SANTOS

Santos tem muitos méritos, mas não podemos colocar a cidade em um pedestal de exceção. A região precisa assumir a responsabilidade compartilhada que deve guiar uma agenda metropolitana. Santos é o motor da região, mas motores só funcionam bem quando toda a engrenagem acompanha. A política da boa vizinhança é a medida certa para regiões como a Baixada Santista.

 Por ANTONIO CARLOS FONSECA CRISTIANO, "CAIO"

Santos SP: História, Cultura e Turismo

Publicado originalmente no Diário Do Litoral, edição de 5 de dezembro  de 2025

Santos sempre foi vista como a cidade que “funciona” na Baixada Santista. A mais segura, a mais estruturada, a mais preparada. Em 2024, a cidade foi classificada como a mais segura da região e a 4ª entre todas as cidades litorâneas do Brasil com mais de 100 mil habitantes. Em saúde, registra o menor índice de mortalidade infantil dos últimos anos. No campo econômico, mantém um PIB robusto e um setor de serviços que se destaca em escala nacional. Mas é justamente aí que mora um risco silencioso: a ideia de que Santos pode existir isoladamente das fragilidades ao seu redor. Santos não está em uma bolha. Ela é o centro funcional da Baixada. E, por ser centro, tudo o que acontece nela reverbera sobre toda a Região Metropolitana da Baixada Santista, assim como o que acontece nas outras oito cidades da Baixada alcança Santos.

A cidade concentra 429 mil habitantes, cerca de 23% da população metropolitana, em apenas 11,6% do território. É uma densidade urbana que não permite os erros de gestão que observamos com frequência. Qualquer descompasso no planejamento urbano, na drenagem, na mobilidade ou nos serviços públicos gera impacto imediato para a população. E esse impacto não fica restrito a Santos. Ele se espalha. Somos mais de 1,8 milhão de pessoas em nove municípios da Baixada Santista e dependemos, direta ou indiretamente, da capacidade de Santos para absorver demandas, organizar fluxos, sustentar serviços e manter o Porto de Santos funcionando em plena capacidade.

Por tudo isso, tratar Santos como uma ilha, ainda que geograficamente ela seja uma, é perder de vista uma engrenagem que sustenta a vida regional. A cidade entrega resultados notáveis, sim. Ainda é segura, organizada e eficiente. Mas essa eficiência traz uma sobrecarga: os problemas de infraestrutura, sociais, de segurança, no sistema de saúde e os desafios econômicos que circulam entre todas as cidades da Baixada.

No Porto de Santos, essa realidade fica ainda mais evidente. Santos movimenta mais de um terço da balança comercial do Brasil. Cada caminhão, cada contêiner, cada operação depende de acessos, segurança, tecnologia e infraestrutura que precisam funcionar sem falhas. Qualquer gargalo interrompe cadeias produtivas que vão muito além da cidade, muito além da nossa região. E muitos impactos recaem sobre Santos: trânsito, ocupação do território, pressão ambiental e demanda por serviços públicos.

Santos tem muitos méritos, mas não podemos colocar a cidade em um pedestal de exceção. A região precisa assumir a responsabilidade compartilhada que deve guiar uma agenda metropolitana. Santos é o motor da região, mas motores só funcionam bem quando toda a engrenagem acompanha. A política da boa vizinhança é a medida certa para regiões como a Baixada Santista.

Mobilidade, drenagem, moradia, saúde, expansão portuária, proteção ambiental, segurança pública – tudo isso exige coordenação entre os municípios. Se cada cidade operar suas próprias agendas sem considerar o impacto para todos, o desequilíbrio tende a crescer.

A visão fragmentada que ainda existe na Baixada Santista precisa ser abandonada. É necessária uma postura madura, integrada e responsável. Santos continuará crescendo, se modernizando e entregando resultados, mas não pode avançar sozinha e penalizar toda uma região tão importante para a economia brasileira.


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ANTONIO CARLOS FONSECA CRISTIANO, “Caio” – Empresário, santista. Presidente da Marimex Inteligência Portuária em Logística Integrada.


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