Por uma unha. Blog Mário Marinho

Milímetros, apenas milímetros, de uma unha maior que a outra, pode definir o resultado de um jogo de futebol?
Pode, pode sim.
Começou a valer no Brasileirão, neste fim de semana, o chamado Impedimento Semiautomático.
A inovação é legado da ótima e saudosa Copa do Mundo de 2026.
Neste domingo, em duas ocasiões, o aparato entrou em cena e mostrou aquilo que os olhos não conseguem ver: o impedimento por uma distância quase que milimétrica.
São cerca de 30 aparelhos de telefone celular, ligado à internet. A Genius é a fornecedora da tecnologia e opera também na Premier League, no Campeonato Mexicano e na Bélgica. Ao todo, há 65 estádios ao redor do mundo com a instalação do semiautomático.
Aqui no Brasil todos os estádios com jogos da Série A estão equipados.
No jogo Bahia e Corinthians, o Bahia teve dois de seus três gols anulados, todos eles com uso da tecnologia e sem a menor chance de reclamações.
No primeiro lance anulado, Erick Pulga iniciou a jogada e o atacante Alejo Véliz desviou para o gol após o chute cruzado e desempatar o duelo entre Bahia e Corinthians. O VAR identificou que Pulga estava adiantado no início da jogada. A transmissão exibiu a animação gerada pelo sistema, que confirmou o impedimento milimétrico.
Minutos depois, Pulga fez bela jogada, finalizou e parou em Hugo Souza. No rebote, William José cabeceou e encobriu o arqueiro do Timão. O bandeirinha marcou impedimento do camisa 16 mais uma vez, e o VAR confirmou. Neste caso, não houve a marcação do impedimento semiautomático: a marcação foi do bandeirinha, mas depois houve a confirmação.

No caso de Flamengo x São Paulo, o jogo estava empatado em 1 a 1 quando o Flamengo arrancou para o ataque a bola acabou sobrando para Samuel Lino que marcou aos 45 minutos do segundo tempo.
Marcou e comemorou, assim como toda a torcida.
Era o gol da vitória.
Só que ele estava com o pezinho um pouco à frente do defensor do São Paulo, como mostra essa ilustração acima, produzida pelo próprio equipamento.
A precisão de funcionamento do aparelho está acima de qualquer suspeita.
Mas eu tenho uma teoria.
A marcação do impedimento se dá para que o jogador em posição irregular não se utilize dessa vantagem indevida.
Aí, eu pergunto: qual a vantagem que estará o jogador tirando de um ou dois centímetros à frente de seu marcador?
Já que estamos em tempo de alta tecnologia, por que não limitar, não regular onde acontece o impedimento?
Por exemplo, só estará impedido o jogador que estiver meio corpo à frente do adversário.
Porque aí, sim, com meio corpo à frente ele tiraria proveito de sua situação irregular.
Como vai se definir esse meio corpo?
Eu não sei.
Mas, em tempos de emprego de alta tecnologia não me parece muito difícil definir essa diferença.
Vamos dar tempo ao tempo.
Está
Difícil, muito difícil.
Coloquei-me frente ao televisor para assistir Bahia x Corinthians nesse domingo. Fiz a mim mesmo a promessa de que não iria comparar com a Copa do Mundo.
Mas não teve jeito.
Os times entraram em campo e eu logo olhei o gramado.
Pareceu-me em perfeitas condições. Os repórteres em campo confirmaram e até explicaram que o gramado do Fonte Nova ficou quase que os 50 dias da Copa sem atividade, sendo muito bem cuidado.
Esse cuidado não resistiu a 45 minutos de jogo.
Ao fim do primeiro tempo, o gramado já estava ruim.
E piorou cada vez mais.
Não só o gramado ficou ruim, como também o comportamento dos jogadores.
Aquelas cenas que a gente estava acostumado a ver no Brasileirão – e que não vimos durante a Copa – voltaram.
E voltaram fortes.
Basta uma esbarrãozinho para que o jogador desmonte em campo.
À primeira vista, parece caso de UTI.
Mas logo se vê a verdade, já que são eles todos canastrões de interpretação.
Não seriam, jamais, atores de novelas brasileiras. Talvez, de novelas mexicanas.
Até onde vamos?
A única solução que vejo só pode vir de uma cartola bem-intencionado e com prestígio entre os próprios jogadores.
Porque o técnico não vai chamar a atenção deles. Os companheiros, muito menos.
Mas, eis que um dirigente bem-intencionado, preocupado com o futuro do futebol, bem que podia reunir seus jogadores no dia seguinte ao jogo e exibir para eles os teipes dessas jogadas.
Mostrar para eles o ridículo pelo qual estão passando.
Será pedir demais?
Veja os gols do Fantástico:
https://youtu.be/Dxgcv-Rg6_c?si=Zilibh7TXfodZw0y
Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi
durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)
