Sobre gols e goleadas. Coluna Mário Marinho

SOBRE GOLS E GOLEADAS

COLUNA MÁRIO MARINHO

O Brasileirão, que eu sempre rotulo como a disputa nacional de maior dificuldade, vai pegando aos poucos.

Estamos na terceira rodada sem nenhum grande alarde e, claro, sem se poder dizer que já pintou o campeão.

Até porque muitos times estão ainda envolvidos em outras competições como a Copa do Brasil e a Libertadores.

Assim, sempre tem time poupando alguns e seus titulares.

Na primeira rodada, a média de gols foi de 3,3 por partida (33 gols em 10 jogos). Na segunda rodada, essa média caiu para 2,6 e agora para 2,4.

Tudo normal se levarmos em conta que estamos ainda em fase de aquecimento.

Mas a rodada foi sacudida por uma chuva de gols no jogo Grêmio 4 x 5 Fluminense.

Nada mais nada menos que 9 gols em uma única partida.

Foi um jogaço e o Grêmio, que abriu 3 a 0 de vantagem, acabou levando a virada histórica.

De um lado, o Grêmio dirigido pelo experiente Renato Gaúcho, 56 anos, prestes a completar 20 anos na carreira de técnico. Do outro, Fernando Diniz, 45 anos, um garoto diante da experiência do irreverente Renato, tanto como jogador quanto como técnico.

Sem entrar no mérito do jogo e muito menos procurar explicações, resolvo sair à procura de números de gols em partidas do Brasileirão.

Vejo que no dia 4 de fevereiro de 1981, o Flamengo massacrou o Fortaleza no Maracanã: 10 a 0.

Outro placar sonoro aconteceu em 1983, quando o Corinthians chacinou o Tiradentes, 10 a 1, jogo que foi disputado no Canindé, simpático estádio da Portuguesa de Desportos.

Desde 1971, esses foram os dois únicos jogos em que o placar atingiu dois dígitos. Aliás, no caso do jogo do Corinthians, o placar, que era manual, não comportava essa numeração e parou nos 9.

No dia 7 de outubro de 1968, o Santos enfiou 9 no Bahia. Resultado final: 9 a 2.

São poucos os registros de goleadas de time grande contra time grande.

Mas, no dia 6 de novembro de 2005, o Corinthians trucidou o Santos: 7 a 1. Em outra goleada de grandes, o São Paulo foi enchouriçado pela Portuguesa de Desportos, no Pacaembu, em 1998: 7 a 2.

Em 1999, o Palmeiras dirigido por Luís Felipe Scolari venceu o Grêmio e o Botafogo, ambos os jogos por 6 a 0.

Aliás, o placar de 6 a 0 foi a goleada que mais aconteceu no Brasileirão: 57 vezes.

Mas, não pensem que 7 a 1 é privilégio da Seleção Brasileira.

Nada disso.

No dia 16 de abril de 1980, jogando em casa, o Coritiba encaçapou o cearense Ferroviário: 7 a 1.

O 7 a 1 e repetiu por 10 vezes, incluindo aquele do Corinthians sobre o Santos.

Desses 10, três favoreceram o Vasco: contra o Operário, o Guarani e o São Paulo (2001, em São Januário).

O único

100%

Com a terceira vitória em três rodadas, o Atlético Mineiro é o único time do Brasileirão com 100% de aproveitamento.

O Santos e o São Paulo que venceram as duas partidas que disputaram, cambalearam e ficaram no empate nessa terceira rodada.

E é incrível a façanha do Galo que acabou de ser eliminado da Libertadores depois de uma campanha abaixo do ridículo.

De todo jeito, são números de uma competição que está só começando.

Muita água vai correr. Por enquanto o Brasileirão é apenas um pequeno córrego de águas límpidas e plácidas.

O potencial, entretanto, é para que essas águas se tornem barrentas, grudentas, lamacentas e destruidoras de famas e carreiras.

Quem tiver juízo que se cuide.

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FOTO SOFIA MARINHO

Mário Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

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