São de barro e se esfacelam. Coluna Mário Marinho

São de barro e se esfacelam

COLUNA MÁRIO MARINHO

Lucas Lima

A condenação, nos Estados Unidos, do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, a CBF, José Maria Marin, escancara para o mundo os podres poderes do pobre futebol brasileiro.

Marin foi condenado à pena de reclusão de quatro anos além de multas que ultrapassam os 3 milhões de dólares por recebimento de propina e lavagem de dinheiro no futebol.

O Brasil tem fortíssimo perfil no futebol mundial. Participou de todas as Copas do Mundo e venceu 5 delas, chegando ao final em 7 no total.

Foi a partir de 1958 que o Brasil deixou o Terceiro Mundo do Futebol para colocar seu nome entre os tops.

Naquela época, era presidente da CBD (Confederação Brasileira de Futebol) o advogado João Havelange, filho de um rico comerciante belga estabelecido no Rio de Janeiro.

Havelange foi sempre ligado aos esportes, inclusive futebol, e medalhista de bronze nos jogos Pan-Americanos de 1955, no México, em polo aquático.

No começo dos anos 50, tornou-se acionista e diretor da Viação Cometa.

De 1958 a 1974, comandou o futebol brasileiro. Época em que o Brasil ganhou três Copas (1958, 1962 e 1970).

Foi quando se elegeu presidente da Fifa entidade que revolucionou.

A sede em Zurique viu seu minúsculo escritório se transformar numa suntuosa e moderna edificação. O número de membros da Fifa quase que duplicou e hoje ultrapassa  duas centenas.

Havelange transformou a Fifa numa máquina de fazer dinheiro. Eis o grande perigo.

E em seus últimos anos de reinado, descobriu-se que não foi só a Fifa que ganhou muito dinheiro.

E, como um ícone de barro, João Havelange esfacelou-se.

Teve seu título de Presidente de Honra da Fifa cassado e minguaram até secar as homenagens e o reconhecimento a esse cartola de prestígio mundial.

Jean-Marie Godefrois d’Havelange morreu como um João Maria qualquer.

Morreu, aos 100 anos, durante os Jogos Olímpicos do Rio. Teve o maior minuto de silêncio que uma pessoa pode ter: até hoje, anos depois da morte, reina absoluto o silêncio.

José Maria Marin e João Havelange: o maior minuto de silêncio da História

Conseguiu encaixar na CBF o seu genro, Ricardo Teixeira, desconhecido advogado mineiro com banca no Rio de Janeiro, que se tornou conhecido após a eleição para presidente da CBF em 1989.

Em agradecimento ao sogro, batizou um de seus filhos com o sobrenome Havelange.

Trilhando o caminho do sogro, sem o mesmo brilhantismo, logo foi alvo de acusações: propina, corrupção.

O sucessor de Ricardo Teixeira foi o paulista Marco Polo del Nero.

Marco Polo traz o futebol no DNA: filho de Del Nero, ex-meia do Palmeiras que chegou à Seleção Brasileira nos anos 1940.

Durante muitos anos, esse paulistano nascido em 1941, participou da vida da Federação Paulista de Futebol, principalmente com membro do Tribunal de Justiça Desportiva da entidade.

Até assumir a presidência da FPF substituindo Eduardo José Farah.

Dali à CBF, foi um pulinho.

Certamente del Nero já estava em processo de aquecimento com o seu GPS apontado para a Fifa.

Eis que também ele foi abatido em pleno voo.

Foi banido do futebol sob as mesmas acusações que pesam sobre Marin, Teixeira, Havelange: propina, corrupção.

Del Nero, assim como Ricardo Teixeira, é um homem rico, mas, não pode sair do País. Tem combustível financeiro para dar a volta à terra, mas não ousa atravessar a Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai, pois pode ser preso e enviado para os Estados Unidos.

E lá, a Justiça é um pouco mais eficiente que a nossa.

José Maria Marin que o diga.

Brasileirão
De bons e maus resultados

Bom mesmo nessa rodada, foi o América, mineiro como eu: foi lá no Recife e sapecou 2 a 0 no Sport. Nosso próximo adversário é o Vitória. Boa chance para somar mais três pontos.

Bem também o Fluminense que recebeu o claudicante Corinthians e saiu-se vitorioso: 1 a 0. Vitória magra, mas, importante.

E o Romero? Que feio! Agressão boba, merecido cartão vermelho e prejudicou barbaridade ao Timão que vai caindo pelas tabelas.
O líder também foi mal.

O técnico do São Paulo, Diego Aguirre, disse, após o empate com o Paraná, 1 a 1, que não é possível ganhar todas. Concordo com ele. Porém, empatar com o lanterna do campeonato não é voltar para casa com um pontinho: e deixar lá dois preciosos pontos.

Já o Fábio , do Cruzeiro, garrou a defender pênaltis. Depois de três cobranças contra o Santos, ontem defendeu mais uma e garantiu o bom empate do mistão do Cruzeiro contra o grêmio em plagas gaúchas.

Agora, bonito, bonito mesmo foi o fez o Lucas Lima (foto ao alto a coluna).

O polêmico atacante, promessa de craque, saiu do banco de reservas para marcar dois golaços na vitória do Palmeiras sobre o Botafogo, 2 a 0.
Mais uma vitória do Luiz Felipe 7 a 1 Scolari.

Aliás, são 8 jogos sem derrota desde que chegou ao Verdão.

Veja os gols da rodada:

https://youtu.be/EtRyA3s1fbU

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FOTO SOFIA MARINHOMário Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
 NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

1 thought on “São de barro e se esfacelam. Coluna Mário Marinho

  1. MMarinho. Boa retrospectiva de nossa desmoralizada Confederação. Mas e daí? A “podridão” morre nos corredores da entidade? E os Clube? Onde vão parar as verbas recebidas pelos desmanches dos times? Não dá nem tempo de decorar o nome dos “novos ” jogadores e novo desmanche ocorre. E as contratações a peso de ouro que não se vingam? E as multas pela dispensa de treinadores? E o meu São Paulo que trocou o silêncio de gestão fraudulenta pela saída do Presidente? Eu acredito que mais “histórias” poderiam ser contadas e que estão sob o tapete.

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