Pelé 1958. Neymar 2026

Pelé, 1958. Neymar, 2026. Blog Mário Marinho

Pelé, 1958. Neymar, 2026

Pelé 1958. Neymar 2026

Que saibam todos aqueles que lerem as linhas abaixo ou delas tomarem conhecimento, que aqui não há a mínima intenção de comparar Pelé e Neymar.

São duas personalidades de grandezas absolutamente diferentes, impossíveis pelas leis matemáticas, físicas e químicas de serem comparadas.

Mas as situações podem ser, ao menos, parecidas.

Na quarta-feira, 21 de maio de 1958, a Seleção Brasileira que se preparava para a Copa daquele ano, na Suécia, despediu-se do público de São Paulo com um jogo contra o Corinthians, no Pacaembu, que terminou com a vitória da Seleção por 5 a 0.

Um jogo amistoso, claro, mas que não impediu que um jovem atacante de apenas 16 anos (iria completar 17 em outubro) santista recebesse violenta entrada de um defensor corintiano que o fez sair de campo.

Nos dias seguintes, foram várias as reuniões para saber se o jovem, que tinha um apelido meio esquisito, Pelé, seria cortado ou não.

Dizem que a decisão coube não ao médico, mas ao Chefe da Delegação, Paulo Machado de Carvalho.

– O menino vai, sentenciou ele.

Três dias depois, o avião da Panair do Brasil deixava a delegação em Roma.

Em solo europeu, a Seleção fez dois amistosos antes da Copa.

O primeiro foi contra a Fiorentina, time onde jogava o brasileiro Julinho Botelho e terminou com a vitória por 4 a 0. O segundo foi contra a Internazionale que, também, terminou com a vitória por 4 a 0.

O planejamento da Seleção foi minuciosamente elaborado por uma Comissão comandada pelo doutor Paulo Machado, como ele era chamado.

Foi minucioso, mas esqueceu-se de um detalhe: a numeração dos jogadores.

Assim coube a um uruguaio, Lorenzo Villizio, membro do comitê organizador da Copa, dar número aos jogadores brasileiros para registro na Fifa.

Por isso, vimos Gylmar, goleiro, com a camisa 3; Garrincha, ponta direita, com a 11; Zagallo, ponta esquerda, com a 7.

Mas, a 10 caiu com quem? Com o jovem Pelé que não estava nem jogando.

Coisas do destino.

O Brasil fez sua estreia no dia 6 de junho, vencendo a Áustria por 3 a 0 com 2 gols de Mazzola e um de Nilton Santos.

O time foi este:

Gylmar; De Sordi, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Dino Sani e Didi; Joel, Mazzola, Dida e Zagallo.

 Jogo seguinte foi contra a Inglaterra, um suado 0 a 0.

O time foi praticamente o mesmo, com Vavá no lugar de Dida.

O terceiro e último jogo do Grupo foi contra a forte Seleção da União Soviética que, dois anos antes, havia sido medalha de ouro da Olimpíada de Melbourne, Austrália.

Foi neste jogo, o terceiro, que Pelé fez sua estreia na Copa.

O Brasil venceu por 2 a 0, dois gols de Vavá.

O time brasileiro foi este:

Gylmar; De Sordi, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo.

O resto da história todos conhecem:

Na sequência, vencemos o País de Gales e sua retranca incrível, 1 a 0, gol de Pelé.

O time foi praticamente o mesmo, mas o técnico Vicente Feola colocou Mazzola no lugar de Vavá que reclamava de dores.

Na semifinal, metemos um chocolate na França, apontada antes da Copa como uma das favoritas, 5 a 2, com dois gols de Vavá, dois de Didi e um de Pelé.

O jogo final foi contra os donos da Casa, a Suécia, que usava também camisa amarela.

Por esse motivo, o Brasil teve que usar camisa azul.

E para que os jogadores, sempre supersticiosos, não vissem nisso um mau sinal, Paulo Machado de Carvalho disse a eles que o azul era homenagem ao manto de Nossa Senhora Aparecida que iria protegê-los.

O time mandado a campo pelo técnico Vicente Feola naquele 29 de junho de 1958 foi praticamente o mesmo: Gylmar; Djalma Santos, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo.

A única modificação foi a entrada de Djalma Santos no lugar de De Sordi que teve disposição estomacal.

A Suécia na frente, gol de Liedholm, aos 4 minutos.

Vavá empatou aos 9. E colocou o Brasil na frente aos 32.

No segundo tempo, aos 10 minutos, Pelé faz 3 a 1. Aos 23, 4 a 1, gol de Zagallo. Aos 35, Simonsson marca para a Suécia: 4 a 2. E no minuto final de jogo, aos 45, Pelé fechou a conta.

Resultado: 5 a 2 – o caneco é nosso.

E o que faz o Neymar no título deste Blog?

É que ele também só poderá jogar a partir do terceiro jogo.

Quem sabe?

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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi FOTO SOFIA MARINHOdurante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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