Moro - guerra

A guerra contra Moro. Por Edmilson Siqueira

… a guerra está apenas começando. Se Moro crescer nas pesquisas e ameaçar mais ainda Bolsonaro de nem ir para o segundo turno e causando o temor em Lula de que ele possa tê-lo como adversário maior em outubro, o pânico se instalará nas duas campanhas…

Se houve algum efeito que a candidatura de Sergio Moro à Presidência da República provocou em seus dois principais adversários ele está sobejamente demonstrado na guerra que o ex-juiz vem sofrendo, comandada por Lula e Bolsonaro. Sinal de que ambos temem o crescimento de Moro e percebem que há ali um enorme potencial de estrago em ambas as candidaturas.

Lula, que já disse que se aliaria até ao diabo para ganhar eleições, não tem problema algum em atacar Moro com mentiras, afinal ele e seu partido viveram dela a maior parte do tempo de vida política que têm.  De resto, a própria esquerda brasileira é viciada em rever a história com pinceladas falsas para reverter os resultados a seu favor.  Capturar um discurso desonesto e transformá-lo em realidade é uma especialidade na qual a esquerda brasileira se aprimorou desde os primórdios. Você entra na história que está publicada no site do PC do B e sai dali com a impressão que jamais existiu o PCB, o primeiro partido comunista do Brasil. É que, depois da briga, que deu origem ao “do B”, os dissidentes resolveram apagar a existência do partido anterior do qual eles saíram, como se ele jamais tivesse existido. Então, contam a história do comunismo desde o início, mas como se fosse o PCdoB a protagonizá-la e não o PCB. Enfim, isso parece não ter importância alguma. E, pensando bem, no fato em si, não tem mesmo. A importância é a consequência desse comportamento que a esquerda leva como bandeira maior: “A história, nós a escrevemos de acordo com nossos interesses e não de acordo com a realidade.”

Foi assim que Lula, por exemplo, disse, na maior cara de pau, numa entrevista em Paris, quando estourou o escândalo do Mensalão, que aquilo tudo foi pago com “caixa 2”, quando, na verdade, era dinheiro público sendo distribuído a parlamentares para deles comprar o apoio no Congresso. Caixa 2 era um crime menor, punível apenas com multa e a ideia de admiti-lo, perdendo anéis mas preservando os dedos, foi do então ministro da Justiça de Lula, o notório Márcio Thomaz Bastos, famoso advogado, não por acaso, criminalista.

E é assim também que Lula vive vomitando por aí que foi inocentado pelo STF, numa mentira que nem o ministro lulista, Ricardo Lewandowski, admite. Processo anulado por uma arranjada e inacreditável “falta de isenção” de Sergio Moro (que três tribunais posteriores não perceberam…), baseado em documentos roubados que não foram nem periciados e que não valem coisa nenhuma para nenhum tribunal do mundo (a não ser os de exceção, nas ditaduras), só no Brasil mesmo e suas cortes de interesses pessoais.  O processo, com as acusações todas foi para outro juiz, mas o arranjo foi bem-feito pelas quadrilhas todas e a idade de Lula ajudou na prescrição do primeiro e deverá ajudar na prescrição de todos os outros. Aí Lula poderá dizer que “virou” inocente, mas sem nunca ter se livrado dos crimes que cometeu.
Já Bolsonaro, no seu desespero habitual e na sua mania ignóbil de ver inimigos em todos os cantos, ataca Moro despudoradamente, como lhe é peculiar. Mente com a tranquilidade de quem come um pastel no balcão do boteco, sempre tendo à sua frente a claque robotizada, hipnotizada pela sua própria ignorância, para aplaudi-lo e acreditar piamente em suas falácias todas. A última dele foi contratar alguém do outro lado do mundo para botar nas redes sociais mentiras e mais mentiras sobre Sergio Moro. E que causou a reação do ex-juiz, tirando um sarro com o fato e nele acrescentando a covardia da terceirização dos ataques: “Bolsonaro já é covarde na Austrália”, escreveu o juiz.

Mas a guerra está apenas começando. Se Moro crescer nas pesquisas e ameaçar mais ainda Bolsonaro de nem ir para o segundo turno e causando o temor em Lula de que ele possa tê-lo como adversário maior em outubro, o pânico se instalará nas duas campanhas e a carga deverá ser bem maior contra o ex-juiz.

E, pior ainda pra eles, se os acordos que vêm sendo costurados – um deles, com o MBL já se concretizou – virarem realidade, principalmente aquele entre o Podemos e o futuro União Brasil, que dará uma base nacional para Moro, tempo na televisão e dinheiro pra campanha, então teremos uma disputa que se avizinha das mais porcas que o Brasil pode produzir em política – e olha que o terreno é fértil.

Isso porque Moro se verá no meio de um fogo cruzado feito por especialistas em destruir reputações. O PT, mais experiente no assunto, será um aliado total do bolsonarismo nesse mister. Ambos não escondem que pretendem se enfrentar, pois qualquer resultado entre Lula e Bolsonaro num segundo turno, terá frutos aproveitáveis para os dois. Se Bolsonaro ganhar, Lula pode ter certeza de que o caminho da impunidade continuará a ser perseguido e percorrido e todos os crimes que ele, seu partido e seus aliados cometeram serão perdoados, prescritos ou esquecidos rapidinho por tribunais devidamente aparelhados. E Bolsonaro pode ficar tranquilo também que se Lula ganhar, talvez até a rachadinha deixe de ser crime nesse país, já que será uma irregularidade mínima perto dos crimes que o PT e sua turma podem cometer no poder. A amostra, de dezenas de bilhões de dólares, já foi dada nos 14 anos em que estiveram no poder.

Assim, só nos resta torcer para que o destino do Brasil, a partir de 1º de janeiro de 2023, seja comandado por um governo diferente desse que temos e do que saiu recentemente através de um processo de impeachment. Ambos demonstraram que preferem um país estraçalhado para governar sobre escombros e enriquecerem a si mesmos e a seus asseclas.

O Brasil precisa começar a ser um país de verdade e isso não passa por Bolsonaro e nem por Lula.

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Edmilson Siqueira é jornalista

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