Timão pequeno entrega em casa. Blog Mário Marinho

Não foi só o pênalti ridiculamente cobrado por Memphis Depay que tirou o Corinthians da Libertadores, ontem, na lotada NeoQuímica, apesar do frio congelante.
É claro que o gol de empate naqueles instantes finais levaria à disputa da vaga para a cobrança de pênaltis, o que seria uma grande oportunidade para o goleirão Hugo Souza garantir a classificação.
A desclassificação se deve à postura em campo do time corintiano.
Jogou como um time pequeno assustado, muito assustado, diante de um time grande, muito grande.
O Corinthians repetiu erros técnicos e de posturas como fez contra o lanterna do Brasileirão, a Chapecoense, e também contra o Flamengo, quando jogou com um time de reservas.
Desde os primeiros minutos na noite de ontem, o Corinthians priorizou o toque de bola, bem ao gosto de Fernando Diniz, saindo com muita morosidade de sua área até o meio-campo, onde empacava: bola do zagueiro para o lateral esquerdo, do lateral esquerdo para o zagueiro, do zagueiro para o lateral direito – numa lerdeza irritante.
O Estudiantes, que certamente esperava um Corinthians, com fome, gana, com velocidade à procura da vitória, se aproveitou da oportunidade daquele time apequenado e tomou conta do jogo.
É bem verdade que os argentinos não criaram oportunidades de gols, não deram trabalho ao goleiro Hugo.
Mas dominaram o jogo.
O Corinthians também não levou perigo ao gol adversário. O único chute a gol, na direção certa, no primeiro tempo, foi dado pelo ponta Kaio César, na única jogada individual que ele, bom driblador, tentou. E mesmo assim foi um chute fraco que não deu trabalho ao goleiro Muslera.
Onde estavam os craques Breno Bidon, Garro e Depay? Circulando, circulando sem criar absolutamente nada de aproveitável.
No segundo tempo quase nada mudou.
Até que aos 41 minutos a torcida corintiana foi calada com o gol de Alexis Castro, um golaço.
Só então o técnico Fernando Diniz resolveu fazer modificações no time.
Entraram: Lingard, André, Pedro Raul e Gui Negão.
Mas a essas alturas a vaca já se encaminhava celeremente para o brejo.
Porém, antes apareceu a oportunidade do empate.
Bola cruzada na área argentina, o zagueiro Tomás Palácios tenta cortar e esbarra o braço na bola.
Pênalti indiscutível que o fraco juiz Valenzuela não viu e só apitou depois que pressionado pelos corintianos, reviu o lance claro no VAR.
Enquanto jogadores dos dois times e o juiz discutiam, Memphis Depay tinha a bola nas mãos, semblante calmo, pronto para cobrar o pênalti que levaria a decisão para a cobrança de pênalti.
Quando tudo clareou, Depay colocou a bola na marca, tomou distância e chutou…
A bola foi subindo, subindo, subindo e deve ter caído lá estação Itaquera do Metrô, a uns 500 metros de distância da Arena.
Bem, pênalti não é sinônimo de gol certo.
O futebol está cheio de exemplos.
Eu tenho minha convicção que o pênalti se cobra com a cabeça: é preciso estar com a cabeça em ordem – era o que parecia com o Depay.
Se o cobrador não converte porque o goleiro defendeu, o mérito é todo do goleiro.
Agora, não acertar o gol naquela distância de 11 metros, meros 11 metros, aí é imperdoável.
E aquele pênalti de ontem valia muito.

Pênaltis
em Quito
O Palmeiras chegou em Quito com a vantagem da vitória por 1 a 0, no jogo de ida, no Nubank.
É uma vantagem pequena, mas é uma vantagem pois o empate garante a classificação.
Vantagem que aumentou logo aos 10 minutos de jogo quando Marlon Freitas fez Verdão 1 a 0.
Parecia tudo as mil maravilhas até que a LUD fez um gol, dois, três, e se classificava com a vitória por 3 a 1.
Mas o Verdão tinha Vitor Roque que fez o segundo gol e, com 3 a 2, a decisão foi para os pênaltis.
Foi então que brilhou a estrela do grandalhão goleiro do Verdão, Carlos Miguel, que a torcida não gosta muito: defendeu duas cobranças e garantiu a classificação do Palmeiras para as semifinais da Libertadores.
Pênaltis em
Belo Horizonte
O Santos venceu o Atlético na Vila Belmiro, na semana passada, por 2 a 0.
Foi com essa vantagem que o time de Neymar chegou à Capital mineira para enfrentar o Atlético, na Arena MRV.
Não parecia missão impossível.
Mas, logo aos 17 minutos de jogo, o ponta Bernard fez 1 a 0, diminuindo aquela vantagem.
Dois minutos depois, Reiner fez o segundo, tirando toda a vantagem do Santos.
Mas, aos 28, o zagueiro Lyanco marcou contra, devolvendo a vantagem ao Santos.
Vantagem que foi retomada com gol de Gabigol, aos 27 do segundo tempo.
Tudo encaminhava para a classificação do Santos.
Mas, aos 41 minutos, Reiner marcou novamente e aos 47, Cuello marcou levando o a decisão para os pênaltis.
Aí foi a vez de brilhar a estrela do jovem goleiro Gabriel Delfim, de 24 anos, que defendeu três cobranças, garantindo ao Galo a classificação na Copa Sul-Americana.

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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)
