bronze com gosto de ouro

Bronze com o gosto de ouro. Blog do Mário Marinho

bronze com gosto de ouro

Foi no último dia, ao findar o prazo, que Luisa Stefani e Laura Pigossi foram inscritas no torneio de tênis da Olimpíada do Japão.

Laura, 26 anos, por exemplo, disputava um torneio no Cazaquistão quando seu telefone tocou. Do outro lado da linha estava Eduardo Frick, gerente técnico da Confederação Brasileira de Tênis.

Ela não quis atender, pois estava focada no jogo em que disputava. Só depois de muita insistência é que ela atendeu e recebeu a notícia de que havia uma vaga para a Olimpíada.

Ela topou na hora.

Teve que fazer diversos voos pinga-pinga e passar por uma espera de 12 horas num aeroporto, mas chegou a Tóquio.

Luisa Stefani, 23 anos, começou a jogar tênis por acaso, aos 10 anos de idade, nas praias do Guarujá. Aos 14, a família mudou-se para a Flórida, nos Estados Unidos. Foi lá que ela se formou profissionalmente no tênis.

As duas já participaram de torneio de duplas em algumas ocasiões.

Elas chegaram no Japão sem o menor dos menores favoritismo.

Eliminaram a dupla cabeça de chave número 7, as canadenses Gabriela Dabrowski e Sharon Fichman.

Em seguida, Luisa e Laura venceram de virada Karolina Pliskova, vice-campeã de Wimbledon em simples, e Marketa Vondrousova, finalista em simples em Tóquio-2020: 2/6, 6/4 e 13/11, com direito a quatro match points salvos no match tie-break.

 A única derrota veio na semi, diante das suíças Belinda Bencic e Viktorija Golubic: 7/5 e 6/3.

Aí veio a disputa pelo bronze contra a dupla russa Elena Vesnina e Veronika Kudermetova, que são as atuais vice-campeãs de Wimbledon.

As brasileiras perderam o primeiro set por 4-6; devolveram o placar no segundo set: 6-4.

O terceiro e decisivo set foi disputado em forma de tie-break longo até 10 pontos.

As russas abriram vantagem e chegaram a 9 a 5.

Faltava um ponto, um pontinho, para a dupla russa conquistar a medalha.

Aí veio a reação fantástica das brasileirinhas.

Fizeram 6, depois 7, depois, 8 e empataram 9 a 9.

Mas, não pararam por aí: passaram à frente, 10 a 9, e conseguiram o placar vitorioso: 11 a 9.

Lousie, mais falante, disse que quase desistiu quando da derrota para as suíças.

– Eu fiquei arrasada.

Aí ela recebeu uma mensagem, uma foto enviada de Minas Gerais, de um grupo de garotos tenistas assistindo num celular o jogo que elas perderam.

Logo a rede social, sempre tão carregada de ódio, foi a tábua de salvação.

– Eu me coloquei no lugar daqueles meninos. Tinha que continuar.

Decisão acertada que deu ao Brasil sua primeira medalha Olímpica.

Foi bronze. Mas, parece ouro.

bronze que parece ouro

Futebol

dos meninos

bronze que parece ouro

A Seleção Brasileira masculina passou pelo Egito: 1 a 0.

Isso mesmo, apenas e tão somente 1 a 0 sobre a fraca, mas lutadora, Seleção do Egito.

E passou por um certo sufoco porque os egípcios ameaçaram, no final do jogo, o gol que poderia levar a decisão para a prorrogação e até para os pênaltis.

Estamos agora na semifinal e vamos enfrentar o México que massacrou os coreanos: 6 a 3.

Chegamos até aqui com vitórias conquistadas sem o menor brilho.

Uma certeza: com esse futebol não passaremos do México.

As meninas

caíram

bronze que parece ouro

Assim como no masculino, as meninas foram vencendo suas adversárias sem muito brilho.

Um esquema tático equivocado da técnica Pia Sundhage fez com que a nossa maior craque, Marta, jogasse mais preocupada em defender do que atacar.

É algo inimaginável, mais ou menos, como colocar o Pelé para correr atrás dos jogadores adversários, ao invés de lhe dar a necessária liberdade para fazer o que mais sabe: atacar e marcar gols.

Assim, Marta, que aos 35 anos já não é mais uma criança, não teve fôlego para atacar e defender como queria a técnica.

Uma pena.

Depois de empatar em 0 a 0 com o Canadá, fomos eliminados na cobrança de pênaltis.

No vestiário, Marta passou a mão no seu banjo, dedilhou as cordas de seu banjo e cantou o samba “Não deixe o samba morrer” de Edson Conceição e Aloísio Silva, um clássico, que, em determinado momento, canta em sua letra:

Antes de me despedir
Deixo ao sambista mais novo
O meu pedido final

Não deixe o samba morrer
Não deixe o samba acabar
O morro foi feito de samba
De samba para gente samba”.

Trocando samba por futebol feminino, é este o apelo de Marta: não deixem o futebol feminino morrer.

Ouça na voz de Alcione:

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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi FOTO SOFIA MARINHOdurante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
 NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)
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