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Clássico da saudade. Blog Mário Marinho

 Clássico da saudade

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Chamou-me a atenção uma placa colocada às margens do Estádio de Barueri, onde Palmeiras (mandante) enfrentou o Santos na noite desta quarta-feira, 14, pelo Campeonato Paulista: “CLÁSSICO DA SAUDADE”.

O Palmeiras venceu graças ao gol de Allan (foto acima), aproveitando bela jogada de Flaco Lopez, excelente atacante com grande faro de gol.

Mas o jogo foi modorrento.

Calma, meu amigo. Sei que estamos em começo de temporada, quando os técnicos ainda têm algum tempo para fazer experiências.

Sei disso.

Mas um clássico envolvendo Palmeiras e Santos merece mais. Muito mais.

Assim, o clássico de ontem para mim foi um clássico que dá saudades.

Como futebol faz parte do sonho, dei asas à imaginação e passei a me lembrar de outros grandes encontros entre esses dois grandes do futebol brasileiro e do mundo.

Lembrei-me que nos anos 50 o Palmeiras foi o único time realmente capaz de enfrentar o Santos, principalmente depois do advento do gênio Pelé.

Em 1958, o Rei Pelé conquistava seu primeiro título de campeão. Mais do que isso, foi o artilheiro da competição que tinha 20 times, marcando incríveis 58 gols.

A campanha do Santos foi irretorquível: em 38 jogos, acumulou 64 pontos (na época, a vitória valia apenas dois pontos); venceu 29 jogos, empatou 6 e perdeu apenas 3. Seu ataque marcou 143 gols. Sofreu 40 gols.

Mas no ano seguinte o campeão foi o Palmeiras numa decisão emocionante que ficou conhecida como o Supercampeonato.

Os dois terminaram a competição com 63 pontos ganhos cada, levando a decisão para uma série de três jogos e o campeão seria aquele que somasse pelo menos 4 pontos.

O Santos venceu 30 de seus 38 jogos e seu ataque marcou 151 vezes, tendo Pelé como artilheiro da competição, com 44 gols.

O Palmeiras venceu 29 partidas e marcou 107 gols.

Na decisão extra, os dos primeiros jogos terminaram empatados: 1 a 1 e 2 a 2.

Na decisão, disputada no dia 10 de janeiro de 1960, o Verdão venceu por 2 a 1, com gols de Julinho Botelho e Romeiro. Pelé marcou para o Santos.

O 2 a 1 final tornou o Palmeiras Supercampeão.

Veja as escalações dos dois times:

Mas o grande espetáculo dado pelos dois times aconteceu na noite de 6 de março de 1958, em jogo válido pela terceira rodada do Rio-São Paulo.

Ou seja: o jogo não decidia nada – mas terminou em 7 a 6 para o Santos.

O Palmeiras marcou primeiro, com Urias, aos 18 minutos.

Pelé empatou aos 21. Pagão virou aos 25.

Um minuto depois Nardo deixava tudo igual: 2 a 2.

Em seguida, o Santos fez três gols: Dorval aos 32, Pepe aos 38 e Pagão aos 46 minutos estabeleceram 5 x 2, que fecharia o primeiro tempo.

No vestiário, um eufórico Zico chegou a comemorar: “5 vira, 10 acaba!”.

Oswaldo Brandão era o técnico do Palmeiras que chegou a pedir que seus jogadores tivessem vergonha na cara.

A bronca deu certo.

Paulinho, aos 16; Mazzola, aos 20 e aos 28; Urias, aos 34 fizeram um 6 a 5 que era virada sensacional e parecia final.

Porém, Pepe, aos 38 e aos 43, consolidou a virada que ninguém acreditava: 7 a 6.

Consta que cinco pessoas tiveram infarte e três chegaram a óbito nesse jogo, em pleno Pacaembu.

Realmente, nunca se viu coisa igual.

As escalações:

  • Santos: Manga; Hélvio (Urubatão) e Dalmo; Ramiro, Fiotti e Zito; Dorval, Jair da Rosa Pinto, Pagão (Afonsinho), Pelé e Pepe. Técnico: Lula.
  • Palmeiras: Edgard (Vitor); Waldemar Carabina e Édson; Formiga (Maurinho), Valdemar Fiúme e Dema; Paulinho, Nardo (Caraballo), Mazzola, Ivan e Urias. Técnico: Oswaldo Brandão.

São histórias do futebol.

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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi FOTO SOFIA MARINHOdurante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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