Potências beligerantes ou comerciais. Por Adilson Roberto Gonçalves
Potências…independente de conchavos e achegas, o perigo nuclear paira sobre todos. O relógio do apocalipse era um artifício que marcava a quantos minutos, ou segundos, estávamos da meia-noite que representava o início das hostilidades nucleares. Ou seja, o início do fim
Um país tem de ser de seu povo. Se não for para ir à guerra contra outros países para conquistar fora o que não possui dentro de seu território – o que seria condenável por princípio –, que invista nas potencialidades internas para atingir o bem-estar social. A China soube fazer isso ao longo de décadas e se impôs por meio de um tipo de guerra comercial de sucesso. Com isso, agora, ou somos parceiros dela ou estaremos com os fracassados: de um lado, os beligerantes Estados Unidos, que já não têm mais fogo nem poder para arregimentar adeptos; e, de outro, a Europa, atolada na crise migratória e ascensão do fascismo.
De qualquer forma, independente de conchavos e achegas, o perigo nuclear paira sobre todos. O relógio do apocalipse era um artifício que marcava a quantos minutos, ou segundos, estávamos da meia-noite que representava o início das hostilidades nucleares. Ou seja, o início do fim. Se uma guerra nuclear acontecesse, a maioria dos mísseis com ogivas explodiria no ar por interceptação com outro artefato correspondente do país que estivesse sendo atacado. O inverno nuclear e as consequências posteriores podem ser vistas no ótimo filme “Day after” (O dia seguinte), de 1983, dirigido por Nicholas Meyer. É ficção, mas dá a ideia de que não seria no dia do conflito o pior que a humanidade passaria. Por enquanto, estamos precariamente presos à ilógica iniciativa, mas sabendo que já sentimos que Putin e Trump poder estar empurrando o mundo para a bomba, segundo analistas, sem contar que falta Netanyahu nessa lista. Louco por louco, os três são criminosos o suficiente para apertar o “botão vermelho”.
Assim, uma nação se torna super potente não apenas por suas riquezas e desenvolvimento, mas quando é também conduzida por dirigente em nome de seu povo, não movido por interesses próprios. O que está acontecendo com os Estados Unidos no momento, muito bem escrutinado quando se consideram as formas de “como dilapidar uma superpotência”, é fruto do doidivana que ainda permanece na presidência. Os negócios privados de Donald Trump com os grupos russos parecem ter saído do noticiário, seu envolvimento com Jeffrey Epstein nunca foram esclarecidos e sua pretensão de se tornar um inédito autocrata nos EUA são claras. Mesmo assim, há aqueles que se curvam aos seus ditames, como a maioria dos países da América Latina, tendo México e Brasil (por enquanto) como honrosas exceções.
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– Adilson Roberto Gonçalves – pesquisador da Universidade Estadual Paulista, Unesp, membro de várias instituições culturais do interior paulista. Vive em Campinas.
