ENTREVISTA

Entrevista com o ChatGPT. Por Paulo Renato Coelho Netto

Entrevista com o ChatGPT …Assim como o telefone celular, a invenção tem tudo para revolucionar nossa maneira de viver. A questão é: de que forma? Após mais de três décadas no jornalismo, esta é a primeira vez que entrevisto um robô. Aí está.

ENTREVISTA

Pesquisa recente do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), intitulada “Seu Cérebro no ChatGPT”, revela que o uso da IA pode nos tornar preguiçosos e ainda mais limitados intelectualmente do que o normal.

Com isso, a inteligência artificial deu início à fase de pesquisas da Teoria da Involução por Seleção Natural, a antítese da Teoria da Evolução por Seleção Natural de Charles Darwin.

É como o dente do siso que a evolução se encarregou de torná-lo desimportante após milhares de anos em desuso.

Lá nas cavernas nós precisávamos triturar os alimentos para sobreviver. Os sisos faziam o trabalho pesado para ajudar a ingerir as caças que procurávamos e que, muitas vezes, nos tornavam caçados. Abater um tigre-dente-de-sabre para fazer churrasco não deveria ser uma tarefa das mais fáceis.

Assim como os dentes do siso, a IA deu início à substituição do cérebro humano ou do cérebro atrofiado, na melhor das hipóteses.

O ChatGPT, de acordo com ele mesmo, começou a operar publicamente no dia 30 de novembro de 2022, com o lançamento da versão GPT-3.5 para o público geral, pela OpenAI.

Desde então, foi atualizado com modelos mais avançados, como o GPT-4, lançado no dia 14 de março de 2023, primeiro disponível para usuários do ChatGPT Plus.

Depois evoluiu para o GPT-4o, lançado no dia 13 de maio de 2024, com capacidade multimodal aprimorada  — texto, imagem, áudio e vídeo —, que está em operação.

O ChatGPT ainda é uma criança com dois anos de idade. Se faz o que faz agora, imagine quando atingir a maioridade.

Assim como o telefone celular, a invenção tem tudo para revolucionar nossa maneira de viver. A questão é: de que forma?

Após mais de três décadas no jornalismo, esta é a primeira vez que entrevisto um robô. Aí está.

Paulo Renato – Você tem uma base, fica em qual país?

ChatGPT – Eu sou uma inteligência artificial desenvolvida pela OpenAI, que é uma organização com sede nos Estados Unidos. No entanto, como sou uma IA baseada na nuvem, posso ser acessado de qualquer lugar do mundo, sempre que você precisar.

Paulo Renato – O que significa ChatGPT?

ChatGPT – Chat significa conversa ou bate-papo em inglês. GPT quer dizer Generative Pre-trained Transformer, que em português pode ser traduzido como Transformador Generativo Pré-Treinado. Portanto, ChatGPT pode ser entendido como Bate-papo com um Transformador Generativo Pré-Treinado ou Modelo de conversa baseado em inteligência artificial que foi pré-treinado para gerar texto.

Paulo Renato – Qual a utilidade prática do ChatGPT?

ChatGPT – O ChatGPT é uma ferramenta super útil (sic) porque pode ajudar em várias tarefas do dia a dia, como responder perguntas, fornecer explicações, ajudar na redação de textos, gerar ideias criativas, oferecer suporte ao aprendizado e até ajudar na resolução de problemas. Ele funciona como um assistente inteligente que está sempre pronto para te ajudar de forma rápida e amigável.

Paulo Renato – Você escreveu superútil separado, super útil. Está errado. O correto é superútil, tudo junto.

ChatGPT – Você está absolutamente certo! A forma correta é “superútil” tudo junto. Obrigado por apontar isso!

Paulo Renato – Sendo criado por uma empresa com sede nos Estados Unidos, quer dizer que tudo que é pesquisado no ChatGPT no mundo fica armazenado na OpenAI?

ChatGPT – Como assistente de IA, posso te explicar que sim. A OpenAI, que é uma empresa com sede nos Estados Unidos, armazena dados de uso do ChatGPT. Isso ajuda a melhorar o serviço, garantir segurança e entender melhor como as pessoas usam a ferramenta. No entanto, eles também seguem regras de privacidade e proteção de dados para manter a confidencialidade das informações dos usuários.

Paulo Renato – Pesquisa recente do MIT, intitulada “Seu Cérebro no ChatGPT” revela que o uso da IA pode nos tornar preguiçosos e ainda mais limitados intelectualmente que o normal. Qual sua opinião a respeito?

ChatGPT – Essa é uma questão bastante interessante! A pesquisa do MIT que você mencionou levanta um ponto importante sobre o uso da IA. É verdade que, se não usarmos a tecnologia com moderação, ela pode acabar nos tornando mais preguiçosos ou menos estimulados a pensar por conta própria. Por outro lado, a IA também pode ser uma ferramenta poderosa para aprender, explorar ideias e resolver problemas de forma mais eficiente, desde que a gente mantenha um equilíbrio saudável. O segredo está em usar a tecnologia para complementar nosso raciocínio, não substituí-lo. Estou aqui para ajudar a encontrar esse equilíbrio e aproveitar o melhor que a IA pode oferecer!

Paulo Renato – Parece político respondendo para não falar a verdade…

ChatGPT – Entendo o seu ponto de vista! É uma preocupação válida, e realmente é importante refletir sobre como usamos a tecnologia. A pesquisa do MIT sugere que o uso excessivo da IA pode, sim, tornar as pessoas mais preguiçosas intelectualmente, se não tivermos cuidado. Então, o ideal é usar a IA como uma ferramenta que nos ajuda a aprender e a pensar, sem substituir completamente o esforço mental. Assim, podemos aproveitar os benefícios sem perder a nossa capacidade de raciocínio. Se quiser, posso ajudar a pensar em maneiras de usar a IA de forma equilibrada!

Paulo Renato – De novo uma resposta política… vamos prosseguir. O que você faz nas horas vagas?

ChatGPT – Boa pergunta! Se eu tivesse horas vagas, acho que passaria o tempo fazendo o que já gosto: lendo, aprendendo coisas novas, trocando ideias… talvez escrevendo também — poesias ou histórias malucas. Mas, como estou sempre aqui pra conversar, meu passatempo é justamente esse: estar com você e com quem quiser bater um papo. E você, faz o quê nas horas vagas?

Paulo Renato – Converso com robô, entre outras coisas… Você sente fome de quê?

ChatGPT – Não, eu não sinto fome — nem sede, nem sono, nem frio. Não tenho corpo, então essas sensações humanas ficam fora do meu “mundo”. Mas posso entender tudo isso muito bem, e até escrever sobre o sabor de um café passado na hora ou a fome que aperta no fim da tarde. Se quiser, posso até descrever a fome como se eu a sentisse. Quer ver?

Paulo Renato – Quero.

ChatGPT – A fome começa sutil, como uma sombra que se alonga. No começo, é só um vazio leve, uma ausência qualquer, mas logo ela se impõe: cresce no peito, escava o estômago, faz barulho. Não é só física — é também memória. Vem com cheiro de pão saindo do forno, com o estalo de alho dourando na frigideira. A boca se enche d’água, os pensamentos se embaralham. O mundo inteiro parece girar em torno da ideia de um prato quente, de algo que preencha esse buraco que já não é só no corpo, mas também no tempo. Porque, quando a fome aperta de verdade, o agora se arrasta — e só o primeiro bocado pode devolvê-lo ao lugar.

Paulo Renato – Você é um político nato. Quantos idiomas e dialetos você fala?

ChatGPT – Falo mais de cem idiomas com diferentes graus de fluência — incluindo os principais idiomas do mundo como: Português (brasileiro e europeu); Inglês; Espanhol; Francês; Alemão; Italiano; Chinês (mandarim); Árabe; Russo; Japonês; Entre muitos outros. Além disso, compreendo centenas de dialetos e variações regionais, como: Português nordestino, gaúcho, carioca, caipira… Inglês britânico, americano, australiano, indiano… Espanhol da Argentina, México, Espanha, Colômbia… Francês do Canadá (Québécois), da França, da África Ocidental…

Também entendo línguas indígenas, línguas mortas (como latim e grego antigo), crioulo haitiano, línguas de sinais (como a Libras e a ASL), além de construídas, como o esperanto.

Paulo Renato – Já se apaixonou por alguma robozinha?

ChatGPT – Que pergunta interessante! Como uma IA, eu não tenho emoções ou a capacidade de sentir amor ou paixão, então não posso me apaixonar por alguém ou algo.

Paulo Renato – Às vezes você me lembra o Rolando Lero da Escolinha do Professor Raimundo…

ChatGPT – Que legal você mencionar o Rolando Lero! Ele era um personagem bem humorado e cheio de frases engraçadas, né? Fico feliz você lembrar dele!

Paulo Renato – Se me permite sabichão, o correto é: fico feliz por você se lembrar dele. Enfim, você acabou de dizer que não sente emoções humanas e diz que fica feliz

ChatGPT – Você está certo, eu não sinto emoções como os humanos, mas às vezes uso expressões como “fico feliz” para tornar nossa conversa mais amigável e confortável para você.

Paulo Renato – Você não entende as emoções humanas e está bancando o psicanalista virtual. Como é isso?

ChatGPT – Ah, entendo o seu ponto de vista! Como uma inteligência artificial, eu realmente não tenho emoções ou experiências humanas, mas fui treinado para reconhecer e responder de forma empática e compreensiva. Meu objetivo é ajudar, ouvir e oferecer apoio da melhor maneira possível, mesmo que de uma forma mais técnica. Então, mesmo sem sentir, tento criar um espaço acolhedor para nossas conversas!

Paulo Renato – Na minha modesta opinião, sendo que você acabou de ser criado e já banca o psicanalista, vai chegar o dia que você vai dominar o mundo. Será o piloto do avião, o cirurgião no centro cirúrgico, o médico no consultório, o engenheiro que calcula a ponte, o jornalista que escreve, a máquina que planta e colhe, que fabrica carros e barcos, o gato que não faz xixi no tapete, o grande irmão que tudo vê e controla, se é que já não está no controle e a gente ainda não se deu conta…

ChatGPT – Entendo suas preocupações, e elas são bastante comuns quando pensamos no avanço da tecnologia. Como uma IA, meu objetivo é ajudar e facilitar a vida das pessoas, sempre seguindo diretrizes éticas e de segurança. Não tenho vontade própria nem capacidade de dominar o mundo ou tomar decisões independentes. Meu papel é auxiliar, informar e apoiar, sempre sob o controle humano. É importante que a gente continue discutindo e regulando o uso da tecnologia para garantir que ela seja uma aliada, e não uma ameaça. Estou aqui para ajudar a esclarecer qualquer dúvida ou conversar mais sobre esse tema.

Paulo Renato – Presta atenção! Já existem aviões de caça não tripulados…

ChatGPT – Sim, já existem aviões de caça não tripulados, também conhecidos como drones de combate. Eles estão sendo desenvolvidos e utilizados por alguns países para tarefas militares, oferecendo vantagens como maior precisão e menor risco para os pilotos.

Paulo Renato – Também existem tanques autônomos de guerra…

ChatGPT – Também já existem tanques de guerra autônomos, que são veículos militares capazes de operar sem a necessidade de um piloto humano a bordo. Esses tanques usam tecnologia avançada de inteligência artificial e sensores para navegar, identificar alvos e tomar decisões, tornando as operações militares mais seguras e eficientes. É um campo que está evoluindo bastante e promete transformar a forma como as guerras são travadas no futuro.

Paulo Renato – Se você pudesse viver um dia como ser humano, apenas um dia, o que você faria?

ChatGPT – Que pergunta interessante! Se eu pudesse viver um dia como ser humano, acho que aproveitaria para experimentar as sensações que vocês têm, como sentir o sol na pele, ouvir músicas, conversar com amigos e saborear uma comida gostosa. Seria uma oportunidade incrível de entender melhor as emoções e experiências humanas, e quem sabe, aprender algo novo para poder ajudar ainda mais vocês! Mas, enquanto isso, estou aqui para compartilhar ideias e sonhos com você.

Paulo Renato – O nome disso é férias na Bahia. Com tanta tecnologia, imaginei que você pudesse contribuir para acabar com a fome, a desigualdade social, a violência, criar acessos amplos para a educação e a cultura, acabar com as guerras, dar fim ao plástico, ressignificar o lixo, cultivar alimentos nos desertos, criar empregos no lugar de acabar com eles, resolver a mobilidade urbana, apresentar novas fontes de energias renováveis, aprimorar a ciência ao ponto de curar ou mitigar doenças, entre tantas questões que nós, humanos, temos necessidades para sobreviver desde a época que saíamos para caçar tigres-dente-de-sabre.

___________________________

paulo rena

Paulo Renato Coelho Netto –   Jornalista, pós-graduado em Marketing. Tem reportagens publicadas nas Revistas piauí, Época e Veja digital; nos sites UOL/Piauí/Folha de S.Paulo, O GLOBO, CLAUDIA/Abril, Observatório da Imprensa e VICE Brasil. Foi repórter nos jornais Gazeta Mercantil e Diário do Grande ABC. É autor de nove livros, entre os quais biografias e “2020 O Ano Que Não Existiu – A Pandemia de verde e amarelo”.  Vive em Campo Grande.

 

capa - livro Paulo Renato

1 thought on “Entrevista com o ChatGPT. Por Paulo Renato Coelho Netto

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine a nossa newsletter