impacto mídia saude

Impacto da mídia na informação médica. Por Meraldo Zisman

O IMPACTO DA MÍDIA NA INFORMAÇÃO MÉDICA EM TEMPOS DE POLARIZAÇÃO.

impacto mídia
A mídia continua desempenhando um papel fundamental na divulgação das ciências da saúde. Contudo, diante do cenário político polarizado que marca o Brasil e o mundo, a relação entre médicos, jornalistas e o público tornou-se ainda mais complexa e delicada. Em meio a disputas ideológicas, informações médicas passaram a ser não apenas divulgadas, mas também distorcidas para atender a interesses políticos, econômicos ou partidários.

É crucial que médicos e profissionais de saúde desenvolvam habilidades para se comunicar com clareza, objetividade e responsabilidade, livres de preconceitos e de pressões externas. Independentemente do formato — seja oral, escrito ou digital —, os meios de comunicação têm a responsabilidade essencial de informar a sociedade sobre os avanços e limites da medicina. Mas a velocidade com que novas descobertas surgem, aliada à busca frenética por cliques e visibilidade, fez com que repórteres, nem sempre especializados, recorressem frequentemente a médicos em busca de declarações rápidas, muitas vezes descontextualizada.

Nesse ambiente saturado de “infoxicação” — excesso de informações, nem sempre verificadas —, cresce o desafio: a mídia precisa de fontes confiáveis e os profissionais de saúde precisam estar preparados para oferecer informações sérias e compreensíveis para o público leigo. A relação entre médicos e jornalistas, longe de ser conflituosa, deve ser encarada como uma colaboração estratégica para o fortalecimento da saúde pública e da democracia informativa. Além disso, programas especializados em medicina seguem sendo uma oportunidade valiosa para desmentir curas milagrosas, combater o charlatanismo e esclarecer o papel das novas tecnologias médicas.

No entanto, hoje é necessário também resistir às tentativas de politização da ciência, que tenta capturar a autoridade médica para legitimar narrativas ideológicas. O Código de Ética Médica permanece como um guia sólido, orientando os profissionais a se absterem de divulgar tratamentos sem respaldo científico ou a se tornarem instrumentos de campanhas políticas ou de interesses mercadológicos. Em tempos de polarização, é mais importante do que nunca que o médico veja o jornalista como um aliado na busca por uma informação pública de qualidade, e não como um inimigo. As entrevistas, cada vez mais comuns em rádios, Podcasts, redes sociais e jornais, exigem dos profissionais de saúde não apenas conhecimento técnico, mas também humildade: admitir incertezas e reconhecer os limites da ciência é, paradoxalmente, uma forma de fortalecer a confiança pública.

Em resumo, no momento político atual, a comunicação ética e clara entre médicos e mídia é indispensável para proteger a saúde da população e preservar a integridade da informação médica. A cooperação entre essas duas áreas deve se tornar ainda mais consciente, crítica e responsável, num esforço conjunto para combater a desinformação, a manipulação política da ciência e a banalização do saber médico. “Só assim conseguiremos construir uma sociedade mais saudável — física, mental e politicamente”.

  _____________________________

Meraldo Zisman Médico, psicoterapeuta. É um dos maiores e pioneiros neonatologistas brasileiros. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Vive no Recife (PE). Imortal, pela Academia Recifense de Letras, da Cadeira de número 20, cujo patrono é o escritor Alvaro Ferraz.

Relançou – “Nordeste Pigmeu”. Pela Amazon: paradoxum.org/nordestepigmeu

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine a nossa newsletter