Petróleo: demagogia governamental

A demagogia de sempre. Por Edmilson Siqueira

… A blitz é de uma demagogia e desonestidade enormes. E, claro, não se poderia esperar outra coisa de um governo que, premido pelas pesquisas eleitorais que o colocam como perdedor das eleições de outubro, busca uma justificativa para seus inúmeros fracassos. 

Petróleo: demagogia governamental

Uma verdadeira blitz do Executivo e da Câmara dos Deputados sobre a Petrobras e sua política de preços aconteceu nesta semana, um dia antes de a empresa anunciar novos aumentos da gasolina e do diesel.

O presidente Jair Bolsonaro, com sua costumeira ignorância, atacou a empresa por causa do preço dos combustíveis, o mesmo acontecendo com o presidente da Câmara e o ministro da Casa Civil.

Bolsonaro disse que as petroleiras do mundo todo diminuíram seus lucros e que a Petrobras quer ser “campeã do mundo”, na pobre analogia com o futebol que ele costuma fazer quando não consegue explicar direito alguma coisa. Lula, aliás, faz a mesma coisa.

Arthur Lira, presidente da Câmara, chamou a empresa de “República Federativa da Petrobras”, e disse ser ela “um país independente e em declarado estado de guerra em relação ao Brasil e ao povo brasileiro”.

Já o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, escreveu nas redes sociais: “Basta! Chegou a hora. A Petrobras não é de seus diretores. É do Brasil. E não pode, por isso, continuar com tanta insensibilidade, ignorar sua função social e abandonar os brasileiros na maior crise do último século”.

A blitz é de uma demagogia e desonestidade enormes. E, claro, não se poderia esperar outra coisa de um governo que, premido pelas pesquisas eleitorais que o colocam como perdedor das eleições de outubro, busca uma justificativa para seus inúmeros fracassos.

O que ocorre com a Petrobras é que ela é uma empresa que, embora tenha a maioria do seu capital nas mãos do governo, têm ações em bolsa de valores, aqui no Brasil e nos Estados Unidos.

Isso significa que ela divide a parte que não é do governo (quase metade de seu capital) com acionistas que compraram ações e pagaram caro por elas. A lógica do mercado no mundo inteiro, obriga as empresas que têm ações na bolsa a praticar sempre as melhores técnicas de produção e venda para conseguir lucros e, com isso, satisfazer seus verdadeiros donos, que são os acionistas.

Caso ela tenha prejuízos por não praticar a norma correta e básica – ou seja, comprar ou produzir a matéria prima por um preço e vender por um preço maior – ela poderá ser processada por qualquer acionista, com a acusação de uma espécie de prevaricação que resultou em prejuízo para a empresa e para ele.

Aqui no Brasil, a Justiça é como nós conhecemos bem e processos desse tipo podem levar décadas para serem resolvidos. Mas nos EUA não. Lá a coisa anda rápida e pode provocar multas bilionárias em dólar para a empresa que não cumprir propositadamente seu papel primário de produzir, vender e lucrar. Ou enganar o acionista como ocorreu durante os governos petistas. Só para lembrar, há cerca de dois anos, a Petrobras pagou mais de 2 bilhões de dólares para fazer cessar, nos EUA, processos abertos contra ela por causa da roubalheira do petrolão durante os governos do PT. Aqui, depois de anos enrolando, os culpados estão quase todos soltos e os que desvendaram a roubalheira e botaram os larápios na cadeira estão sendo acusados como se marginais fossem. É o Brasil.

Voltando à Petrobras: o que ela está fazendo é o que sempre fez, ou seja, alinhando seus preços aos preços internacionais, pois importa petróleo e não pode vender o produto refinado por um preço abaixo do que compra a matéria prima. E quando o preço do barril do petróleo estoura lá fora por causa de uma sandice como a invasão da Ucrânia pelas forças do ditador Vladimir Putin, o mundo todo se vê obrigado a aumentar os preços dos derivados todos para não ter prejuízos.

Sim, petroleiras mundo afora têm lucros menores que a Petrobras, mas quando o lucro da estatal cresce, crescem também os impostos e dividendos que ela repassa aos governos. No primeiro trimestre deste ano, foram pagos quase R$ 70 bilhões em impostos, royalties e participações governamentais. Esse valor é quase o dobro do total recolhido no mesmo período do ano passado.

Mas há um outro aspecto que a desonestidade dos nossos políticos escancara e que não vejo comentado por aí. Os pronunciamentos deles contra a Petrobras versam sobre uma obrigação da empresa em fazer “política social” e que ela pertence ao povo brasileiro (a velha história que todo mundo fala e ninguém prova).

Acontece que os políticos que usam esses argumentos, fazem exatamente o contrário quando se trata de lidar com o orçamento da Nação, este sim um dinheiro que pertence legitimamente ao povo, pois foi dele retirado em forma de impostos, direta e indiretamente.

O que tem feito o ministro Ciro Nogueira e o presidente da Câmara, Arthur Lira, nos últimos anos a não ser criar orçamentos secretos e distribuir a torto e a direito o dinheiro dos impostos a seus aliados que, por receberem secretamente, não precisam prestar contas do mesmo, num roubo descarado do dinheiro público? Procurem pelos escândalos todos da Condevasf. E muitos outros ainda vão aparecer, comprovando a corrupção destrambelhada do governo Bolsonaro.

Ora, que moral têm esses políticos para cobrar “política social” da Petrobras se o que eles praticam é uma “política pessoal” quando se trata do trato com o dinheiro público?

E claro que essa roubalheira toda do “orçamento secreto” foi a fórmula sugerida ao presidente Jair Bolsonaro (ele não seria capaz de bolar um plano assim) para que o Centrão o apoiasse. E ele, claro, concordou com a farra perpetrada ao erário sem pestanejar.

Pois aqueles que criticam a Petrobras fazem muito pior dentro de casa com o dinheiro alheio. O apoio que Bolsonaro tem no Congresso em quantidade de senadores e deputados é praticamente o mesmo que Lula e Dilma tinham. E ambos os apoios foram comprados. Um com o dinheiro da Petrobras e de outras estatais, além de milhares de cargos distribuídos aos “aliados”. Outro com o dinheiro do orçamento secreto e com milhares de cargos distribuídos aos “aliados”.

Como se vê, e como eu assinalei na coluna anterior, entra governo, sai governo e a roubalheira do dinheiro público continua numa boa. E a demagogia dos nossos políticos cada vez aumenta mais.

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Edmilson Siqueira é jornalista

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1 thought on “A demagogia de sempre. Por Edmilson Siqueira

  1. Caro Edmilson; é tanta asneira que o atual dono da cadeira fala – e outros que aproveitam a ocasião – que fica impossível qual a pior e, sobre qual assunto.
    Pleiteia mais 4 anos como se nada do ocorreu no país foi causado pelos seus desatinos e, falta de atuação proativa.
    Ficou na “tripa forra”, desfrutando das benesses que o cargo traz.
    Corremos o risco de ao troca-lo , voltar a turma do sindicato e, suas consequências…
    Triste escolha…
    Na verdade faltam partidos com ideologia – por mais absurdas que possam ser – e, sobra fisiologismo…
    Assim, seremos sempre o que sempre fomos: eterno país do futuro.
    inté!

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