Cores favoritas. Por Adilson Roberto Gonçalves
…Se é para aprender a votar e enxergar o significado das cores dessa paleta, boa educação deve ser a primeira condição.

Para resgatar nosso verde-amarelo, o voto deste ano tem de ser vermelho e seus tons róseos, arroxeados, mesclado com amarelo, até com a presença de algum azul. Tudo para combater o que resta: o cinza plúmbeo por parte da extrema direita.
Vimos isso no primeiro debate para o governo paulista, com os desvarios do atual governador que tenta a reeleição, não aprendendo que educação se dá na prática, não nas planilhas que seu secretário lhe mostra de um mundo paralelo e até colorido. Se é para aprender a votar e enxergar o significado das cores dessa paleta, boa educação deve ser a primeira condição.
Nesse aspecto pálido, diáfano e indigesto, Renato Feder cumpre fielmente a cartilha usando a tática diversionista para criar uma outra realidade, especialmente em seu artigo para a Folha de S. Paulo “Educação de São Paulo está na direção certa” (12/8). O Ideb revelou que São Paulo patina na educação e o secretário insiste em dizer que está na direção certa, ao mesmo tempo em que afirma que o índice não pode ser visto de forma absoluta. Fato é que há, sim, um modelo eficaz de ensino integrado a cursos técnicos que é conduzido pelos Institutos Federais e que ficam de fora na avaliação estadual. Outras paletas de cores devem ser apresentadas, portanto.
Mesmo assim, talvez ainda impressionada com cadeiradas do passado, quase tingidas a vermelho de sangue, a Folha entendeu que a civilidade havida no debate entre Tarcísio e Haddad significa que ele tenha sido equilibrado quanto a propostas de gestão, segundo seu editorial de 11/8. Mas isso não é verdade. Não é gestão quando se vende o patrimônio público para fazer caixa, e se precariza o que de mais nobre e promissor que a sociedade possui que é a educação. Haddad evidenciou também as falhas de Tarcísio quando esse foi ministro de Bolsonaro e que abriu mão da renegociação de dívidas paulistas por questões ideológicas. Isso porque, ainda que vermelho, o boné do MAGA do governador boicotando nossa indústria nem apareceu no debate.
Por fim, foi Lu Alckmin quem mostrou que preferência por cor não necessariamente reflete posição política. Basta ver a distribuição entre azul e vermelho nos EUA. Se o PT quis se “desavermelhar” no lançamento da campanha de Lula à presidência, dona Lu ensinou o partido a voltar ao vermelho, com sua indumentária. De qualquer forma, em prenúncio antecipado da primavera devido à aceleração climática, os ipês estão se vestindo de rosa e amarelo pela cidade. Não por menos, cor rima com flor. Em termos espectroscópicos, o vermelho continua sendo a cor complementar do verde.
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– Adilson Roberto Gonçalves – pesquisador da Universidade Estadual Paulista, Unesp, membro de várias instituições culturais do interior paulista. Vive em Campinas.
