A dura vida do milionário encarcerado. Coluna Mário Marinho

A dura vida do milionário encarcerado

COLUNA MÁRIO MARINHO

Marin e João Havelange

Quem está lá em baixo na vida e, de repente, tem upgrade e sobe, deve viver uma experiência maravilhosa.

Mas, se ao contrário, está lá em cima e, de repente, down, vai lá para baixo, deve viver dias comendo o pão que o diabo amassou.

Digo isso porque leio, no Estadão de hoje, ótima matéria assinada pelo repórter Raphael Ramos informando-nos sobre a rotina diária do ex-todo-poderoso José Maria Marin em cadeia dos Estados Unidos.

José Maria Marin foi um jogador, ponta direita, sem brilho do São Paulo de 1950 a 1952.

Nesse intervalo de tempo, participou de 20 jogos, alcançando 12 vitórias, 4 derrotas e 4 empates. Marcou 5 gols.

Ou seja: mais ficou no banco que jogou.

Seu técnico na época, Vicente Feola, recomendou-lhe que procurasse estudar já que suas qualidades como futebolista não garantiam um futuro dos mais brilhantes.

Foi o que fez Marin: procurou a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e se formou em 1955.

Mirou a política e em 1963 foi eleito vereador pela cidade de São Paulo, cargo que ocupou até 1970. No ano seguinte, 1971, foi eleito deputado estadual e ficou na Assembleia até 1979.

Nessa época, Marin era filiado à Arena, partido da ditadura militar. Ocupava sempre a tribuna para atacar a esquerda.

Os governadores naquela época eram eleitos de forma indireta. Assim, tornou-se vice-governador de São Paulo, com Paulo Maluf governador.

Em 1982, Maluf se desincompatibilizou para se candidatar a deputado federal, abrindo a vaga para Marin governar o Estado.

Foi seu último cargo político de prestígio.

Como forma de manter-se em evidência, candidatou-se e foi eleito presidente da Federação Paulista de Futebol, ocupando o cargo de 1982 a 1988.

Nesse cargo, conseguiu uma boquinha a CBF como um dos vices presidentes da entidade.

Com a saída de Ricardo Teixeira, assumiu a presidência.

Foi aí que se deu mal quando acabou preso pelo FBI acusado de organização criminosa, fraude bancária e lavagem de dinheiro.

Por que o FBI? Porque houve envolvimento de empresa bancária dos Estados Unidos.

Condenado a quatro anos de prisão, Marin foi obrigado a trocar seu luxuoso apartamento de 600 metros quadrados de São Paulo, onde vivia num bairro de alta classe, pela minúscula cela onde está na pacata cidade de Allenwood, no estado da Pensilvânia.

Além do pouco conforto, é submetido a disciplina rigorosa. Ao chegar ali, há quatro meses, recebeu um manual de comportamento que diz, entre outras coisas: “Você é obrigado a manter um alto nível de saneamento em sua área de estar.”

Isso significa que ele é obrigado a fazer a limpeza diária de sua cela, promovendo todo tipo de limpeza. Está claro no manual: “Os pisos serão limpos e as latas de lixos esvaziadas diariamente. É de sua responsabilidade manter sua área limpa e ordeira.”

Marin e todos os outros presos acordam às 5 horas da manhã. Às 6 o café da manhã é servido. Às 7,30 as camas devem estar arrumadas, com cobertor e lençol estendidos.

Às 10 horas, ele deve ficar em pé e quieto em sua cela para a recontagem dos presos.

Às 10,45, almoço que é servido no bandejão com todos os presos em fila, sendo servidos igualmente por funcionários da prisão.

Há a possibilidade de exercícios e ginástica no ginásio da prisão e até banho de sol. Mas, com fazê-los se a temperatura atual gira em torno dos 20 graus… negativos.

Enfim, esse é o lar do ex-todo-poderoso José Maria Marin pelos próximos dois anos pelo menos.

Traulitada
em Itu.

O Santos havia vencido todos os seus quatro jogos disputados pelo Paulistão. E mais: folgadamente.

Pois no domingo, conheceu sua primeira derrota. E não foi uma derrota qualquer: 5 a 1 para o Ituano.

No Pacaembu, jogando muito mal, o São Paulo venceu o São Bento, de Sorocaba, por 1 a 0. O gol salvador foi de Hernanes que ontem fazia sua reestreia, em alto estilo. Aliás, um golaço.

Na quarta, o São Paulo pega o Talleres, da Argentina, pela Libertadores.

Será que apenas o bom futebol de Hernanes será suficiente?

No sábado, o Corinthians passou pelo Palmeiras, 1 a 0. Outra vez na casa do adversário.

A nota feia e grave do jogo é que o atacante Deyverson, do Palmeiras, de cusparada no volante corintiano Richard.

Depois do jogo, arrependido, pediu desculpas. Não se pode desculpar um ato grosseiro, nojento e desrespeitoso como esse. O Código Brasileiro de Justiça Desportiva prevê punição de seis a 12 jogos. Ele merece pena máxima.

No Rio, o Flamengo passou fácil pelo Cabofriense, 4 a 0, com direito a gol de bicicleta de Diego.

Com a vitória do Resende sobre o Bangu, a semifinal da Taça Guanabara terá estes jogos:

Fla-Flu de um lado, Vasco x Resende do outro.

Veja os gols do Fantástico.

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FOTO SOFIA MARINHO

Mário Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
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