DESGRAÇA BOLSONARO

Perpetuando a desgraça. Por Edmilson Siqueira

DESGRAÇA… o Brasil estava ruim quando o covarde PSDB entregou o poder ao PT e, nos anos seguintes, só piorou.  Tanto assim é que, quando Lula assumiu o governo, em 2003, a taxa de desemprego era de 12,3%. E hoje ela está em 11,2%. …

DESGRAÇA BOLSONARO

 

É a velha história: entra governo, sai governo e a miséria brasileira continua a mesma. A continuidade do que deveria ser um passo à frente, no segundo governo de Fernando Henrique, foi dissolvida pela própria covardia dos tucanos de fazer o que se fazia necessário. Não privatizaram o suficiente, não avançaram nas reformas política, fiscal e trabalhista e praticamente entregaram de bandeja o poder ao maior rival à época, o PT que, espertamente, manteve o que lhe seria útil e foi solapando conquistas para satisfazer seus lados podres: os radicais da esquerda e os radicais da corrupção.

Assim, o que se viu durante os 14 anos do PT no poder foi a manutenção de um Brasil rico porém, como sempre, injusto e com a maioria do povo pobre. A política econômica do PT consistia em privilegiar empresários que aceitassem fazer o jogo sujo da corrupção, jogo esse que manteria o partido no poder. Com as sobras do orçamento transformada em esmolas para os mais pobres – que se contentavam com as esmolas que não os obrigava a trabalhar nem a progredir – o PT, esperta e calhordamente, comprou votos suficientes nas regiões mais pobres – e elas existem em todos os estados brasileiros – para garantir as reeleições. E, sem surpresa, oito anos depois da cassação de Dilma Rousseff, o efeito “esmola” ainda vigora no Norte, no Nordeste e nas regiões mais pobres do país, tamanha é a dependência do povo miserável a esse tipo de “programa social”. Tanto que o atual governo quer repeti-lo e aumentá-lo usando a mesma tática de compra de votos para se manter no poder.

O pequeno governo de Michel Temer – pequeno em tempo e em honestidade – mostrou como era fácil mudar um tema considerado tabu pelas esquerdas: a reforma trabalhista, com pequeno esforço foi votada e aprovada. Não foi a ideal, mas foi suficiente para melhorar muita coisa. Só que o DNA da corrupção incrustado no governo impediu que Temer saísse como herói no seu curto mandato. Ele próprio, suspeito de há muito usufruir de artimanhas não republicanas, não resistiu ao canto da sereia e estragou rapidinho o que vinha construindo de bom.

O resultado foi que a miséria e a corrupção continuaram e dessa calamidade toda se aproveitou um obscuro ex-militar de direita, perdido entre um mandato de deputado que beirava a mediocridade  e seus esquemas de lerdo enriquecimento – é isso que é a tal da rachadinha – para se imiscuir entre uma turma que tem de radical o que lhe falta de inteligência e acabou galgando a presidência da república sem ter a mínima noção do que fazer com tanto poder.

O que se viu a seguir foi a manutenção do absurdo. Sem forças para impedir a continuidade de um governo genocida, o país se viu prisioneiro não só de gente totalmente despreparada como de desgraças que só pioraram a situação: uma pandemia avassaladora e, nem bem a doença deu uma trégua, um guerra sem sentido no século 21, provocada por um ditadorzinho que tem armas atômicas e ameaça o mundo.

Jair Bolsonaro que, em tempos normais já enfiava os pés pelas mãos ao ter de enfrentar crises como a da pandemia, mostrou sua total insensibilidade à vida humana, sua total ignorância no trato da coisa pública e sua total incapacidade de pensar ou comandar soluções para problemas que exigem pouco mais de dois neurônios.

Ou seja, o Brasil estava ruim quando o covarde PSDB entregou o poder ao PT e, nos anos seguintes, só piorou.

Tanto assim é que, quando Lula assumiu o governo, em 2003, a taxa de desemprego era de 12,3%. E hoje ela está em 11,2%. Ou seja, a diminuição de 1,1 ponto percentual não quer dizer nada, pois quantitativamente temos mais desempregados hoje do que há 19 anos.

Essa é a prova cabal de que, apesar de todo crescimento nominal da economia, a miséria brasileira não sofreu mudanças importantes. Essa é a prova cabal de que ninguém quer governar o Brasil para resolver o problema da miséria e acertar o problema do desenvolvimento. O Brasil continua patinando num mar de lama e, pelo andar da carruagem, nos próximos quatro anos não sairemos do pântamo a que adentramos há muito tempo.

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Edmilson Siqueira é jornalista

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