CAMINHOS

Os caminhos do capitão. Coluna Carlos Brickmann

OS CAMINHOS DO CAPITÃO

COLUNA CARLOS BRICKMANN

CAMINHOS

EDIÇÃO DOS JORNAIS DE QUARTA-FEIRA, 7 DE OUTUBRO DE  2020

É fácil, não requer prática nem tampouco habilidade. Lembra de Toffoli, advogado do PT e de José Dirceu, que entrou no STF com a missão, diziam, de amaciar tudo para os antigos clientes e confrontar Gilmar Mendes? Então? Ele anda aos abraços com Gilmar e Bolsonaro, apesar da Covid. E Rodrigo Maia, que bolsonaristas chamavam de “Nhonho” ou “Nhonhô”, ou algo mais pesado quando ninguém estava gravando? Isso: aquele que disse que Guedes está desequilibrado. Hoje é íntimo do Imposto Ipiranga e só não o ajuda a manipular a mangueira de novas taxas para não pegar mal. Até, dizem, chama Bolsonaro de capetão – nem deve ser verdade, falta de respeito!

Lembra de Olavo de Carvalho, amigo de Bolsonaro até mandá-lo enfiar uma condecoração naquele lugar que, comenta-se, Paulo Guedes chama de as complacentes pregas do Tesouro? Ficou amigo de novo. E brigou de novo, mas só até fazer as pazes. E de Sara Winter, aquela feroz feminista nua que, em contato com a Dama da Goiabeira, a ministra Damares, virou defensora de hábitos terrivelmente conservadores e montou um grupo armado? É agora crítica dura do Governo ao qual, diz, “entregou a sua vida”.

Tudo pode mudar de uma hora para outra, mas hoje Bolsonaro faz refeições mais requintadas com novos amigos mais agradáveis e que mantêm os ouvidos (e não só eles) abertos a seus argumentos. Entre os convivas, ministros do STF que logo julgarão imparcialmente seus processos, com o rigor implacável da Lei.

 O mundo gira

Em certa época o ministro Gustavo Bebbiano, homem forte da campanha, perdeu o cargo por receber oficialmente, no desempenho de suas funções, um diretor da Rede Globo. Nenhum dos novos inimigos de Bolsonaro havia discordado de medidas do Governo: todos foram acusados de traidores desde antes da campanha. Rodou o general Santos Cruz, rodou o ministro Moro. Não, Paulo Guedes não rodou. Seria injustiça se rodasse: ele não fez nada!

 Bamboleio que faz gingar

A escolha do ministro Kassio Marques, dizem que indicado por Frederick Wassef, aquele em cuja casa se alojava o famoso Queiroz das Rachadinhas (a turma dos apelidos não tem piedade!), foi aprovada previamente pelos ministros Gilmar Mendes e Toffoli, sacramentando os vários acordos de paz.

Os bolsonaristas de raiz (aqueles mais radicais, como Silas Malafaia, como Sara Winter), souberam pelos jornais – e devem ter ficado furiosos porque foram obrigados a ler a @mídialixo, a @imprensapodre, veículos que nunca publicaram aquele aval de qualidade @bolsonaro tem razão, para saber quais seriam seus próximos amigos. Olavo de Carvalho bateu duro, mas os olavistas, pelo jeito, ainda não receberam as instruções do intelectual do grupo. E os outros grupos, tipo bolsopetistas, lulobolsonaristas, @andar com fé eu vou que a fé não costuma falhar, parecem ainda desarticulados. Tudo está tão esquisito que um defensor público da União, contrariando os colegas, exige do Magazine Luíza o pagamento de R$ 10 milhões por abrir programa de treinamento só para negros. Empresário aqui nunca acerta. Sempre há alguém do Governo cobrando indenizações.

 A cereja e o creme

As mais divertidas manifestações contra a escolha de Kassio Marques para o STF vieram de empresários que acusam Bolsonaro de perder a chance de optar por um conservador. Marques não é muito conhecido, não se sabe ainda o que pensa, mas partiram do princípio de que Bolsonaro, ao agir sem consultá-los, escolheu um progressista – talvez até comunopetista, daqueles que deveriam mudar-se para a Coreia do Norte, Cuba ou Venezuela, junto com Joe Biden, Lula, José Dirceu (e, naturalmente, Chico Buarque).

 Quem nomeou

Nos 15 anos de PT anteriores a Bolsonaro, Kassio Marques foi nomeado duas vezes pelos petistas – e por quem seria nomeado, se os petistas estavam no poder? Era advogado no Piauí e ficou amigo do petista Wellington Dias, hoje governador. Horror dos horrores! Bolsonaro o apresentou não apenas a Gilmar e Toffoli, mas também ao presidente do Senado, David Alcolumbre, que os bolsonaristas aprenderam a odiar.

Alguns dos empresários que criticaram Bolsonaro: Winston Ling, Gabriel Kanner, sobrinho de Flávio Rocha (Riachuelo), Luciano Hang, das Lojas Havan. Frase de Leandro Ruschel: “Acabou, porra! O presidente deixa claro que a sua sustentação política se dará pelas forças que controlam o país desde 88, aglutinadas no vulgo Centrão, se afastando da militância conservadora que o elegeu”.

O grupo Vem pra Rua ensaia passeatas “Fora, Bolsonaro” para o dia 25.

 Entendendo tudo

O deputado federal Alexandre Frota encaminhou à Polícia Federal dados que, diz, ligam Eduardo Bolsonaro, o filho 03, a esquemas de notícias falsas. É por isso que o presidente precisa se reforçar no Congresso e Supremo. Os amigos antigos que aceitem, apoiem ou rompam. Para ele não faz diferença.

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