Acorda, Tricolor! Coluna Mário Marinho

Acorda, Tricolor!

COLUNA MÁRIO MARINHO

O torcedor nunca acredita que seu time vai cair para a Série B. Aos primeiros sintomas, ele logo encontra um antídoto: o campeonato é longo, diz ele, está apenas começando.

Ele demora a se dar conta de que o tempo está passando e o que era longo fica cada vê mais curto – e mais difícil.

Quando bate o desespero, apela para promessas, velas, incensos e tudo mais. Às vezes até apela para ilegalidade, como Internacional que no ano passado lançou mão de documentos vergonhosamente falsificados para tentar não cair. Não conseguiu e caiu.

O São Paulo segue trilhando um caminho muito conhecido. Esse caminho é uma descida altamente escorregadia. Essa descida vai ficando cada vez mais íngreme e mais escorregadia.

Está na hora da reação. Ou reage agora ou vai conhecer a dura realidade da Série B.

Mas, o que levou o São Paulo a tão penosa situação?

Eu passei a conhecer o Tricolor razoavelmente bem a partir de 1968, quando cheguei de Belo Horizonte para trabalhar no Jornal da Tarde.

Laudo Natel era o presidente (ele comandou o Tricolor de 1960 a 1972 – com rápida interrupção para a passagem interina de Manoel Raimundo Paes de Almeida).

Naquele ano de 1968, o governador do estado de São Paulo era Roberto de Abreu Sodré. O prefeito era Faria Lima.

O técnico do São Paulo era Sílvio Pirilo que ficaria até o fim de 1968 e seria substituído por Diede Lameiro.

Aquela era uma época em que o São Paulo não tinha crises. E olha que o time estava sem ganhar o Paulistão desde 1957. Às vezes aconteciam pequenos problemas – crises, nunca. Se isso um problema, eram chamados os cardeais que resolviam tudo na maior classe.

Tratava-se de um grupo poderoso formado por pessoas ilustres como Paulo Machado de Carvalho, Affonso Renato Meira, Henry Aidar, Fernando Casal del Rey, Ives Gandra Martins, João Brasil Vita, José Douglas Dallora, Laudo Natel, Manoel Raymundo Paes de Almeida, Paulo Amaral Vasconcelos, Paulo Planet Buarque.

Quando esse time entrava em campo, não havia crise que resistisse.

No campeonato de 1968, o São Paulo lutava contra a falta de dinheiro, pois toda a grana ia para a construção do Morumbi que só acabou dois anos depois.

Naquele Paulistão de 1968, o Tricolor fez sua estreia perdendo para a Ferroviária, 2 a 1, jogo realizado no Morumbi, no dia 11 de fevereiro, domingo, e assistido por 9.654 torcedores pagantes.

O time do São Paulo foi este: Picasso; Renato, Jurandir, dias e Edílson; Lourival e Nenê; Válter, Ismael (Terto), Babá e Paraná.

A campanha foi fraquíssima: 11 vitórias, 5 empates e 9 derrotas. Ficou em 5º lugar.

Mas, nada de crise, apenas a troca do técnico.

O São Paulo hoje já não é mais o mesmo e troca de técnico como o time comum que é.

Começou o ano com o maior ídolo da torcida, Rogério Ceni. A cada derrota, a cada mau resultado, Ceni respondia com números mostrando que o time atacou mais, chutou mais a gol, teve mais cobranças de laterais e outros dados longe do que interessa: o número de gols.

Caiu Ceni.

Desde a saída de Muricy Ramalho, em 2015, o São Paulo teve esses treinadores:

2015 – Milton Cruz

2015 – Juan Carlos Osorio

2015 – Doriva

2015 – Milton Cruz

2016 – Edgardo Bauza

2016 – Ricardo Gomes

2016 – Pintado

2017 – Rogério Ceni

2017 – Doriva Júnior

É muita gente em tão pouco tempo. Mas, nesse meio tempo, o Tricolor trocou até de presidente em pleno mandato. E o que é pior: saiu sob o peso da acusação de um escândalo financeiro.

Assim, não há grupo de cardeal que resista.

O time atual do São Paulo é fraco. Mas não tão fraco para estar na escorregadia zona do rebaixamento. Nem no céu, nem no inferno. É time para estar brigando ali pela oitava posição.

Donde se conclui que o problema maior está fora do âmbito do gramado.

Como diria William Shakespeare – e é elegante citar Shakespeare quando se trata do Tricolor – tem algo de podre ali no reino do Morumbi.

Veja os gols
da rodada do Brasileirão

https://youtu.be/BfIz2H0vnw0

Enfim,
caiu a muralha.

Já fazia sete jogos que a defesa do Corinthians não tomava gol neste Brasileirão. Pois no sábado não só tomou um, como tomou dois.

E o primeiro, não foi um gol qualquer. Foi um golaço.

Sabe aqueles gols que a gente fica comentando por muito tempo? O gol do Jonathan no empate com o Atlético PR, em Itaquera, 2 a 2, foi assim.

Mostrou-se a receita certa para passar por essa muralha que é a defesa do Corinthians. Muito simples: com criatividade.

Não me lembro de um gol como esse no Brasileirão.

No domingo, lá no Continental Clube, onde jogo tênis, discutimos a questão em uma mesa farta de cerveja e repleta de opiniões, pois ali estavam representados Palmeiras, Santos, Corinthians e São Paulo.

Por que a falta de gols tão bonitos assim no Brasileirão?

O corintiano Emerson Zaidan levantou a teoria de que os esquemas táticos estão anulando a criatividade. É uma tese. Mas a tese vencedora da tarde foi outra: não temos jogadores criativos capazes de partir para cima do adversário como fez Jonathan no jogo contra o Corinthians.

Veja o gol e dê sua opinião:

https://youtu.be/C3C0GT0buYc

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FOTO SOFIA MARINHO

Mario Marinho É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, nas rádios 9 de Julho, Atual e Capital. Foi duas vezes presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo). Também é escritor. Tem publicados Velórios Inusitados e O Padre e a Partilha, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

1 thought on “Acorda, Tricolor! Coluna Mário Marinho

  1. Time onde presidente corrupto troca silêncio por demissão, não pode ir a lugar nenhum. E a fidelidade do torcedor também tem limites quando não encontra reciprocidade. Sou ( ou fui) São paulino, compareci a todas as inaugurações do Morumbi. Tínhamos administradores e administração tidas como modelo. Hj não sabemos onde foi parar essa imagem ou quando a recuperaremos.

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