Bola que rola – ou tenta rolar. Coluna Mário Marinho

Bola que rola – ou tenta rolar

Eu sempre fui um fervoroso defensor dos campeonatos estaduais.

A cada dia que passa, porém, essa defesa vai ficando mais difícil. Em tempos de outrora, os estaduais ocupavam o calendário do ano com algumas brechas para disputas regionais, tipo Rio-São Paulo ou espaços para times fazerem excursões e ganharem lá fora seus caraminguás.

A partir do final dos anos 60, o Rio-São Paulo ganhou nome de Robertão e poucos anos depois de Campeonato Brasileiro.

O Brasileirão ainda dividiu o calendário com os Estaduais até começo dos anos 2000 quando passou a protagonista do calendário.

Daí, os estaduais ficaram espremidos nos três primeiros meses do ano.

Os estaduais, pelo menos para os estados com time que estão sempre na Libertadores, passaram a ser encarados como pré-temporada ou apenas preparação para a Libertadores.

Talvez São Paulo seja ainda o único estado a ter um estadual que, se não dá muito lucro, pelo menos não dá prejuízo.

Os times nordestinos encontraram como saída a criação da Liga do Nordeste com a disputa da Copa do Nordeste que bate recordes de público e renda todos os anos.

Na cola desse sucesso, cariocas, mineiros e sulistas criaram a Copa Minas-Rio-Sul com a participação de 12 times:

Rio de Janeiro – Flamengo e Fluminense.
Minas – Atlético, Cruzeiro e América.
Rio Grande do Sul – Grêmio e Internacional.
Paraná – Coritiba e Atlético Paranaense.
Santa Catarina – Avaí e Figueirense.

A Copa nasceu já num imbróglio: a Confederação Brasileira de Futebol, CBF, não reconhece a disputa e ameaça com punições. Segundo a CBF, a Copa só pode ser organizada a partir do ano que vem por exigência do Estatuto do Torcedor.

A primeira rodada já foi disputada. Vamos esperar a continuação.

Muitos dos estaduais tiveram problemas neste começo de disputa.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, o jogo Internacional e Ypiranga foi adiado para o sábado do Carnaval. Compreensível, pois o entorno do Estádio do Beira Rio ainda sofre as consequências dos temporais da semana passada.

Nos campeonatos capixada e maranhense aconteceram vitórias por WO: ou seja, o adversário não compareceu. Coisas do meu tempo de jogador de várzea.

No Mato Grosso do Sul, apenas Comercial e Novoperário entraram em campo no domingo – empate, por 1 a 1. Todos os outros jogos da 1ª rodada foram adiados após os clubes relatarem problemas para providenciar a documentação.

As chuvas também adiaram o duelo entre Tricordiano e Guarani, em Três Corações, pelo Estadual Mineiro. Já Santa Cruz e Treze será remarcado por falta de policiamento no estádio paraibano.

Enquanto isso, a Federação Pernambucano de Futebol (FPF), para evitar uma maratona de jogos do América, postergou seu duelo contra o Central.

Outros tantos problemas deram as caras pelos Estaduais. No Cearense, a Federação local modificou a tabela inúmeras vezes, assim como excluiu e incluiu clubes. Não por acaso, há muitos jogos adiados.

Já no Mato Grosso, o Rondonópolis desistiu do Estadual.

Em outros estaduais as rodadas aconteceram sem grandes problemas.

No Paulistão, o Palmeiras estreou bem, vencendo por 2 a 0. O Corinthians sofreu com seu remendado time, mas venceu por 1 a 0. Santos empatou e o São Paulo também.

No Rio, destaque para o Vasco da Gama que venceu por Madureira por 4 a 1 e para o Fluminense que perdeu para o Volta Redonda por 3 a 1.

Na Bahia, Vitória e Bahia estrearam vencendo seus jogos.

Não dá para falar sobre público pagante pois, afinal, estamos no comecinho. Vamos esperar um pouco mais.

Mas dá para destacar em São Paulo o jogo Corinthians 1 x XV de Piracicaba 0, com 30.945 pagantes; Botafogo de Ribeirão Preto 0 x Palmeiras 2, com 18.635.

No Fundo do Baú

O Jovem Sarney

Há 50 anos, no dia 31 de janeiro de 1966, José Sarney tomava posse como governador do Maranhão.

sarney
Diante de uma multidão na Praça Pedro II, no centro histórico de São Luís, em discurso forte e prolixo, o então jovem de 35 anos prometeu acabar com a miséria, a fome, a desigualdade, a violência e todos os males que assolavam o povo maranhense. E continuam os mesmos até hoje

Mestre Telê Santana

Telê Santana

Há 20 anos, no dia 27 de janeiro de 1996, Telê Santana dirigiu seu último jogo de futebol. Foi contra o Rio Branco, pelo campeonato paulista, 1 a 1, e Telê escalou assim o time do São Paulo: Zetti; Edinho, Pedro Luiz, Gilmar e André; Donizete, Edmilson, Sandoval e Aílton (Guilherme); Almir e Valdir.

Na semana seguinte, Telê se internou para exames de rotina, mas sofreu isquemia que o afastou do futebol.

Telê morreu 21 de abril de 2006, aos 75 anos, em Belo Horizonte.

FOTO SOFIA MARINHO
MARIO MARINHO, agora qui no Chumbo Gordo.com.br

Mario Marinho É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, nas rádios 9 de Julho, Atual e Capital. Foi duas vezes presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo). Também é escritor. Tem publicados Velórios Inusitados e O Padre e a Partilha, além de participação em  livros do setor esportivo

A COLUNA MÁRIO MARINHO É PUBLICADA TODAS AS SEGUNDAS E QUINTAS AQUI NO CHUMBO GORDO.

… e sempre que tiver alguma novidade extra!

2 thoughts on “Bola que rola – ou tenta rolar. Coluna Mário Marinho

  1. Marinho:
    Estou solidário com você no que diz respeito aos campeonatos estaduais.
    A falência desses certames é um óbvio, claro e evidente resultado dessa hoje já demonstrada e provada irresponsabilidade das tais federações estaduais enfeixadas numa CBF mais que pecaminosa, para referir o mínimo.
    O Campeonato Nacional matou, assassinou as disputas mais legítimas que secularmente existiram entre as torcidas dos Estados.
    É verdade que os clubes (ainda são clubes?) de qualquer dos 27 Estados anseiam por se projetar no cenário nacional; do ponto de vista do torcedor, por causa do orgulho, do amor-próprio por sua terra; de outro lado, mais materialista, do viés do dirigente, porque isso lhe renderá mais dinheiro.
    Ingênuo confesso, digo que ainda estou crente de que os torcedores pernambucanos (a bem da verdade, quase todos os que apoiam os times do Recife – Náutico, Santa Cruz e Sport) ainda se sentem mais competitivos quando seus clubes se enfrentam entre si e competem com equipes do interior. A propósito: no Campeonato Pernambucano de 2015, o Salgueiro, do Sertão, foi vice-campeão.
    Por estas bandas do extremo-oriente das Américas, vencer o Corinthians, o Flamengo, o Internacional, o Atlético Mineiro (citemos mais tantos) não dá aquele gosto bom de ganhar do adversário local, não.
    Anteontem, por exemplo, no começo do Campeonato Pernambucano (um pífio torneio hexagonal), o Náutico derrotou o Santa Cruz e, ninguém imaginaria, quantas pessoas eram vistas ontem, nas ruas do Recife, com camisas alvirrubras do Náutico! Para esses torcedores, derrotar o Santa Cruz foi melhor do que ter goleado o Barcelona de Messi, algo tão longe…
    Bem, se os torneios nacionais dão mais lucro às redes de televisão, minha ingenuidade se esvai.
    Disse, no início, que não acreditava na seriedade dos dirigentes da CBF nem dos que comandam as tais federações estaduais.
    Concluindo, reitero essa descrença.
    Minha “ingenuidade confessa” pode parecer algo irônico, mas garanto que falei sério, sem excluir uma vírgula.
    Abraço, Marinho, de
    Toinho Portela

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