SOL

Vem do sol, cara pálida! Por Paulo Renato Coelho Netto

Do Sol! O paraíso é tropical. Os gringos não fazem a menor ideia de onde vem a nossa alegria…

SOL quente - calor

Gosto não se discute. Frio, sim.

Comece pelas manhãs frias.

A lembrança da noite anterior foi brigar com o lençol gelado até o calor do corpo entrar em um acordo com o edredom para tornar a cama a amiga e companheira de sempre.

Cama é a paz que chega com a noite.

No inverno, levantar para tomar banho causa a mesma sensação de felicidade que entrar sem roupa em uma câmara fria.

É para matar qualquer um de alegria, gripe e pneumonia.

A gente toma vacina antes de chegar o inverno. No verão, água de coco e sucos tropicais.

Quem gosta de frio é urso polar, um ser que evoluiu por milhões de anos para criar gordura corporal e um casaco de pele para enfrentar gelo, vento e temperaturas glaciais.

Seres nascidos nos trópicos são a antítese dos ursos-polares, das morsas, belugas, focas, pinguins e até do bacalhau do Ártico, alimento que sai congelado da linha de produção.

Foca Nutella só bate palma de felicidade quando arruma trabalho em parques aquáticos.

A foca raiz, literalmente, precisa dar seus pulos para sobreviver. Não tem tempo para performances circenses.

Macacos, por exemplo.

Os tropicais são a personificação da alegria, enquanto os macacos japoneses exalam tristeza até mesmo quando tomam banho em lagos com água quente no inverno.

O camelo tem aquela cara de triste porque vive sob sol escaldante, passa dias caminhando sem beber água e não acha nada para comer no deserto.

Macacos japoneses e camelos do Egito seremos nós amanhã, frutos dos extremos climáticos.

Sob qual imagem cênica foi criado o paraíso?

O escritor ambientou Adão e Eva em um lugar ensolarado, tropical, repleto de frutas, árvores, noites agradáveis, sem IPTU, horário político eleitoral, boletos bancários e espinhos na relva orvalhada.

No éden, o casal andava descalço.

Vai caminhar sem botas e cinco pares de meia na Antártida para ver o que acontece. Os dedos necrosam.

Tem gente que deixa a cartilagem do nariz no Evereste.

Se frio fosse bom a imagem do paraíso seria monocromática, com cinquenta tons de branco.

Branco gelo, branco marfim, branco puro, off-white, branco neve, branco creme, branco pérola, branco algodão, branco areia clara, branco lunar, branco calcário, branco fantasma, branco gelo seco, branco areia fina, branco calcário…

O paraíso é tropical.

Os gringos não fazem a menor ideia de onde vem a nossa alegria.

Vem do sol, cara pálida!

Do sol!

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Paulo Renato Coelho Netto –   Jornalista, pós-graduado em Marketing. Tem reportagens publicadas nas Revistas piauí, Época e Veja digital; nos sites UOL/Piauí/Folha de S.Paulo, O GLOBO, CLAUDIA/Abril, Observatório da Imprensa e VICE Brasil. Foi repórter nos jornais Gazeta Mercantil e Diário do Grande ABC. É autor de nove livros, entre os quais biografias e “2020 O Ano Que Não Existiu – A Pandemia de verde e amarelo”.  Vive em Campo Grande.

 

capa - livro Paulo Renato

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