Viver está ficando cada vez mais perigoso. Coluna Mário Marinho

Viver está ficando cada vez mais perigoso

COLUNA MÁRIO MARINHO

Ainda sob os efeitos da chacina da escola de Suzano, em São Paulo, não há como escapar do assunto.

Estamos todos nós à procura da uma resposta a uma pergunta tão pequena: por quê?

Não existe uma resposta, mas, várias.

Aí eu me lembro de um professor de matemática, professor Doro, dos meus tempos de ginásio que, acostumado com a exatidão de sua apaixonante matemática, dizia que “toda questão que precisa de mais de uma resposta, é sinal que nenhuma delas é completa ou verdadeira”.

É verdade, nessa e outras tragédias semelhantes, não existe uma resposta que satisfaça.

No dia da tragédia, eu e minha Caríssima Metade conversamos muito a respeito.

Na manhã de hoje, uma mensagem por whatsapp encaminhada pelo companheiro e amigo Ivan Machado tratava exatamente disso: como na matemática do meu professor Doro, foram varias as parcelas que foram se somando até chegarmos a essa barbárie.

Devemos começar pelos nossos lares.

Será que temos autoridade sobre nossos filhos?

São muitos os casos de pais que, ao constatarem notas ruins nos boletins dos filhos, vão às escolas discutir com os professores, reclamar, culpá-los.

O filhinho não tem culpa de nada.

As consequências estão aí: professores e professora sendo contestados em salas de aulas, desrespeitados e muitas vezes agredidos.

Parece jurássico o tempo em que as professoras eram consideradas uma segunda mãe e mereciam todo o respeito.

Será que conversamos com nossos filhos sobre bullying?

Esta palavra tem origem no verbo inglês bully que quer dizer ameaçar, assustar, oprimir; como adjetivo, pode significar esplêndido, famoso; como substantivo, pode ser fanfarrão, escaramuça, tirânico e até carne salgada.

Em português, pode ser simplesmente bulir, mexer, tocar em uma pessoa ou alguém, caçoar de alguém.

Aliás, caçoar é uma palavra em total desuso, assim como a brincadeira que ela representa ou representava.

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Naqueles tempos históricos, jurássicos, em que os mais jovens respeitavam os mais velhos, tempos em que se amarrava cachorro com linguiça, era comum ouvir conselhos dos velhos, naquela época tratados como sábios: “Não se deve bulir com quem está quieto”.

Hoje, esse conselho deveria ser repetido diversas vezes por dia e pintado em letras vermelhas, garrafais, porque uma simples brincadeira pode ser motivo de morte.

Chamar alguém de abacaxi por quem o rosto cheio de espinhas? Tratar de baleia o mais gordo da sala? Não corra esse risco: Você pode morrer. No mínimo, espancado. Se nada disso acontecer, pode ser preso e processado por assédio moral.

Mas, ao chamar a atenção de seu filho, cuidado, muito cuidado.

Se der uma palmada, ele mesmo, o amado filhinho, vai acionar algum tipo de código, de estatuto, de lei que enquadra você no monstruoso crime de tentar disciplinar o seu filho.

São dias de hoje.

Nos dias de hoje, aplaude-se governo que flexibiliza a posse de armas de fogo e há até o movimento para que o porte também seja facilitado.

Pense nas crianças de Suzano armadas. Ou mesmo os professores. Mais violência para evitar a violência?

São Paulo, como grande parte do Brasil, está sendo castigada com chuvas, verdadeiras trombas dágua.

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As cenas se repetem: são deslizamentos, desmoronamentos, perdas de casas, móveis, carros, vidas.

As pessoas desesperadas culpam os governos – que têm, sim, sua parcela de culpa.

Mas, se você passar por ali nos dias sem chuva, verá lixos, garrafas aos montes sendo jogados nas ruas e se encaminhando para o esgoto (quando existe) que logo será entupido.

Se não houver esgoto, todo esse lixo será jogado em córregos, rios. Ali é comum encontrar, fogões, geladeiras, sofás e até carcaças de carros.

Então, não temos solução?

Temos sim é preciso dar força a uma pequena palavra tão pequena quanto bullying, mas, infelizmente, sem um décimo de sua força: Educação.

E isso começa em casa.

Pra não dizer que não
falei de futebol…

Veja os principais gols desta quarta-feira.

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FOTO SOFIA MARINHO

Mário Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
 NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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