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Ilustração: Benjamim Cafalli

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ILUSTRAÇÃO: BENJAMIM CAFALLI

Urge a criação da Associação Brasileira de Defesa do Hífen, a ABDH. É espantoso o desconhecimento do uso do pobre tracinho. Mais espantoso ainda é o fato de os informadores não se informarem a respeito, põem onde não devem, não põem quando devem. O errador, daquele brogue, caprichou na mancada: “ex primeira dama do Rio durante os mandatos do atual vereador Cesar Maia como prefeito.”. Em primeira-dama falta. Aqui e mais à frente no texto. Aqui não tem, é coautoria: “com a co-autoria de 34 vereadores.”.

Ele, em outra nota:  “durante reunião bilateral entre a secretária-executiva do Ministério do Turismo,”. O único secretário agraciado com o adorno é o geral. O motivo não se sabe, pois diretor-executivo tem. A “Última flor do Lácio” é inculta, bela e ilógica.

Se ele continuar assim, o pessoal do “Estadãozinho” ficará com ciúmes…

Não há como negar a criatividade do errador:  “A Árvore de Natal do centro comerical,”. O neologismo significa comercial e comemorativo. Não é ótimo? Mistake não fica atrás: “O prefeito Eduardo Paes, como era de se esperado”. Juntou era esperado e era de se esperar, cada um que leia como quiser. É um artista no que se refere à concordância gramatical: “Esta é um dos projetos desenhados de olho no centenário da agremiação, em 2028”. Este, nem pensar…

Aqui se trata de um misterioso partícipe do brogue, o anônimo, as notas saem sem crédito. Se bem que muitas vezes deixa impressão digital. Pelo tipo de erro dá pra saber se foi a mistake/Miss Caixa ou o errador. Vale também pras creditadas ao jefe, sabe-se que não foi ele quem escreveu.

Lá vai: “Alok é conhecido pelo estilo Brazilian Bass e Scalioni por seu Deep house & Techno House.”. Terá ele uma casinha e uma casona?

Assim está em nota da Miss Caixa: “O projeto integra o programa da Secretaria municipal de Cultura de revitalização das antigas lonas culturais”. Agora, em uma do cara-pálida “teoricamente” anônimo: “A iniciativa é promovida pela Câmara Brasileira do Livro e pela Secretaria municipal de Cultura.”. Tá na cara, ops! na caixa que é ela, né? 

Ela, às vezes, distrai-se e acerta. Não tem padrão nem no erro: “vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento.”.

No meio do caminho tinha uma caixa… . José Miguel Wisnik e Flávia Oliveira conversam sobre o poema “No meio do Caminho”. Caramba, além de ilógico, antiestético. Anônimo pero no mucho, ou meio vai em alta ou caminho em baixa!

A turma de lá mudou de ideia. Antigamente, quando alguma assessoria mandava textos com palavras gringas – sale, off, meeting –, em seguida vinha “É o caramba”. Agora, sai “A noite terá sete talks sobre clima” na boa.

 Miss Caixa, é “fuego en la ruepa”, ela é craque em se atrapalhar. Este é um dos casos em que depois de dois-pontos vai caixa-alta, declaração: “Escultura em homenagem ao escritor Albert Camus foi uma ideia do próprio escultor: ‘só faço quem eu gosto’”.

É do jefe, mas é erro generalizado, “contra três suspeitos de envolvimento no assalto à casa dos ex-sogros”Não existem tais figuras, principalmente no que se refere às sogras, são para sempre… O casal pode separar-se, se tiverem filhos, os pais de um dos dois serão avós, o que impede o prefixo ex. Pentelho? ¡Si, pero bien informado!

 Mais atrapalhados com o sinal diacrítico, desta vez um uólico e não é o autor do texto, é o editor: “Pós tarifaço, EUA vivem maior aumento da inflação em sete meses”. Taxaram o hífen também, cara-pálida? E ele pisa na bola de novo, e feio!: “com um corte inicial de 0,25 pontos”. Caso típico de um chopes e dois pastel

 Este erro é generalizado: presidente do SETCESP”. É Setcesp, escriba. Quase todos desconhecem a regrinha “Sigla com três letras, todas em alta; siglas com mais de, se derem leitura direta, a primeira letra em alta, as outras em baixa.”. Na “Folha”, pra não me deixar mentir: “A FIESP, que representa o grupo patronal do setor aeronáutico nas negociações referente à data-base 2025,”. Fiesp, cara-pálida, tenha dó. Muitas vezes até os responsáveis pelo nome que é “siglado” erram. Aí não tem jeito, se o erro é oficial o acerto é reproduzi-lo.

O ideal é que fosse seguido de um [sic]. Mas é querer demais, né?

Detalhe importante, a regra vale para a língua pátria, em Inglês, por exemplo, é diferente: UNICEF, ACNUR, siglas muito usadas segundo a norma daqui, Unicef, Acnur. O curioso é que Unesco nunca é UNESCO. Há publicações que fazem uso de um recurso que resolve o problema, XPTO (na sigla em Inglês).

Agora, a marca registrada do brogue, a desatenção. “A posse acontece quarta-feira (10), marcando o início dos trabalhos.”. Lindo, não? O problema é que a nota foi publicada na quinta, 11…                                                              

 O erro mais espantoso em relação ao uso inadequado dos hífens é o cometido no “Estadãozinho” frequentemente. E continuam a cometer apesar de alertados, tentaram até convencer o avisante de que estão certos. O erro indica ignorância e dificuldade de raciocínio. Trata-se do hífen em Assembleia Geral da ONU. Só há uma assembleia, para que houvesse hífen teria de existir várias menores e a geral – com hífen – seria o ajuntamento de todas elas em uma só. Eles não sabem, por exemplo, o que é uma Procuradoria-Geral de Justiça, um delegado-geral…: “Assembleia-Geral da ONU apoia futuro Estado palestino, mas sem o Hamas” Repetiu o erro mais duas vezes na semana.

 Nele, como naquele brogue, Theatro Municipal, tanto o de SP como o do RJ, leva o devido agá dependendo do escriba da vez. A turma do jornal também não aprendeu que não existe mais hífen nos não “alguma coisa”. E não bastasse pôr o artigo “o” antes de Guarujá passou a usar “a” antes de Praia Grande. E, incrível, escrever de dois jeitos na mesma página: “Ruy Ferraz Fontes foi executado com tiros de fuzil após sair da Prefeitura de Praia Grande”;  “ex-delegado-geral de São Paulo, foi assassinado na Praia Grande,”;  “Minha família, agora, quer que eu deixe o emprego em Praia Grande e saia de São Paulo”. Ah, e continua a desrespeitar a grafia de nomes de pessoas, sem bem que certos uns não merecem respeito: “grupo de pistoleiros do PCC responsável no passado por planos para sequestrar o ex-juiz Sérgio Moro e o promotor de Justiça Lincoln Gakiya”. Fez 11 anos que a Lava Jato começou e o pessoal não notou que é Sergio.

 Mais um deslize estadônicozinho: “Treinador que observar jogadores que não começaram como titulares no jogo com o Chile”. O escriba que observar o que escreve perceberá que falta um erre… É quer, viste?

 Ela tá desculpada, não é jornalista, é advogada e economista – são especialistas em errar, foram criados para livrar a cara dos meteorologistas que, por ironia, atualmente quase não erram  – colaboradora do “Estadãozinho”. Mas deve ter aprendido o erro com algum coleguinha: “A impotência frente à polarização”. A escrita diante de um erro, ante um erro, nem pensar, né? Tem mais um, este é falta de atenção, “Como dizia o mestre Veríssimo”. Isso é falsíssimo, quem disse foi o mestre Verissimo…

 Um “folhista” com dificuldade hifênica: “Um otimista poderia dizer que Bolsonaro não se tornou ditador porque a maioria do Alto Comando do Exército “votou” contra”. Caramba, não deu pra notar ainda que é Alto-Comando?

 Dedo apressadinho estraga acordo:“De acorod com especialistas ouvidos pela Folha.

 Mais problemas folhais: “chamou atenção o caos do governo Donald Trump na saúde pública. A audiência de Robert F. Kennedy Jr. num comitê do senado americano”. Chama a atenção o chamou atenção e Senado em caixa-baixa.

 Este aqui merece um Barrabás! “Recém-nascido, Xsports é grátis e possui campeonatos de 1ª linha,”. Desde quando algo inanimado possui, cara-pálida? Passa campeonatos não é bom o suficiente para você? 

Vejam os maus-tratos sofrendo maus-tratos na “Folha”: “Ele diz temer sofrer maus tratos de outros presidiários”.

 “Folhense”, onde foi parar a renomada concordância:“a investigação será encaminhada à renomada Equipe Argentino de Antropología Forense,”? 

 Mais um “folhense” que causa mal-estar ao se afundar no hífen:“o que gerou mal estar no tribunal quando a mensagem veio à tona”.

Na “Folha” também.. Faz sentido tudo em caixa-baixa? “Não faz, a menos que se queira desmoralizar a corte suprema de justiça”. Ufa, ainda bem que concorda, só não dá pra entender porque não escreveu em alta… Mais um deslize: “Numa série sobre ovnis”. Não é mais sigla de Objeto voador não identificado, é óvni, substantivo.

 Vixi santa, não sabe a diferença que há em custa e custas, encargos em ações judiciais: “Netanyahu e o poder, às custas de um acordo possível”. À custa, articuleira colaboradora. Não está só, muitos jornalistas também não sabem.

 É, tem jeito não, os maus exemplos frutificam. A “Folha” aderiu ao “erro-geral” do “Estadãozinho” e lascou hífen onde não existe. “Lewandowski recebe visto dos EUA para participar de Assembleia-Geral da ONU”.

 O Pix veio para facilitar, mas enfureceu o ogro e complicou a vida dos escribas. Na “Folha”:“sem as cabines físicas e com pagamento eletrônico por leitura de placas ou tags automáticas, cartões de crédito, débito ou pix.”.

 E esta no UOL:“Sem ‘babar-ovo’, ele transforma restaurantes de SP em ‘pequena Catalunha’”? Cara-pálida, baba-ovo, substantivo, existe, o verbo é criação sua!

Mais UOL:

É Parmêra, meu! Foi corrigido horas depois, Palmeiras.

Este é de doer, foi cometido por ilustre colunista uólico: “Tarcísio golpista: Eduardo vê crocodilagem. Ou: as consequências vêm depois”. Faz mais de uma semana que tento descobrir como uma consequência poderia vir antes…

Eta g1! O capista do g1 deve ser amigo de Netanyahu: “Quem é Hannah Einbinder, que xingou o ICE e falou ‘palestina livre’ no Emmy”. Ela disse em alto e bom som para libertarem a Palestina.

“Foda-se o ICE e libertem a Palestina”, o Immigration and Customs Enforcement.

Em tempo: é filha de mãe judia, portanto…

Superaram-se!

 Eram 17 horas do dia 13 e, segundo eles, eram… não dá pra saber, é horário regressivo. O programa de acordo com o que está na tela começou às 23h e vai acabar às 22h30…

 Jacquestamos em TV, uma pérola no SporTV2. Não bastou a bobagem que virou moda, zero não sei quê em vez de – a turma costuma usar ao invés, não sabe a diferença –  nenhum/nenhuma, o locutante brilhou: “Zero vitórias…”.

 Este aqui é ótimo, é do tipo de “Fulano caiu do centésimo andar do prédio, mas morreu”. Santa Inhorância, padroeira de muita gente. Foi no “Jornal de Record” – pensam que é fácil fazer “Mirando” e “Implicâncias”? Tenho de ler e ver de tudo… – “Ficou internado por cinco dias em estado grave, mas morreu.”Não sabem a diferença que há entre mas e “e”.

 Na Edição das 18h, GloboNews! “Correr atrás do prejuízo”. Eduardo Martins, que durante anos cuidou da hoje descuidada qualidade do texto do então “Estadão” tinha aversão à expressão. Apesar de esquisita, o melhor seria “Correr para eliminar o prejuízo”, até que ela é entendível no sentido em que é empregada. Há quem a condene, há quem considere que seja preciosismo condená-la.

 Pra finalizar, me rendo! Dois erros que não apontarei mais, perda de tempo meu e de quem lê isto aqui: Pix no g1 será sempre PIX e os suspeitos nada suspeitos, as suspeições generalizadas em relação a fatos totalmente comprovados. Teve quem escreveu que o golpista-mor foi condenado porque teria…

(CACALO KFOURI)


Legendas para “O blog do Ancelmo Gois”
 Jefe: ele.
Errador, Mister Caixa, Mister Crase: o editor Nelson Lima Neto
Mistake, Miss Caixa, Miss Crase: a editora Fernanda Pontes

implicâncias

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