O momento é do Verdão. Coluna Mário Marinho

O momento é do Verdão

Coluna Mário Marinho

Ainda não chegamos à metade dessa longa estrada da vida que é o Campeonato Brasileiro. É uma estrada perigosa, cheia de subidas e descidas, curvas fechadas, trechos sujeitos a chuvas e lamaçais e outros tão secos que podem provocar derrapadas fatais.

A 15ª rodada será finalizada hoje, 18, às 20 horas, com Atlético Mineiro x Coritiba, no histórico Estádio Independência, em Belo Horizonte.

Apressados que somos, jornalista e torcedores, já estamos apontando possíveis campeões.

Mas é inegável que o time do momento é o Palmeiras. Cuca encontrou a forma certa de fazer o time jogar. Gabriel Jesus, um craque, está brilhando como nunca.

Os Jogos do Rio vão tirá-lo do Verdão que tem três pontos de diferença sobre o Corinthians, segundo colocado. Ou seja: não tem gordura acumulada, não tem ainda poupança concreta para se dar ao luxo de perder um pontinho aqui e outro ali.

A vitória sobre o Inter, em Porto Alegre, foi justa, mesmo levando-se em consideração o pênalti escandaloso cometido por Zé Roberto e solenemente ignorado pelo juiz.

O Palmeiras marcou logo no início do jogo, soube não só segurar o resultado, com também atacar o adversário em perigosos contra-ataques.

Resta saber como Cuca vai se virar para armar seu time sem a segurança de Fernando Prass e o bom futebol de Gabriel Jesus, ambos disputando a Olimpíada, atrás da tão sonhada e inédita medalha de ouro..

Veja os melhores momentos:

https://youtu.be/0oMgh6GxI5c

 

No Itaquerão, o Corinthians mostrou que ainda não sabe o que quer o técnico Cristóvão que já foi vaiado pela torcida.

Torcida é assim mesmo, impaciente, volúvel que vive entre tapas e beijos com seus amores. Perder um ponto num empate com o São Paulo, um clássico, é motivo para desespero ou vaias? Não. Não é para quem faz uma análise fira e racional. Mas quem diz que o torcedor é capaz de um exercício tão pesado como raciocinar com lógica?

Melhores momentos do empate:

https://youtu.be/f9I5YyX3doQ

A única certeza que se tem até agora neste Brasileirão, é que o América mineiro, o meu América, já caiu. Está cumprindo o papel que eu tive medo assim que o time subiu: bater e voltar.

Infelizmente, é a realidade.

 

Há noventa anos
Nascia o primeiro Pelé

No último dia 4 de julho, comemorou-se o que seriam os 90 anos de Alfredo Di Stéfano Laulhé, nascido em Buenos Aires, em 1926. Morreu no dia 7 de julho de 2014, aos 88 anos, em Madri.

A velocidade dentro de campo e os cabelos ruivos lhe renderam o apelido de “La Saeta Rubia” (A Flecha Loura). Mas não foi apenas de velocidade que viveu Don Alfredo Di Stéfano: foi de velocidade em direção ao gol, dos dribles em alta velocidade, dos gols marcados, dos títulos conquistados.

Era um obcecado pelo gol. Declarou numa entrevista: “Entre fazer o gol e dar o gol para outro, não vacilava. Fazia eu. Não me arrependo disso. O goleador tem mesmo que ser um tanto egoísta. O futebol para mim era feito de gols, muitos gols. Gols meus.”

Ao contrário de quase toda criança, o garoto Alfredo não era ligado à bola. Imaginava-se um aviador. Só aos 17 anos se deixou levar ao River Plate. Naquela época, década de 40, o River era chamado de La Maquina.

Além do histórico e revolucionário goleiro Carrizo (ainda vivo aos 90 anos), o River tinha em suas fileiras: Pedernera, Juan Carlos Muñoz, José Manuel Moreno, Ángel Labruna e Félix Loustau. Era um time poderoso.

Di Stéfano não teve espaço e foi emprestado ao Huracán.

De volta ao River no ano seguinte, foi o artilheiro do campeonato argentino, com 27 gols, e garantiu o título para seu time.

Em 1948, rendeu-se aos apelos do Milionários da Colômbia que, fazendo jus ao nome, contratou jogadores de todos os cantos do mundo, pagando altíssimos salários. Nessa época, os brasileiros Heleno de Freitas e Tim também se mandaram para a Colômbia, o Eldorado do futebol.

Alto salário se retribui com altos serviços. E foi assim para Di Stéfano. Seu time, o Milionários, venceu o Campeonato Colombiano em 1949, 1951, 1952 e 1953. Em 53, ganhou também a Copa Colômbia e a Pequena Taça do Mundo, que teve a participação, além do Milionários, do River Plate, Rapid Viena e do Espanyol.

Em 1954, Di Stéfano mudou-se para a Espanha. Foi para o Barcelona, mas, o então pequeno Real Madri entrou na briga pela contratação do argentino e acabou ficando com ele.

Para alguns exagerados e apaixonados espanhóis, a história do Real Madri passou ser contada a partir daí. Na época, Real era a terceira força espanhola, atrás do Atlético de Madri e do Barcelona.

Pois a partir daquele ano a história passou a ser contada de forma diferente. O Real foi campeão espanhol em 1954, 1955, 1957, 1958, 1961, 1963 e 1964.

Em 1956 foi criada a Copa dos Campeões da Uefa, hoje a Champions League. O Real Madri foi campeão por cinco anos seguidos: 1956, 1957, 1958, 1959, 1960.

Di Stéfano ajudou o Real a ganhar ainda outros títulos: Pequena Taça do Mundo, 1956, na Colômbia; O Mundial de Clube, 1960; Copa da Espanha, 1962.

Em agosto de 1963, o Real fazia excursão pela Venezuela quando um grupo de homens armados tirou Di Stéfano de seu apartamento no hotel. Pouco depois, corriam as notícias de que ele havia sido sequestrado pela FALN (o Exército revolucionário Forças Armadas da Libertação Nacional). Ele ficou em poder dos sequestradores por 70 horas. Mas, não correu nenhum risco e ouviu deles essa explicação: “O governo proíbe a imprensa de falar na FALN. Agora, eles terão que falar. Depois, vamos te libertar.” Foi o que aconteceu.

Eu cheguei a ver um jogo de Di Stéfano, em 1961, mas pela televisão. Foi um amistoso contra o Vasco da Gama, no Maracanã, em 08-02-1961, que levou 122.038 torcedores e terminou com o empate em 2 a 2. Del Sol e Canário marcaram para Real; para o Vasco, Casado do Real marcou contra e Pinga empatou. Canário era brasileiro, ponta direita do América carioca.

Veja os times:

Vasco: Humberto Torgado (Miguel); Paulinho de Almeida, Bellini e Coronel: Écio e Orlando; Sabará, Delém, Wilson Moreira, Lorico e Pinga (Da Silva).

Real Madrid: Dominguez; Marquitos (Michel), Santamaria (Zagarra) e Casado; Vidal e Pachin; Canário, Del sol, Di Stefano (Pepillo), Puskas e Gento.

Ao se aposentar, Don Alfredo Di Stefano mandou fazer no jardim de sua casa, em Madri, um monumento à bola de futebol com a inscrição: “Gracias, Vieja!” Obrigado Velha.

             “Gracias, Vieja!”

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FOTO SOFIA MARINHO

Mario Marinho É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, nas rádios 9 de Julho, Atual e Capital. Foi duas vezes presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo). Também é escritor. Tem publicados Velórios Inusitados e O Padre e a Partilha, além de participação em livros do setor esportivo

A COLUNA MÁRIO MARINHO É PUBLICADA TODAS AS SEGUNDAS E QUINTAS AQUI NO CHUMBO GORDO.

(E SEMPRE QUE TIVER NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR. )

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