Contatos imediatos. Por Paulo Renato Coelho Netto
Manteremos contatos, se necessário, com sinais de fumaça. Usados pelos apaches para alertar que o perigo, a decadência, o declínio, o patético, o desrespeito, a insanidade completa, a ganância e o individualismo chegavam a galope, de uniforme azul, sob o som de uma corneta aguda e psicopata.

Se as luzes oscilarem de forma inesperada e repentina e isso trouxer dúvidas e desânimo, manteremos contato.
Estamos juntos sob o mesmo céu e sujeitos às mesmas mudanças bruscas durante nossas jornadas sob as estrelas.
Manteremos contatos imediatos em todos os graus.
Se faltarem palavras, usaremos notas musicais.
Usaremos radiotelescópios ópticos colossais para enviar e receber sinais com linguagens simples, diretas e compreensíveis.
Vamos colorir com pinturas rupestres as pedras das cavernas que habitamos.
Produziremos a tinta com o carvão vegetal das nossas imperfeições, com a argila avermelhada dos sonhos, com o pó de calcário da esperança, o mel do amor e a água cristalina da vida.
Que as cores fiquem terrosas ao ponto de podermos caminhar descalços sobre elas.
Estamos juntos na imensa trilha de incertezas que chamamos de vida.
Somos pequenos para compreender os mistérios entre o céu e a terra, com ou sem filosofia.
Manteremos contatos, se necessário, com sinais de fumaça.
Usados pelos apaches para alertar que o perigo, a decadência, o declínio, o patético, o desrespeito, a insanidade completa, a ganância e o individualismo chegavam a galope, de uniforme azul, sob o som de uma corneta aguda e psicopata.
Com a sutileza dos monges, a delicadeza das garças e o pragmatismo das najas, manteremos contato.
De prontidão como soldados, armados de fé e esperança.
Sugiro cantar. Os pássaros compreendem as manhãs melhor que nós.
Manteremos contato sem estar por perto, com o mantra do Velho Guerreiro:
– Aquele abraço!
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Paulo Renato Coelho Netto – Jornalista, pós-graduado em Marketing. Tem reportagens publicadas nas Revistas piauí, Época e Veja digital; nos sites UOL/Piauí/Folha de S.Paulo, O GLOBO, CLAUDIA/Abril, Observatório da Imprensa e VICE Brasil. Foi repórter nos jornais Gazeta Mercantil e Diário do Grande ABC. É autor de nove livros, entre os quais biografias e “2020 O Ano Que Não Existiu – A Pandemia de verde e amarelo”. Vive em Campo Grande.


Meu amigo Poeta, que prazer ler seus textos tão bonitos e perpiscazes👏👏👏👏👏👏👏