fomentos cultura

Artistas, cientistas, professores e todos os que buscam fomento passam por processos semelhantes e são tratados como se fossem criminosos e agentes de má fé, sem contar que projetos com pequenos orçamentos são tratados pelas mesmas leis que fiscalizam grandes obras viárias, por exemplo.

fomentos cultura

Juntar a fome com a vontade de comer é mais do que ditado popular quando se trata de alimentar a cultura, a ciência, a educação e outras prioridades humanas nem sempre medidas de forma quantitativa. O fomento à cultura, à ciência, à saúde e à educação deve partir do poder público que, além de democratizar acessos, consegue ampliar a escala.

Se antes havia o mecenato, em que a decisão para apoiar um ou outro projeto e iniciativa ficava à mercê da boa vontade do patrocinador, hoje as políticas públicas impõem uma maior democratização do acesso ao recurso. Por isso que a turma da direita (ou extrema direita, que no Brasil atual é a mesma coisa) é contrária às leis de incentivo – Rouanet, Paulo Gustavo, Aldir Blanc e semelhantes – porque não será pelo beija-mão que haverá a benesse.

Nesse sentido, foi muito importante que a ministra da Cultura, Margareth Menezes, tenha trazido à discussão a forma como se dá a prestação de contas da captação de recursos públicos e sua necessária desburocratização em artigo para a Folha de S. Paulo no qual afirma que “só não gosta do marco do fomento quem não faz cultura” (15/6). Artistas, cientistas, professores e todos os que buscam fomento passam por processos semelhantes e são tratados como se fossem criminosos e agentes de má fé, sem contar que projetos com pequenos orçamentos são tratados pelas mesmas leis que fiscalizam grandes obras viárias, por exemplo. É tempo de cobrar resultados e avanços socioculturais, como afirma a ministra, e não apenas formulários preenchidos.

Dentre as necessidades culturais, a de acesso à leitura parece ser uma das prioritárias, uma vez que a oficialização das interações sociais passa pela escrita e sua interpretação. Assim, foi providencial uma recente entrevista com Mauro Munhoz, o diretor da Flip – a festa literária que está acontecendo nesta semana em Paraty – em que afirma que “sem leitura não há linguagem”.

Paradoxalmente, a falta de leitura se verifica mesmo dentre os acadêmicos, imortais valorizados pelo que escrevem, mas não questionados pelo que leem. Ainda há saraus nos quais se promove tanto a divulgação da obra própria, quanto trazer ao público as leituras que alimentam os escritores, suportadas ou não por projetos de fomento. Parodiando o poeta e subvertendo a gramática: Livros? Sim, escrevê-los, mas se não lê-los, como sabê-los?

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Perfil ambiental e político – Adilson Roberto Gonçalves –  pesquisador da  Universidade Estadual Paulista, Unesp, membro de várias instituições culturais do interior paulista.  Vive em Campinas.


 

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