É preciso parar o futebol. Blog do Mário Marinho

É PRECISO PARAR O FUTEBOL

BLOG DO MÁRIO MARINHO

Futebol

Confesso que é até com uma certa tristeza que mudo de opinião.

Até ontem, eu defendia que o futebol – o paulista pelo menos – deveria continuar por estar cercado de um rigoroso protocolo.

Além disso, afirmei aqui nesse espaço que o futebol não provoca aglomeração.

Comecei a mudar minha opinião com os mais recentes números da pandemia.

Estamos nos aproximando dos 3.000 mortos diários.

Os hospitais estão entrando em colapso.

Cidadão já morre na fila à espera de um leito na UTI em cidade do porte dessa nossa imensa e fantástica São Paulo.

Não, não dá.

É preciso parar.

Assisti a uma entrevista do médico e neurocientista Miguel Nicolellis, ao Globo Esporte, e ele foi enfático.

– Não existe protocolo 100% garantido. A FPF está submetendo jogadores e pessoal ligado aos jogos a muitos testes, é verdade. Porém, não se faz o rastreamento desse pessoal e das pessoas ligadas a eles. Existem furos nesse procedimento.

A reportagem do GE mostrou que o time do Marília saiu de sua cidade para jogar em Varginha, Minas Gerais, numa viagem de ônibus de cerca de 500 quilômetros. Só quando chegou lá, a equipe foi informada de que o governo mineiro havia proibido jogos de outros estados em seu território.

De lá, a delegação seguiu de ônibus para Cariacica, no Espírito Santo. São mais de 600 quilômetros de viagem.

Durante essa viagem, quem garante que numa parada para um lanche, uma ida ao banheiro, alguém não tenha se contaminado?

E aí, contaminado, segue viagem dentro de um ônibus fechado – olha o risco de um surto.

A cidade de São Paulo, a mais rica do Brasil, a cidade que não para, está parando.

O prefeito está juntando feriados deste e do ano que vem para ver se consegue, vamos chamar assim, um lockdown natural: para pelos feriados. Serão 10 dias que podem fazer a diferença, que podem dar alívio aos saturados e congestionados hospitais. Que podem fazer a diferença entre salvar ou não uma vida.

Então, senhores dirigentes, senhor Reinaldo Carneiro de Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol, vamos fazer parte deste sacrifício e ajudar a salvar vidas.

E um apelo a todos: usem máscara, mantenham-se em casa, lavem as mãos e vacinem-se.

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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi FOTO SOFIA MARINHOdurante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
 NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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