desolação

Desolação. Por Edmilson Siqueira

…Desolação…Esse cenário, por conta também da estupidez política em geral do grupo que está no poder, tende a se repetir e a piorar, caso Bolsonaro vença as eleições ou, pior, que ele consiga dar o tão sonhado golpe e se manter no poder sabe-se lá até quando.

desolação

A falta de perspectiva para o brasileiro nos próximos anos já ultrapassou qualquer limite analítico e hoje é a realidade. Cada vez mais analistas políticos estão usando uma frase que começou a ser dita, timidamente, quando surgiram as primeiras pesquisas eleitorais que indicavam a preferência do eleitorado por Lula e Bolsonaro, nessa ordem. A frase: “O eleitor brasileiro votou no Bolsonaro para se livrar do Lula e agora vai votar no Lula pra se livrar do Bolsonaro”.

Infelizmente, desde aquelas primeiras pesquisas até hoje, a cinco meses da eleição, a frase vem sendo repetida com uma dose cada vez maior de acerto. Ou seja, o Brasil está se transformando em algo pior que um caranguejo, pois, ao contrário do crustáceo, não dará um passo sequer pra frente e, sim, apenas passos pra trás.

O cenário é tão aterrador que, a cada dia que passa, os dois candidatos a desgraçar de vez o Brasil estão ficando cada vez mais parecidos em suas declarações e atitudes – num deles em atitudes concretas e no outro em ações futuras.

Bolsonaro, cada vez mais radical na sua briga pelos moinhos de vento das urnas eletrônicas, quer por que quer que a eleição vire uma bagunça, que o Exército e uma auditoria independente se infiltrem nas salas dos tribunais eleitorais e denunciem qualquer fraude que eles sonhem estar existindo. Os fatos de que as urnas não estão ligadas a nenhuma rede, a não ser a ligação entre ela e o equipamento do mesário ali dentro do local de votação e que, ao encerrar a votação, cada urna emite um boletim com os votos que recebeu e esse impresso é acessível a todos os partidos, não são suficientes para que a “obsessão” bolsonarista se encerre.

 Ou seja, podemos desconfiar firmemente que ele quer bagunçar a eleição para justificar uma tentativa de golpe. Se vai conseguir dar esse golpe – que hoje parece ser a única forma de se manter no poder e se livrar da cadeia posteriormente – vai depender de haver generais suficientes nas Forças Armadas dispostos a uma aventura que pode ser sangrenta e condenável por todo mundo desenvolvido e por alguns subdesenvolvidos também.
Enquanto ele se diverte no papel de um D.Quixote sem o charme, a inteligência e a filosofia do personagem literário, a inflação só aumenta, os preços disparam, o Brasil se isola cada vez mais no mundo que conta e o povo sofre cada vez mais para pagar as contas e para arranjar emprego.

Esse cenário, por conta também da estupidez política em geral do grupo que está no poder, tende a se repetir e a piorar, caso Bolsonaro vença as eleições ou, pior, que ele consiga dar o tão sonhado golpe e se manter no poder sabe-se lá até quando.

Já do outro lado, temos um PT que não se esqueceu de nada do que fez ao país e não aprendeu nada de novo para governar o país novamente. Usando e abusando da falta de memória da maioria do eleitorado, o lulopetismo avança descaradamente no discurso de que tudo que ele fez no país foi muito bom, que havia emprego à vontade, que todo mundo tinha dinheiro no bolso e que ninguém era mais feliz que o brasileiro sob os governos petistas. Parece que se esqueceram também das dívidas de longo prazo assumidas pela promessa de que tudo só melhoraria e que não conseguiram pagar.

Sobre a corrupção eles não vão falar mesmo, ou, pior, vão falar que ela não existiu, pois uma turma altamente suspeita do STF os livrou das sentenças, embora não os tenha livrado das acusações e dos crimes todos. Se não há sentença mais, não houve crime, dizem e dirão os petistas contanto com a proverbial ignorância da maioria do eleitorado brasileiro.

Sobre os mais de 14 milhões de desempregados que o PT deixou de herança, vão se calar também. Sobre o trilhão de dólares que fizeram chegar a dívida brasileira não falarão. Mas dirão, como Lula já disse na entrevista à Time, que de devedor ao FMI, no seu governo, o Brasil passou a credor, pois emprestou dinheiro ao banco e ainda conseguiu reservas de 300 bilhões de dólares. São verdades consubstanciando uma grande mentira: o Brasil de Lula pagou boa parte de sua dívida com o FMI com empréstimos nos bancos brasileiros que cobram juros superiores aos que cobrava o banco de fomento internacional. Ou seja: para sustentar um discurso populista, endividou mais ainda o governo. E, claro, quem está pagando os juros mais altos é o povo através dos impostos.

 A esse festival de fatos concretos que dizimaram a economia brasileira e que ele promete repetir, juntam-se as intenções de acabar com a reforma trabalhista (a única coisa boa que Temer conseguir fazer), de censurar a imprensa através de uma fiscalização chapa branca, de acabar com a autonomia do Banco Central e com o teto de gastos e de transformar novamente a Petrobras no mastodonte político e corrupto que foi durante os anos petistas. Sem contar que, no poder, o PT vai impedir a privatização da Eletrobras ou, se até lá ela já estiver concluída, tentará reverter.

 Assim, com meias verdades e mentiras inteiras, o PT e Lula vão se posicionando ao eleitor que se esqueceu das agruras que passou há menos de dez anos.

 E, do outro lado, temos a preparação de um golpe para que as desgraças todas que Bolsonaro e seu ignaro governo impingiram ao país continuem indefinidamente.

Nos anos 1970, em plena ditadura militar, o grande jornalista Ivan Lessa cunhou uma frase que retratava bem o estado em que vivíamos: “O último a sair apague a luz do aeroporto”.

Hoje tudo caminha para que aquele forte sentimento de desolação total e de vontade de viver num outro país, minimamente decente e civilizado, cresça cada vez mais.

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Edmilson Siqueira é jornalista

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