Mais uma inútil canetada. Coluna Mário Marinho

Mais uma inútil canetada

____________________________________

… É preciso atitude. E atitude firme, lei nacional e não poucas e improdutivas iniciativas isoladas a cada confronto, a cada morte, a cada lágrima.

_____________________________________

O Brasil é um país repleto, inundado de leis.

Para qualquer mal surge logo uma lei salvadora. Uma catástrofe leva a discussões indignadas, protestos irados, promessas de atitudes, leis e projetos de leis são apresentados, discutidos e, muitas vezes, aprovados ou, simplesmente, não saem da gaveta.

O vento do tempo leva tudo embora.

A recente morte de uma pessoa durante o confronto de torcedores corintianos e palmeirenses, acirrou novamente a discussão.

A vítima não fazia parte do confronto e nem se sabe se ela gostava de futebol.

Pois bem, agora vem a autoridade (in)competente e determina: nos jogos entre os grandes paulistas, os chamados clássicos, só haverá torcida de um time.

É algo que tem a mesma utilidade prática de se baixar leis proibindo enchentes, deslizamento de terra, acidentes nas estradas, morte de motoqueiros etc.

soccerball4Já existe lei de mais, o que falta é sua aplicação. O que falta é a punição.

Todos nós sabemos que tentar contra a vida de uma pessoa, feri-la gravemente ou não, matar é crime previsto em lei.

Nos últimos 20 anos, quase duas dezenas de pessoas foram mortas em confrontos de torcida em São Paulo. Quantos foram punidos?

… Torcedores, ou melhor vândalos, pegos em flagrante são proibidos de assistir a jogos de seus times. Mas, não raramente, lá estão eles nos estádios e até postam fotos zombando da pena que lhes foi imposta.

No caso da pessoa morta antes do confronto Corinthians e Palmeiras, no último domingo, cerca de 60 pessoas foram presas. Na segunda-feira, quantas estavam ainda detidas? Nenhuma. Quantas vão responder a processo? Não sei. Quantas vão ser condenadas? Eu sei: nenhuma.

No meu modo de ver, a única canetada que pode começar a melhorar esse clima de violência é a canetada acabando com as torcidas ditas organizadas. Que organiza crimes com o beneplácito dos cartolas. Mas essa canetada ninguém dá.

Torcedores, ou melhor vândalos, pegos em flagrante são proibidos de assistir a jogos de seus times. Mas, não raramente, lá estão eles nos estádios e até postam fotos zombando da pena que lhes foi imposta.

Mas como?

Eles não são obrigados a se apresentar a autoridades nos dias e horários de jogos de seus times? Se estão em campo, não se apresentaram. E se não se apresentaram, cadê a punição?

Enfim, não adianta chá de camomila aqui, pomada minâncora ali: é preciso atitude séria e determinada das autoridades. Chega de reuniões com os representantes das tais torcidas, chega de conversa mole.

É preciso atitude.

E atitude firme, lei nacional e não poucas e improdutivas iniciativas isoladas a cada confronto, a cada morte, a cada lágrima.

___________

FOTO SOFIA MARINHO
MARIO MARINHO

Mario Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, nas rádios 9 de Julho, Atual e Capital. Foi duas vezes presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo). Também é escritor. Tem publicados Velórios Inusitados e O Padre e a Partilha, além de participação em  livros do setor esportivo

A COLUNA MÁRIO MARINHO É PUBLICADA TODAS AS SEGUNDAS E QUINTAS AQUI NO CHUMBO GORDO.

… e sempre que tiver alguma novidade

 

1 thought on “Mais uma inútil canetada. Coluna Mário Marinho”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine a nossa newsletter