Aprendizado crítico. Por Arnaldo Niskier
…O desejo, nesse processo, é o uso da IA de forma crítica. A escola deve assegurar que a IA nunca substitua o papel do professor, ou seja, a IA não pode tirar a autoria ou a mediação docente…

Muitos colégios do nosso país acordaram para a realidade da inteligência artificial. Já se tornou uma presença concreta do nosso cotidiano escolar. A nova ferramenta é utilizada de forma ética e crítica, como seria de se desejar. Há uma preocupação de preparar os alunos para um novo mundo, como é de se desejar.
No tradicional Colégio Andrews, do Humaitá, fundado pelo querido mestre Carlos Flexa Ribeiro, a iniciativa começa no 4º ano do ensino fundamental, e o aprendizado se divide em quatro eixos: pensamento crítico e curadoria de informações; engenharia de prompts; consciência de autoria e letramento algorítmico, com foco em compreender, questionar e avaliar a tecnologia, e não apenas utilizá-la.
Esses estudos começaram em 2023, quando se iniciaram as questões sobre o ChatGPT. Os professores têm sido treinados para isso.
O desejo, nesse processo, é o uso da IA de forma crítica. A escola deve assegurar que a IA nunca substitua o papel do professor, ou seja, a IA não pode tirar a autoria ou a mediação docente. O mesmo processo está acontecendo na Escola Sá Pereira, em que a IA está a serviço da educação que respeita a diversidade, promove o espírito crítico e valorize a escuta pedagógica.
O que se está verificando é que a IA já se encontra presente no cotidiano dos alunos. Ignorar isso é remar contra a maré. O que se deve é promover o letramento. Devemos identificar onde estão os seus limites. Eles precisam ser conhecidos.
Está na “Folha de S. Paulo” uma seção em que os leitores enviam desenhos de crianças com desenhos sobre o que elas gostariam de fazer nas férias, quando estão longe da escola. É para colorir, o que se transforma em aquarelas. É um exercício de inteligência artificial. Como se nota, a IA tem múltiplas aplicações, embora no caso se esteja respeitando o que entendemos também por jornalismo. Devemos valorizar a ligação da inteligência artificial com o jornalismo propriamente dito.
_______________________________
Arnaldo Niskier – Imortal. Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da Academia Brasileira de Letras. Professor, escritor, filósofo, historiador e pedagogo. Licenciado em Matemática e Pedagogia pela UERJ. Professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Foi presidente da Academia Brasileira de Letras e secretário estadual de Ciência e Tecnologia e de Educação e Cultura do Rio de Janeiro. Presidente Emérito do CIEE/RJ. Honoris Causa da Universidade Santa Úrsula.Comendador do Superior Tribunal do Trabalho.
