dito uma certa frase. Whistler, conhecendo o amigo, lhe consolou: “Vai dizer, Oscar. Você vai dizer”. Em alguns casos, temos só acidente. Por exemplo jornais atribuem, a Edmar Bacha, a frase “O câmbio foi feito por Deus para humilhar os economistas”. Como ele próprio. Inútil insistir não ser o autor. E nem é sua primeira vez com problemas assim.  Antes escreveu, no Jornal do Brasil, que “Recessão é quando sobra cada vez mais dias no fim do salário”. Millor reivindicou a autoria. E Bacha, com o bom humor de sempre, acabou propondo variante para sua máxima: “Recessão é quando sobra cada vez mais plágio no fim da originalidade”.

Millor também foi telhado. Começou coluna, em Veja, dizendo: “Uma coincidência saiu a passeio. E encontrou uma explicação. Uma velha explicação. Uma explicação tão velha que mais parecia uma charada”. No dia seguinte lhe mandei cópia da primeira frase de Silvie and Bruno, romance de Conan Doyle. Junto, uma observação: “Como Doyle nasceu em 1859, de quem será essa frase?”. Resposta engraçada: “Dele, claro. Pior é que uso faz mais de 30 anos. E até considero uma das minhas melhores”. Prima do plágio é o fake. Como um poema lastimável (Depois de Tudo) que circula, na internet: “De tudo ficaram três coisas/ A certeza de que estamos sempre a recomeçar/ A certeza de que é preciso continuar/ A certeza do que podemos ser interrompidos antes de terminar…” – e por aí vai, em autoajuda piegas. Com foto do suposto autor, Fernando Pessoa. Que deve estar se rebolando, indignado, no mausoléu dos Jerônimos. Para sua sorte é de outro Fernando. O Sabino. E está em seu livro Encontro Marcado. Ainda bem.

Outro fake foi esclarecido, agora, pelo querido Cristovam Buarque. Ao lembrar que esse horror do Gabinete do Ódio nasceu, no “Governo Lula, dos radicais a serviço do PT”. Sendo, ele, uma das primeiras vítimas.  Depois de votar pelo impeachment de Dilma, passou a receber ácidas e mal-educadas críticas de amigos e desconhecidos. Até suas netas sofreram, na escola, com cartazes dizendo “Seu avô é golpista”. Nosso governo de hoje está se especializando em copiar o pior dos que vieram antes. Tanto que, em 08/07, Facebook e Instagram cancelaram “uma rede de contas e páginas do PSL”. E WhatsApp antes, em 25/6, também 10 do PT. Pagas com grana da cota parlamentar de Gleisi Hoffman, presidente do partido. Dinheiro de nossos impostos a serviço do mal. Só mesmo rindo. Para encerrar lembro Lavoisier, autor da famosa Lei da Conservação da Matéria, que disse: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Só para ver adaptada, por Chacrinha, em mistura de plágio e fake: “Na televisão, nada se cria, tudo se copia”. E na política também, é o que parece.

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José Paulo Cavalcanti Filho É advogado e um dos maiores conhecedores da obra de Fernando Pessoa. Integrou a Comissão da Verdade. Vive no Recife.

jp@jpc.com.br

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1 thought on “Plágios e Fakes. Por José Paulo Cavalcanti Filho

  1. Fora a cor da camisa e alguns CPFs, qual a diferença entre esquerda e direita? Alguns CPFs que inclusive migram de um lado para o outro, conforme a capacidade de paga migra.
    Em 39 eram tão iguais que dividiram um país entre um e outro governo de polos opostos, de forma a saciar o adversário antes do ataque surpresa. Não pensem que o de direita foi pior e atacou, foi apenas mais eficiente e rápido, enquanto o outro lado esperava que o adversário estivesse cansado de brigar antes de atacar; apenas diferença de tática, muito mais imposta por capacidade militar, ou a sua falta.
    No Brasil ambos tentam controlar o que o povo pode ou não saber, tentam calar a oposição com violência física ee/ou moral etc. Com nenhuma novidade, nem ausência de plágio, de formas de governo(?) de qualquer um dos polos opostos.
    São tão iguais que é difícil escolher o “menos pior de ruim”. Certo estava o Grande Churchill, quando disse que a pior forma de governo é a Democracia, à exceção de todas as outras.
    Quanto aos SA brasileiros, lembro que a sua formação é anárquica, uma exigência para florescer, mas que quando a suas “ideias” prevalecem passam a ser inconveniente e são sistematicamente desmontados pelo “estado constituído”; não havendo, outra vez, diferença entre uns e outros.

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