Celebridades efêmeras e permanentes. Por Adilson Roberto Gonçalves
… Tal qual Ruy Castro, tenho feito grandes descobertas ao constatar que muitas das “celebridades” que abundam por aí são de total desconhecimento.

Tal qual Ruy Castro, tenho feito grandes descobertas ao constatar que muitas das “celebridades” que abundam por aí são de total desconhecimento. Ele citou a Virginia, mas o mundo das celebridades efêmeras parece a música dos Titãs “A melhor banda de todos os tempos da última semana”. Vendem de tudo nas redes sociais, de bets a detox mágicos. Quando se transformam em charlatães digitais, não deixam de ser bandidos, semelhantes aos célebres criminosos que insistem em povoar as ainda existentes páginas jornalísticas. Ruy Castro também falou dos fora-da-lei modernos, citando um dos que ficaram famosos na semana, mas informo que com o ‘Adilsinho’ compartilho apenas o prenome, nada mais.
As premiações no Oscar deste ano mostraram que o sarrafo subiu. Um excelente filme como “O Agente Secreto” conseguiu o inédito feito de ser indicado como melhor filme do ano, além de melhor filme internacional. Não ganhou estatuetas, mas já saiu consagrado. No cinema, a valorização não é como no futebol em que o vice é o primeiro dos perdedores. Estar entre os cinco ou dez indicados, a depender da categoria, é de muito valor. O cinema nacional levou o público de volta às salas de exibição e as novas produções já se moldam aos novos parâmetros de exigência. Que contemos as milhares de histórias que estão aí para serem devidamente contadas.
Por mais diversa que tenha sido a votação para o Oscar, e também acreditando que as escolhas foram justas, não dá para disfarçar nossa torcida pelos brasileiros. O ufanismo maior que nos faz ter orgulho de nossa pátria, de nossa bandeira e – o que é mais importante – de nossos brasileiros torna o desejo longe da lógica, causando até frustração indevida quando o prêmio maior não vem. Certo que houve torcida contrária, movida pelo ódio de um grupo político bem definido, mas as chances de “O Agente Secreto” eram realmente grandes. Após o sucesso e o inédito Oscar de melhor filme estrangeiro de “Ainda Estou Aqui”, ficamos mais exigentes e nos parece que “apenas” as indicações não foram suficientes. Que saibamos comemorar mesmo assim, e a falta da estatueta desta vez foi compensada pelo tempero a mais nesse molho que somente nós sabemos fazer e degustar.
Wagner Moura, Kleber Mendonça Filho, Tânia Maria, Fernanda Torres, Selton Mello, Walter Salles e tantos outros entraram no rol das celebridades perenes para não saírem de lá, ao contrário das “efemebridades” internéticas.
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– Adilson Roberto Gonçalves – pesquisador da Universidade Estadual Paulista, Unesp, membro de várias instituições culturais do interior paulista. Vive em Campinas.
