Abre o olho, São Paulo. Coluna Mário Marinho

Abre o olho, São Paulo

COLUNA MÁRIO MARINHO

A derrota do São Paulo para o Palmeiras é absolutamente normal levando-se em conta que se trata de um clássico, independente da colocação dos dois clubes no Brasileirão.

Pois, como afirmou o filósofo Vicente Matheus, “clássico é clássico e vice-versa”.

Em condições normais de temperatura e pressão, o que se poderia estranhar na derrota foi o placar de 4 a 2 que insinua vitória fácil do Verdão, o que não aconteceu.

Os dois times fizeram um bom jogo, um clássico equilibrado.

O Tricolor saiu na frente, levou a virada, chegou ao empate e depois levou dois gols.

Deixando de lado o resultado, o torcedor do São Paulo deve ter visto o jogo com esperanças, com boas esperanças. Se o São Paulo mantiver o mesmo nível de excelência para os próximos jogos, certamente a essa sua longa estada na cruel zona de rebaixamento será página virada logo-logo.

Mas, aí vem essa paralisação no Brasileirão que pode não ser algo tão bom.

Aí está o Corinthians dando mostras disso: depois daquela longa folga de 15 dias, o Timão não encontrou novamente o belo futebol que o tem mantido na liderança. Perdeu dois jogos bobos e a diferença lunática que tinha sobe o Grêmio, segundo colocado, já não é tão assustadora assim.

Por isso, caríssimos tricolores, todo cuidado é pouco. O time jogou bem contra o Palmeiras, é verdade, mas ainda está longe de lembrar seus bons tempos.

Por ironia do destino, esse amontoado de acontecimentos que marcam a nossa vida, o maior e mais importante problema do São Paulo tem sido o gol. Exatamente ali por onde reinou absoluto e tranquilo nos últimos anos Rogério Ceni, que a torcida eternizou como Mito.

Pois, foi-se o Mito e nunca mais houve tranquilidade naquela área de 17,86 metros quadrados delimitada por 7,32 metros de largura e 2,32 de altura.

Essa é a medida do maior pesadelo Tricolor: 17,86 metros quadrados.

O Verdão somou calma mais eficiência mais futebol para chegar à tranquilidade.

E, embora não viva a situação dramática do São Paulo, também está bem longe do time que, comandado pelo mesmo Cuca, encheu os olhos de seus torcedores em 2016 e tornou-se, legitimamente, campeão brasileiro.

Cuca escalou o contestado Michel Bastos na lateral esquerda e acertou em cheio.Foi por ali que ele teve grandes atuações no São Paulo, até que se indispôs com a torcida.

O comandante fez também com que sua equipe tocasse mais a bola. E deu no que deu: vitória inquestionável.

Destaque para William Bigode (foto) autor de dois gols. Um dele, um golaço!

Veja os gols do Fantástico

https://youtu.be/kGpOd6TdhPs

Acorda,
Timão!

Mais uma derrota em casa, mais uma derrota que jamais esteve nos planos nem mesmo entre os dois vencedores.

A derrota agora foi para o Atlético Goianiense. A outra derrota foi para o baiano Vitória – ambos os times, na zona de rebaixamento.

A sorte corintiana, se é que se pode falar em sorte, é que esses dois tropicões não foram para times que estão no encalço corintiano.

Porém, é bom lembrar se a distância entre Corinthians e Grêmio, segundo colocado, se podia medir em quilômetros, como a distância de São Paulo a Porto Alegre, é bom lembrar que o Grêmio agora já está mais próximo, digamos, em Santa Catarina.

“Matches”
Intermunicipaes

Fazendo pesquisas em passado distante, encontro essa saborosa notícia publicada no Estadão do dia 30 de agosto de 1917, uma quinta-feira.

“Football
Commercial (Ribeirão Preto) vs Guarany (Campinas)
Diante de uma numerosa assistência, predominando o sexo feminino, que deu a nota “chic” á grande festa sportiva, realisou-se, domingo passado, no “ground” do Commercial FC, em Ribeirão Preto, a grande pugna intermunicipal para a disputa da taça offerecida pela Casa Notre-Dame de Paris, entre a primeira “equipe” daquele club com a respectiva do Guarany FC.
….
Às 16,15 horas precisamente, o juiz, dr. Colombo Mascagni, chamou a campo os dois contendores.
Tirado o Toss, coube ao Commercial escolher o campo do lado oposto ao sol.
Os campineiros dão sahida e carregam sobre o “goal” de Alvino que, muito bem collocado, rebate magistralmente a primeira investida.
A linha de “forwards” do Commercial, que é muito veloz, apossa-se da esphera, conseguindo transpor os “halves” do Guarany e a 30 jardas, mais ou menos, João Fernandes “shoota” em “goal” e Dario, ao defender, comette um “hands” que o juiz dá como “penalty kick”, que batido por Bertoni I resulta no 1º “goal” do Commercial.
em dado momento, Pitta apossa-se da esphera e, “driblando” Bertoni I, passa-a a Augusto, que a envia a Miguel e este bem collocado immediatamente escapa pela esquerda e dá violente “shoot” no retângulo do Commercial, resultando no primeiro ponto para o Guarany, e que foi muito aplaudido”.
Bem, para resumir, o jogo terminou empatado em 2 a 2, com o cronista esportivo fazendo largos elogios a alguns jogadores, mas não sendo assim tão generoso com o juiz. Veja a apreciação crítica quanto à arbitragem:
“O mesmo não se pode dizer do juiz, dr. Colombo Mascagni, do Clube de Batataes, que se revelou muito mal, demonstrando não ter conhecimento algum das regras do “football”, pois mostrou-se muito indeciso na applicação das penas, o que muito prejudicou em virtude de tratar-se de um “match” de muito responsabilidade”
E termina assim o Cronista Esportivo:
“Os campineiros voltaram captivos com o fidalgo tratamento por parte da directoria do Commercial”.

Como se vê é, no mínimo, secular o problema da arbitragem do nosso futebol.

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FOTO SOFIA MARINHO

Mario Marinho É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, nas rádios 9 de Julho, Atual e Capital. Foi duas vezes presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo). Também é escritor. Tem publicados Velórios Inusitados e O Padre e a Partilha, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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