ESCOLA DE AMOR

Por uma Escola que ensine a Amar. Por Alexandre Henrique dos Santos

POR UMA ESCOLA QUE ENSINE A AMAR

ALEXANDRE HENRIQUE DOS SANTOS

… A palavra escola vem do grego e indica o lugar onde – através de jogos e interações, ou seja, por meio de exercícios lúdicos e da troca interpessoal – se prepara alguém para a vida. Na onda liberal, porém, o processo educacional veio se tornando, por assim dizer, um tubo perverso…

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar!”

Nelson Mandela

Aprendemos na sala de aula que nós humanos somos seres racionais. De fato, somos; mas a escola exagera no prestígio do neocórtex – a região cerebral que se ocupa da lógica, da matemática e da linguagem. Essa prioridade que a grade curricular tradicional dá às virtudes da razão, criou um grave desequilíbrio: não se discute e nem se valoriza na escola nossos comportamentos gregários e afetivos, comandados pelo cérebro límbico ou mamífero. Sem mencionar o absoluto silêncio sobre nossa região neural mais primitiva e rasteira, a reptiliana. O que é o inesperado ataque de fúria, senão o bote do jacaré ou da cobra venenosa que cada um leva dentro de si? Pois é, nós também somos seres sociais, emocionais e instintivos!

A palavra escola vem do grego e indica o lugar onde – através de jogos e interações, ou seja, por meio de exercícios lúdicos e da troca interpessoal – se prepara alguém para a vida. Na onda liberal, porém, o processo educacional veio se tornando, por assim dizer, um tubo perverso: introduzimos a criança numa ponta, ela atravessa a via-crúcis que conhecemos, e sai na outra extremidade não um jovem adulto preparado para viver, mas um profissional adestrado para o trabalho. Não se educa ninguém; se formam peças para nutrir as necessidades do mercado.

Calma lá! Para onde se olhe vemos a educação sofrendo pressões para mudar; e muita coisa evoluiu. Já não acolhemos propostas pedagógicas que formam rigidamente técnicos e especialistas. Precisamos formar pessoas que sejam profissionais competentes, sem dúvida; a questão é que queremos que sejam também hábeis em empatia, gentileza, solidariedade e altruísmo. Sem esse passo quântico na educação é ilusão pretender um agora melhor.

Ao publicar em 2010 o livro A Revolução do Amor, Luc Ferry, filósofo e ex-ministro da educação na França, deu voz a uma percepção que se propaga sutil, mas em proporção geométrica: precisamos aprender a amar – a nós mesmos; aos próximos e aos distantes; aos iguais e aos diferentes; amar os animais, o meio ambiente, o planeta…

A família se encarrega das nossas primeiras lições de afeto; a escola e a comunidade podem ajudá-la nisso. E nós também! Eu, você, ela, ele, nós podemos ajudar praticando a pedagogia do coração. O método é curto, claro e simples: AME! Pois…

O amor é a única resposta sã e satisfatória para o problema da existência humana

– Erich Fromm.

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Foto: @catherinekrulik

*Alexandre Henrique Santos é sociólogo, consultor de empresas, terapeuta e coach. Atuou mais de 30 anos em e para grandes corporações na área do desenvolvimento humano. Mora em Madri e dá palestras, consultorias e workshops presenciais e à distância na Península Ibérica e na América Latina. É meditante, vegano, ecologista, participa de trabalhos voluntários e campanhas de solidariedade. Publicou O Poder de uma Boa Conversa e Planejamento Pessoal, ambos editados pela Vozes.

Contato: alex@ndre.com.br

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